Chapter 5
Duas semanas se passaram desde o confronto no armazém, e a cidade, aos poucos, voltou a um equilíbrio tenso mas estável entre os territórios de Gabriel e Kellerman.
Chastity retomou a rotina no escritório, embora nada parecesse mais completamente igual a antes — os seguranças discretos continuavam presentes, uma precaução que Gabriel se recusou a abandonar completamente, mesmo com a ameaça formalmente neutralizada.
Numa sexta-feira à tarde, com o prédio já esvaziando, Gabriel apareceu na porta do escritório dela, sem a urgência costumeira, sem papelada na mão, apenas parado ali, as mãos nos bolsos, de um jeito que ela nunca tinha visto nele antes.
— Terminamos o trabalho de hoje — disse ela, fechando o laptop.
— Eu sei.
— Então por que está aqui?
Ele entrou, fechando a porta atrás dele, um gesto simples que carregava mais peso do que qualquer palavra dita até então.
— Porque prometi que, quando isso terminasse, a gente conversaria sobre o que está acontecendo entre nós. E isso terminou.
Chastity se levantou devagar, o coração acelerando de um jeito que já não tinha nada a ver com medo ou perigo.
— Então conversa.
Gabriel se aproximou, parando na mesma distância cuidadosa que ele sempre mantinha, o mesmo espaço vazio que nunca tinha cruzado em três anos inteiros.
— Eu passei três anos me convencendo de que você era só parte do meu escritório, porque era mais seguro assim. Pra mim, e principalmente pra você. Todo mundo que eu deixo chegar perto vira alvo, e eu vi isso acontecer com você semanas atrás, e isso quase me destruiu.
— Mas eu ainda estou aqui.
— Está. E eu passei essas duas semanas percebendo que fingir que você não importa nunca te protegeu de verdade. Só me protegeu de admitir o quanto você já importava havia muito tempo.
— Quanto tempo, Gabriel?
Ele hesitou, algo raramente vulnerável cruzando o rosto controlado dele.
— Provavelmente desde aquela terça-feira de novembro, quando você fechou meu corte sem hesitar, sem perguntar detalhes, só cuidando de mim como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Chastity sentiu o peito apertar, lembrando daquela noite distante, do cheiro de cobre e uísque, das mãos dela tremendo enquanto costurava a pele dele com uma calma que ela nunca soube de onde tinha vindo.
— Isso foi há dois anos.
— Eu sei. Levei muito tempo pra admitir isso, até pra mim mesmo.
— E agora?
Gabriel finalmente cruzou a distância entre eles, a mão erguendo pra tocar o rosto dela pela primeira vez sem nenhuma hesitação, sem parar a centímetros de distância como sempre fazia.
— Agora eu não quero mais fingir que você é só a mulher atrás dessa mesa. Quero saber se você quer mais do que isso também, ou se eu estraguei tudo tentando proteger você de mim mesmo esse tempo todo.
Ela cobriu a mão dele com a própria, o calor da pele dele familiar de um jeito que ela nunca tinha se permitido examinar completamente antes.
— Eu usei aquele vestido esmeralda pensando em você, Gabriel. Não em nenhum baile beneficente, não em nenhum senador. Em você.
Um sorriso raro, genuíno, cruzou o rosto dele — o mesmo sorriso que ela tinha visto brevemente na varanda do Waldorf, semanas atrás.
— Então eu fui um idiota completo por três anos inteiros.
— Um idiota extremamente perigoso, mas sim.
Ele riu, um som baixo e real, antes de se inclinar devagar, dando a ela tempo suficiente pra recuar se quisesse.
Ela não recuou.
O beijo foi diferente de tudo que qualquer um dos dois tinha imaginado durante anos de proximidade cuidadosamente controlada — não apressado, não desesperado, apenas certo, como se três anos de distância finalmente encontrassem seu desfecho natural.
Quando se separaram, Gabriel manteve a testa apoiada na dela, a respiração ainda irregular.
— Isso muda tudo no escritório — murmurou ele.
— Muda.
— Você ainda quer o cargo?
Chastity riu, afastando-se o suficiente pra encará-lo nos olhos.
— Gabriel, eu administro contas offshore, empresas de fachada, e a folha de pagamento de metade dos políticos corruptos dessa cidade. Acho que consigo administrar também namorar meu chefe sem que a papelada desmorone.
— Isso é um sim, então.
— Isso é um sim.
Ele a puxou de volta pra perto, o abraço dessa vez sem nenhuma hesitação, sem nenhum espaço cuidadosamente mantido entre eles.
Lá fora, a cidade continuava seu movimento constante, ignorante de tudo que tinha quase desmoronado nas últimas semanas — uma guerra evitada por pouco, um sequestro impedido na última hora, e três anos de sentimentos finalmente encontrando coragem de existir em voz alta.
E você — já passou tempo demais escondendo o que realmente sentia por medo do que isso poderia custar? O que te fez, finalmente, parar de esconder?
