A primeira coisa que o chefão mais temido da máfia em Richmond me disse foi: “Eu pago quinhentos dólares se você sentar na minha mesa e fingir que está apaixonada por mim.

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Chapter 3

Ethan ficou tão parado que por um segundo achei que ele tinha esquecido de respirar.

— Você conhece esse nome — falei, sem ser pergunta.

Ele levou um segundo longo demais para responder.

— Talvez.

— Ethan.

— Eu preciso pensar antes de te dizer qualquer coisa que possa estar errada.

Bati a mão na mesa, baixinho, mas com força suficiente para os talheres tilintarem.

— Três anos, Ethan. Três anos eu vivo sem saber se meu irmão está vivo, morto, escondido ou fugido. Se você sabe de alguma coisa, eu preciso ouvir.

Ele olhou em volta do restaurante, baixou a voz.

— Não aqui.

— Então onde?

— Minha casa. Depois do seu turno.

— Você acha mesmo que eu vou até a casa de um chefão de máfia sozinha à noite?

— Você já sentou na minha mesa fingindo namorar comigo na frente da minha ex. Acho que já passamos do ponto de “sozinha à noite” ser o maior risco da nossa noite.

Tinha lógica ali, por mais absurdo que fosse.

Zoe voltou para recolher os pratos e percebeu o clima pesado entre nós.

— Tudo bem por aqui?

— Tudo ótimo — respondi, num tom que não enganou ninguém.

Ela se afastou devagar, olhando para trás mais de uma vez.

Terminei meu turno naquela noite com a cabeça em outro lugar, servindo mesas no piloto automático, derramando molho duas vezes, esquecendo pedidos.

Às onze da noite, um carro preto parou na frente do restaurante.

Ethan estava encostado na porta, mãos nos bolsos, parecendo mais alguém esperando um veredito do que um homem que controlava metade da cidade.

Entrei no carro sem dizer nada.

A casa dele ficava fora da cidade, cercada por árvores altas e um portão que se abria sozinho, como se soubesse que ele estava chegando.

Lá dentro, tudo era silencioso demais para o tamanho do lugar.

Ele me levou até um escritório com estantes de livros que pareciam nunca terem sido abertos e me indicou uma cadeira.

— Michael trabalhava para um homem chamado Victor Reyes — Ethan começou, sem rodeios. — Reyes lavava dinheiro através de pequenos negócios na cidade. Seu irmão fazia entregas.

Meu peito apertou.

— Entregas de quê?

— Melhor você não saber os detalhes.

— Ethan.

Ele suspirou.

— Dinheiro. Drogas, às vezes. Coisas que colocavam qualquer pessoa em perigo se algo desse errado.

— E deu errado?

Ele hesitou antes de responder, e aquela hesitação me disse mais do que qualquer palavra.

— Michael descobriu algo que não devia. Um esquema dentro do esquema. Alguém desviando dinheiro de Reyes usando o nome dele.

— Quem?

Ethan olhou para mim com uma expressão que parecia pedir desculpas antes mesmo de falar.

— Eu não tenho certeza absoluta. Mas os rumores sempre apontaram para alguém próximo a mim.

Meu coração disparou.

— Grant?

Ele não respondeu, e o silêncio foi resposta suficiente.

— Se Michael descobriu que Grant estava roubando de Reyes usando a organização dele como fachada, e Reyes descobriu que Michael sabia…

— Ele teria motivo para fazer meu irmão desaparecer.

— Ou para protegê-lo, dependendo de quem chegou primeiro — Ethan completou. — Não sei qual das duas coisas aconteceu, Hannah. Juro que não sei.

Fiquei em silêncio, tentando absorver três anos de perguntas sem resposta se transformando, de repente, em pistas reais.

— Por que você está me contando isso? Você nem me conhece.

Ethan se aproximou, ajoelhando-se na frente da cadeira para ficar na minha altura.

— Porque hoje à noite, pela primeira vez em muito tempo, eu ri de verdade na frente de alguém. E porque, seja lá o que Grant fez com sua vida, ele já destruiu o suficiente da minha.

Antes que eu pudesse responder, o celular dele vibrou na mesa.

Ele olhou a tela, e o rosto dele mudou completamente.

— O que foi? — perguntei, o medo já subindo pela garganta.

— Alguém esteve perguntando sobre você essa semana. No mesmo bairro onde Reyes ainda opera.

— Zoe mencionou isso mais cedo.

— Eu sei. E agora meu segurança confirma.

Ele me encarou com uma seriedade que não combinava com o riso de horas atrás.

— Hannah, eu acho que você está em perigo há mais tempo do que imagina.

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