Chapter 4
— Você precisa se esconder — falei, já me movendo em direção à janela, avaliando as opções, os instintos de vinte anos assumindo controle automático.
— Esconder onde? Estamos numa montanha, no meio de uma nevasca, numa pousada pequena demais para qualquer esconderijo de verdade.
Ela tinha razão, e isso me irritou mais do que eu gostaria de admitir.
— Quem mais sabia que você estava investigando isso? — perguntei, tentando entender como Victor tinha descoberto tão rápido.
— Ninguém. Só minha promotora de confiança e eu mesma.
— Então como Victor sabe que você está aqui, comigo, agora?
Claire ficou pensativa por um momento, e então o rosto dela empalideceu ainda mais.
— O gerente da pousada. Ele viu quando eu disse meu nome completo no check-in, na semana passada. Se alguém da sua organização mantém vigilância sobre esse lugar, por causa do seu associado que usa isso como ponto de encontro…
— Eles cruzaram os dados e descobriram sua identidade real.
— Exatamente.
Bati na porta do quarto, chamando um dos meus homens que eu sabia estar hospedado dois andares abaixo, esperando instruções minhas desde que chegamos.
— Marco, precisamos de reforço agora. Alguém dentro da minha própria operação está agindo sem minha autorização.
A voz dele veio abafada pela porta. — Chefe, o quê? Quem?
— Victor. Vem comigo, agora.
Abri a porta, e Marco estava lá, os olhos arregalados de confusão, mas obedecendo sem questionar, do jeito que fazia há quinze anos.
— O que está acontecendo, chefe?
— Victor mandou uma mensagem ameaçando a vida dessa mulher. Preciso que você a proteja enquanto eu descubro o que diabos está acontecendo.
Marco olhou para Claire, depois para mim, claramente processando a situação incomum de eu, pessoalmente, decidindo proteger alguém que, minutos atrás, tinha admitido estar construindo um caso federal contra mim.
— Chefe, com todo respeito, ela é…
— Eu sei exatamente quem ela é, Marco. E sei também que, seja lá o que Victor está planejando, isso não vai acontecer enquanto eu tiver qualquer controle sobre a situação.
Claire me observava com uma expressão que misturava choque e uma cautela que não desaparecia completamente.
— Por que você está fazendo isso? — ela perguntou, baixinho, assim que Marco saiu para verificar o perímetro. — Eu sou literalmente a pessoa tentando destruir tudo que você construiu.
— Porque, aparentemente, alguém na minha própria organização decidiu que tem autoridade para ordenar mortes sem minha permissão. E isso, Claire, é um problema que eu preciso resolver, independentemente de qualquer coisa entre nós dois.
— Isso é só sobre controle, então? Sobre manter sua autoridade intacta?
Hesitei, porque a resposta simples teria sido sim, mas alguma coisa dentro de mim, algo que eu não sentia havia anos, insistia em complicar aquela resposta.
— Não é só isso — admiti, finalmente. — Você tem razão sobre o que eu construí. Sobre as pessoas que sujaram as mãos para eu manter as minhas limpas. Sobre seu irmão. Eu não posso trazer ele de volta, Claire, mas posso garantir que Victor, e qualquer outro que decidiu que matar pessoas inocentes é aceitável dentro da minha organização, responda por isso.
Ela ficou em silêncio, estudando meu rosto como se procurasse alguma mentira escondida nas minhas palavras, mas não encontrando nenhuma.
Foi então que ouvimos passos pesados no corredor, seguidos por vozes abafadas, e Marco batendo na porta com urgência.
— Chefe! Victor está aqui. Na pousada. Com mais três homens.
