Chapter 4
Fiquei paralisado, encarando Rachel, tentando entender como Lílian poderia estar envolvida em qualquer coisa que minha ex-noiva tivesse para dizer.
— Do que você está falando? — perguntei, a voz mais tensa do que eu pretendia.
Rachel hesitou por um longo momento antes de continuar.
— Você lembra por que nosso noivado terminou, Marcos?
— Você disse que precisava de espaço, que as coisas estavam indo rápido demais.
— Essa não foi a verdade completa.
Senti um aperto no peito, antecipando algo que eu não estava preparado para ouvir.
— Então qual é a verdade completa?
— Eu terminei porque descobri que você tinha sentimentos por outra pessoa. Sentimentos que você provavelmente nem admitia para si mesmo na época.
O ar pareceu sumir dos meus pulmões.
— Rachel, isso é loucura. Eu nunca…
— Eu vi vocês juntos, Marcos. Você e Lílian. A forma como você olhava para ela quando achava que ninguém estava vendo. Percebi antes mesmo de você perceber.
Fiquei em silêncio, incapaz de negar completamente algo que, no fundo, eu sabia que tinha um fundo de verdade.
— Por que você nunca disse nada na época?
— Porque eu tinha esperança de que estivesse errada. Ou de que, com tempo, você esquecesse esse sentimento e se apaixonasse de verdade por mim.
— Rachel…
— Deixa eu terminar — ela pediu, levantando a mão. — Eu não vim aqui para reabrir feridas antigas ou causar problemas entre vocês dois. Vim porque acho que você merece saber a verdade completa antes de seguir em frente com ela.
— Que verdade?
Rachel tirou o celular da bolsa, as mãos tremendo levemente.
— Lílian me procurou, há oito meses. Ela queria saber se eu ainda tinha sentimentos por você, se havia alguma chance de a gente voltar.
Senti como se o chão tivesse sumido debaixo de mim.
— Isso não faz sentido. Por que ela faria isso?
— Porque ela estava apavorada com os próprios sentimentos por você, Marcos. Ela me disse que preferia ver você feliz com outra pessoa do que arriscar a amizade de vocês tentando algo e falhando.
— E o que você disse a ela?
— Eu disse a verdade: que eu já tinha seguido em frente, e que ela deveria parar de fugir do óbvio.
Fiquei processando aquela informação, sentindo uma mistura estranha de alívio e confusão.
— Por que você está me contando isso agora, Rachel? Meses depois?
— Porque semana passada, Lílian me ligou de novo. Chorando, dizendo que tinha cometido um erro enorme deixando os sentimentos dela tomarem conta, que vocês dois iam acabar se machucando, e que talvez fosse melhor voltar a ser só amigos antes que fosse tarde demais.
Meu coração disparou.
— Quando foi isso exatamente?
— Três dias atrás.
Três dias atrás.
Um dia antes de Lílian ter ficado tão insegura sobre meu encontro com Rachel.
— Ela nunca mencionou nada disso para mim — falei, mais para mim mesmo do que para Rachel.
— Talvez porque ela ainda esteja tentando decidir se tem coragem de seguir em frente, ou se vai deixar o medo vencer de novo, como sempre fez.
Saí daquele encontro com a cabeça girando, incapaz de organizar todos os pensamentos que se acumulavam, cada um mais preocupante que o anterior.
Quando cheguei em casa, encontrei Lílian sentada no meu sofá, esperando, o rosto pálido de ansiedade.
— Como foi? — ela perguntou, a voz tremendo levemente.
— Precisamos conversar, Lily. Sobre uma coisa bem mais importante do que Rachel.
