Chapter 5
Dois dias depois, Ethan reuniu tudo que precisava.
Fotos, gravações, uma testemunha disposta a falar em troca de proteção.
O plano era simples na teoria, aterrorizante na prática: confrontar Reyes diretamente, expor o esquema de Grant, e negociar a liberdade de Michael antes que qualquer coisa pudesse dar errado.
— Você não vai comigo — Ethan disse, enquanto colocava um casaco escuro.
— Ele é meu irmão.
— E é exatamente por isso que Reyes vai usar você contra mim se você estiver lá.
— Eu não vou ficar em casa esperando notícias como se fosse enfeite, Ethan.
Ele parou, respirou fundo, e finalmente assentiu, vencido.
— Você fica no carro. Comigo. Nada de sair, aconteça o que acontecer.
O armazém ficava numa área isolada perto do porto, cercado por contêineres empilhados que pareciam paredes de um labirinto.
Dentro do carro, meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir no próprio ouvido.
Ethan saiu acompanhado de dois homens de confiança, cada movimento calculado, cada passo carregando o peso de anos administrando perigo.
Os minutos que se seguiram foram os mais longos da minha vida.
Através do vidro, vi vultos se movendo dentro do armazém, sombras atravessando as janelas altas e sujas.
Então ouvi gritos.
Não consegui ficar parada.
Saí do carro antes de conseguir me convencer do contrário.
Quando entrei, o cenário era de caos controlado: Ethan encarando um homem mais velho, elegante, com o tipo de calma que só quem está acostumado a mandar em outras vidas consegue manter.
Reyes.
E ao lado dele, amarrado a uma cadeira, mais magro do que eu me lembrava, com uma cicatriz nova cruzando a sobrancelha.
— Michael.
Ele levantou a cabeça ao ouvir minha voz, e o reconhecimento explodiu no rosto dele como um soco.
— Hannah? — sua voz saiu rachada, incrédula.
— Que comovente — Reyes comentou, sem se abalar. — Reencontros de família.
— Solta ele — Ethan disse, a voz baixa e mortalmente calma.
— Seu antigo amigo Grant tem me roubado há meses usando seu nome, Cole. Achei justo manter uma garantia até resolvermos isso entre cavalheiros.
— Grant não é problema seu para resolver com a vida do irmão dela.
Reyes deu de ombros, como se estivesse discutindo o preço de um jantar.
— Eu tenho as provas que você precisa contra Grant — Ethan disse, erguendo a pasta que carregava. — Documentos, fotos, uma testemunha disposta a confirmar tudo em qualquer tribunal ou reunião que você preferir. Em troca, Michael sai vivo, e você nunca mais toca na família dela.
Reyes considerou por um longo momento que pareceu durar uma eternidade.
— E o que me garante que você não vai usar isso contra mim depois?
— Minha palavra — Ethan respondeu. — E você sabe que, ao contrário de Grant, eu nunca quebrei ela.
Alguma coisa na expressão de Reyes mudou, um respeito relutante escondido atrás dos olhos frios.
— Tire o rapaz daqui — ele finalmente disse a um dos seus homens. — E, Cole, resolva seu problema com Mercer antes que ele se torne meu problema de novo.
Um dos capangas cortou as amarras de Michael, que quase caiu ao tentar se levantar sozinho.
Corri até ele, segurando seu rosto entre as mãos, verificando se era real, se aquilo tudo não era apenas um sonho cruel que eu teria em qualquer noite dos últimos três anos.
— Você está aqui — sussurrei, lágrimas descendo sem permissão. — Você está vivo.
— Desculpa, Hannah — ele disse, a voz quebrando. — Desculpa por tudo.
Ethan ficou observando de longe, dando espaço para aquele reencontro, mas sem tirar os olhos de Reyes até termos todos saído em segurança daquele armazém.
No carro, no caminho de volta, Michael olhou para Ethan com uma mistura de gratidão e desconfiança.
— Por que você fez isso? — perguntou. — Você nem me conhece.
Ethan olhou para mim pelo retrovisor antes de responder.
— Porque sua irmã importa para mim. E isso, aparentemente, é o suficiente.
