As chaves bateram na mesa de mogno e quebraram o silêncio dentro do escritório do cobertura.

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Chapter 2

O Waldorf estava lotado de esmoquins e vestidos de gala quando Chastity entrou, o salão de baile inteiro brilhando sob lustres de cristal e conversas sussurradas sobre política e caridade em partes iguais.

Ela pegou uma taça de champanhe da bandeja de um garçom e se posicionou perto de uma das mesas, tentando parecer exatamente o que precisava parecer: uma mulher independente, presente por vontade própria, sem nenhuma explicação devida a ninguém.

A verdade era mais simples e mais solitária do que qualquer suposição de Gabriel.

Não havia acompanhante.

Havia apenas ela, um vestido comprado com economias de meses, e a decisão cansada de, só por uma noite, deixar de ser a mulher atrás da mesa.

— Chastity Morales?

Ela se virou. Um homem de terno bem cortado, sorriso fácil demais, se aproximava com duas taças na mão.

— Senador Whitfield — ela reconheceu, apertando a mão dele com educação profissional. — Não sabia que o senhor estaria aqui.

— Todo mundo relevante está aqui. — Ele sorriu, os olhos passeando de um jeito que ela conhecia bem demais de anos lidando com homens poderosos. — Você trabalha pro Mercer, certo? Deve ter histórias interessantes.

— Tenho ótima memória pra confidencialidade, senador.

Ele riu, como se ela tivesse feito uma piada.

Do outro lado do salão, sem que Chastity percebesse, um homem de terno escuro observava a cena com atenção profissional, o telefone discretamente erguido, tirando fotos que minutos depois chegariam a Mick, e de Mick, direto pro celular de Gabriel.

Gabriel estava ainda no galpão, o cigarro consumido até o filtro, quando a primeira foto chegou.

Chastity, sozinha, conversando com um senador conhecido por reputação questionável com mulheres mais jovens.

O peito de Gabriel se apertou de um jeito que ele não reconheceu imediatamente.

— Ela está sozinha — disse Mick, ao telefone, a voz cautelosa. — Nenhum acompanhante chegou com ela. Só esse senador dando em cima, e mais dois ou três homens tentando a sorte.

— Fica de olho — disse Gabriel, a voz tensa.

— Chefe, ela é adulta. Pode se cuidar.

— Eu disse pra ficar de olho, Mick.

Desligou antes que o outro pudesse responder.

Tommy, terminando de limpar as próprias mãos num pano manchado, observou o chefe com uma expressão cuidadosa.

— Você nunca foi assim com ela antes.

— Cala a boca, Tommy.

— Só estou dizendo. Três anos ela senta naquela mesa, e você nunca perguntou com quem ela sai. Hoje ela usa um vestido, e você manda vigiar o hotel inteiro.

Gabriel não respondeu, porque não tinha resposta que fizesse sentido nem pra ele mesmo.

De volta ao Waldorf, Chastity conseguiu se livrar do senador com educação suficiente pra não fazer inimigos, e se afastou em direção à varanda externa, precisando de ar depois de duas horas sorrindo pra pessoas que ela geralmente só via em reuniões tensas dentro do escritório de Gabriel.

A cidade se estendia abaixo dela, luzes espalhadas pela escuridão de inverno.

— Achei que encontraria você aqui.

A voz a fez se virar tão rápido que quase derramou o resto do champanhe.

Gabriel estava parado na porta da varanda, ainda de terno, embora tivesse trocado a camisa amassada do galpão por uma limpa, o cheiro de sangue e nicotina substituído por algo mais próximo de sabonete apressado.

— O que você está fazendo aqui?

— Vim garantir que você estivesse segura.

— Eu disse que sabia me cuidar sozinha.

— E eu disse que ia ligar se alguém te tocasse de um jeito que você não queria.

— Ninguém me tocou.

— O senador Whitfield olhou pra você do jeito que eu olho pra uma dívida não paga.

Ela quase riu, apesar de tudo.

— Você está com ciúmes, Gabriel?

A pergunta saiu antes que ela pudesse conter, mais direta do que ela jamais teria permitido em qualquer outro contexto, o champanhe e o cansaço de três anos guardando distância finalmente afrouxando alguma coisa dentro dela.

Ele não negou imediatamente, o que já era uma resposta em si.

— Eu vim aqui pensando que você estava com alguém — disse ele, finalmente, a voz mais baixa, mais crua do que ela jamais tinha ouvido dele. — Passei a noite inteira imaginando quem tinha o direito de te ver desse jeito, quando eu nunca… quando eu nunca deixei nem eu mesmo pensar nisso, em três anos.

— E agora que sabe que não tem ninguém?

Ele deu um passo à frente, a distância entre eles diminuindo perigosamente.

— Agora eu não sei o que fazer com isso.

Chastity sentiu o coração martelar, três anos de profissionalismo cuidadoso ameaçando desmoronar num único instante na varanda gelada daquele hotel.

— Gabriel, eu trabalho pra você. Isso é… isso é complicado demais.

— Eu sei.

— Você é meu chefe.

— Eu sei disso também.

— Então o que estamos fazendo aqui?

Ele ergueu a mão, do mesmo jeito que tinha feito no escritório, parando a centímetros do rosto dela, ainda sem tocar, como se aquele espaço vazio entre eles fosse a última linha que ele se permitia respeitar.

— Eu não sei — admitiu ele. — Mas sei que passei três anos me convencendo de que você era só parte do meu escritório, e essa noite provou que eu estava mentindo pra mim mesmo esse tempo todo.

O silêncio entre eles carregava um peso que nenhuma planilha ou conta offshore jamais tinha carregado antes.

— Preciso voltar pra dentro — sussurrou Chastity, embora nenhuma parte dela quisesse realmente se mover.

— Eu sei.

Nenhum dos dois se moveu por um longo momento, a cidade brilhando abaixo deles, o frio de inverno esquecido completamente entre a proximidade e a tensão acumulada de três anos inteiros de distância cuidadosamente mantida.

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