Às 6h13 da manhã, minha melhor amiga estava descalça na minha cozinha, usando meu velho moletom azul-marinho, segurando minha caneca de café com as duas mãos, e fez a única pergunta que eu tinha passado quatro anos inteiros garantindo que ela nunca fizesse

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Chapter 5

Lílian empalideceu ainda mais ao ouvir meu tom de voz.

— O que ela te disse, Marcos?

— Ela me contou sobre a ligação que vocês tiveram há oito meses. E sobre a de três dias atrás.

Vi o exato momento em que o rosto de Lílian desmoronou, qualquer tentativa de disfarce completamente destruída.

— Eu posso explicar.

— Então explica.

Ela respirou fundo, as mãos entrelaçando nervosamente no colo.

— Há oito meses, eu estava apavorada com o que sentia por você. Pensei que se Rachel ainda tivesse alguma chance, talvez fosse mais fácil para todo mundo se eu simplesmente desaparecesse desse sentimento e deixasse vocês dois se encontrarem de novo.

— Lily, isso não fazia sentido nem naquela época. Rachel e eu terminamos por um motivo.

— Eu sei disso agora. Mas na época, eu só conseguia pensar em como seria mais seguro para todo mundo se eu simplesmente não sentisse o que sentia.

— E há três dias?

Ela hesitou, os olhos enchendo de lágrimas.

— Depois daquela manhã na cozinha, depois de tudo que a gente começou… eu entrei em pânico, Marcos. Comecei a pensar em tudo que poderíamos perder se isso desse errado. Nossa amizade, nossa história, tudo que construímos em quatro anos.

— Então você ligou para minha ex-noiva pedindo para ela tentar voltar comigo?

— Eu sei como isso parece.

— Parece que você estava tentando sabotar a gente antes mesmo de dar uma chance de verdade.

— Eu estava com medo! — ela explodiu, as lágrimas finalmente descendo livremente. — Medo de me machucar, medo de te machucar, medo de perder a única pessoa que sempre esteve do meu lado, não importa o quê.

Fiquei em silêncio, tentando processar a intensidade daquela confissão.

— Lily, você não pode continuar tomando decisões sobre nós dois baseada só no seu medo. Isso não é justo, nem comigo, nem com você.

— Eu sei. Eu sei que não é.

— Então o que você quer, de verdade? Sem medo, sem tentar proteger todo mundo ao seu redor primeiro.

Ela olhou para mim, os olhos vermelhos de tanto chorar, mas com uma determinação crescente por trás das lágrimas.

— Eu quero você, Marcos. Sempre quis. Só levei tempo demais para parar de fugir disso.

— Então por que continuar sabotando cada chance que a gente tem?

— Porque eu nunca tive um exemplo de amor que desse certo, Marcos. Meus pais se destruíram mutuamente durante anos antes de finalmente se divorciarem. Cada relacionamento que eu já tive terminou em desastre. Você é a única coisa boa e estável que eu já tive na vida, e a ideia de arruinar isso me apavora mais do que qualquer coisa.

Aquela confissão, tão crua e sincera, dissolveu grande parte da raiva que eu sentia, substituindo por uma compreensão mais profunda do que realmente estava acontecendo.

— Lily, relacionamentos não são sobre nunca ter medo. São sobre escolher confiar, mesmo com medo.

— E se eu não for boa o suficiente nisso?

— Então a gente aprende juntos. Mas você precisa parar de tomar decisões sozinha sobre o nosso futuro, achando que está me protegendo.

Ela assentiu, limpando as lágrimas com as costas da mão.

— Eu sinto muito, Marcos. De verdade.

— Eu sei que sente. Mas sentir muito não resolve o problema de confiança que isso criou.

— O que isso significa para a gente agora?

Aquela pergunta ficou pairando no ar, pesada e sem resposta fácil, enquanto eu tentava decidir exatamente quanto eu estava disposto a arriscar depois de descobrir até que ponto o medo dela tinha ido.

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