Chapter 1
Oito meses depois do nosso casamento arranjado, meu marido — chefe de uma das famílias mais poderosas de Chicago — finalmente me olhou nos olhos e disse: “Eu não te quero como esposa, Claire. Nunca quis.” Então eu sorri, subi as escadas, vesti o vestido vermelho que ele um dia me proibiu de usar, e entrei na festa do pior inimigo dele sabendo de uma coisa: Dominic Russo estava prestes a descobrir o que era rejeição quando ela para de implorar.
Ele disse aquilo às 20h17, no escritório dele, com Chicago brilhando lá fora pela janela.
Dominic não gritou. Não jogou o copo de uísque na parede. Ficou parado atrás da mesa, frio, controlado, e falou aquela frase como quem fecha um contrato qualquer.
Por um segundo, quase chorei.
Depois lembrei do que meu pai me ensinou sobre lágrimas, no dia em que me usou para quitar uma dívida.
Minha mãe morreu cedo e me deixou criando meu irmão mais novo, Noah, sozinha. A família de Dominic comprou a dívida do meu pai de homens muito menos pacientes do que eles. O acordo era simples: meu pai continuava vivo, Noah continuava intocado, e eu virava esposa de Dominic Russo.
Não teve pedido de casamento.
Não teve romance.
No dia do casamento, Dominic colocou a aliança no meu dedo, beijou meu rosto e me tratou com aquela educação cuidadosa que se reserva a estranhos.
Por oito meses, vivemos na mesma mansão em Lake Forest como dois países vizinhos que nunca se falam.
Ele dormia no escritório, às vezes num quarto de hóspedes.
Eu dormia sozinha na suíte principal.
Aprendi que ele tomava café preto, odiava velas acesas, afrouxava a gravata assim que chegava em casa, e preferia as luzes fracas o suficiente para esconder o que estava pensando.
Aquela noite era nosso aniversário de oito meses de casados.
Por um motivo que até hoje não sei explicar direito, decidi tentar.
Arrumei a mesa de jantar pra dois, com a porcelana boa, guardanapos de linho, o vinho que ele gostava, e um risoto que a Dona Alvarez me ajudou a fazer.
Nada de rosas.
Rosas deixariam minha esperança parecer desesperada demais.
Dominic chegou uma hora atrasado, olhou pra mesa e entendeu na hora o que aquilo significava.
“Tenho trabalho.”
Virou de costas e foi em direção à escada.
Eu fui atrás.
Talvez uma mulher com mais orgulho tivesse jantado sozinha e fingido que aquele aperto no peito não era nada.
Eu já estava cansada de fingir.
Abri a porta do escritório dele sem bater.
“Eu falei que tenho trabalho” — ele disse.
“E eu ouvi. Mas sua esposa arrumou uma mesa pra você, então seus papéis podem esperar dois minutos.”
O olhar dele endureceu.
“Vai dormir, Claire.”
“Não.”
Minha voz tremeu, mas eu sustentei o olhar dele.
“Me diz por que você casou comigo.”
“Você sabe por quê.”
“Por causa da dívida do meu pai?”
O silêncio dele foi resposta suficiente.
Aí eu fiz a pergunta que eu vinha evitando fazer há oito meses.
“Alguma vez você me quis de verdade?”
Dominic me olhou por um tempo que pareceu longo demais.
“Não.”
Alguma coisa dentro de mim se quebrou de vez.
“Eu não te quero como esposa, Claire” — ele completou. “Nunca quis.”
Eu balancei a cabeça uma vez só e saí de lá.
Lá em cima, escondido atrás dos vestidos cinza e dos casacos discretos que ele preferia que eu usasse, encontrei o vestido vermelho que Dominic um dia disse que era perigoso demais pra mim vestir.
Coloquei ele.
Depois liguei pra minha melhor amiga.
“Tessa, onde é a festa do Adrian Cross hoje à noite?”
Ela ficou em silêncio por um instante.
“O pior inimigo do seu marido?”
“Esse mesmo.”
Vinte minutos depois, eu estava entrando na mansão do Adrian Cross, em Lincoln Park, vestida de vermelho.
Toda conversa parou.
E do outro lado do salão, Adrian ergueu a taça devagar, em minha direção.
Foi quando as portas atrás de nós se abriram com um estrondo.
