Chapter 4
A ameaça se materializou três dias depois, mais rápido e mais violenta do que qualquer um deles esperava.
Chastity estava saindo do mercado perto do apartamento, dois seguranças de Gabriel discretamente posicionados a poucos metros de distância, quando um carro escuro parou bruscamente na rua, a porta lateral se abrindo antes mesmo do veículo terminar de frear completamente.
Dois homens saltaram, movendo-se com uma velocidade calculada que deixava claro que aquilo tinha sido planejado nos mínimos detalhes.
Um dos seguranças de Gabriel reagiu primeiro, colocando o próprio corpo entre Chastity e os homens, mas o segundo atacante já estava perto demais, uma mão fechando ao redor do braço dela com força suficiente pra machucar.
— Vem com a gente, e ninguém se machuca — disse o homem, a voz baixa, urgente.
Chastity gritou, o pânico tomando conta de cada célula do corpo, enquanto o segurança de Gabriel lutava contra o primeiro homem, os dois rolando pelo chão molhado da calçada.
Foi então que o segundo carro chegou.
Gabriel saltou antes mesmo do veículo parar completamente, a fúria no rosto dele mais assustadora do que qualquer coisa que Chastity já tinha visto, mesmo depois de três anos testemunhando os piores momentos dele.
Ele não hesitou.
Alcançou o homem que segurava o braço de Chastity e o derrubou com um golpe brutal, rápido, treinado por anos de violência que ele raramente deixava transparecer dentro do escritório.
— Solta ela — rosnou ele, a voz irreconhecível.
O homem, sangrando pelo nariz quebrado, tentou se levantar, mas Gabriel já estava sobre ele, a raiva de dias de tensão acumulada finalmente encontrando um alvo físico pra descarregar.
— Gabriel!
A voz de Chastity, aguda de pânico, cortou através da fúria dele.
Ele parou, os punhos ainda erguidos, olhando pra ela como se emergisse de baixo d’água.
— Você está bem?
— Estou. Estou bem. Mas você precisa parar, ele já está inconsciente.
Gabriel olhou pro homem caído, a respiração ainda pesada, antes de se levantar e correr até ela, as mãos passando rápido pelo corpo dela, verificando cada centímetro visível em busca de ferimentos.
— Ele te machucou?
— Só o braço. Nada sério.
Ele a puxou pra perto, o abraço mais apertado do que qualquer coisa apropriada entre chefe e secretária, mas nenhum dos dois se importou com aparências naquele momento.
— Eu devia ter mandado mais gente — disse ele, a voz tremendo levemente contra o cabelo dela. — Eu devia ter previsto isso.
— Você não podia prever tudo.
— Eu devia ter tentado mais.
Tommy chegou minutos depois com reforços, os dois atacantes sendo levados sob custódia enquanto Gabriel se recusava a soltar Chastity, o braço firme ao redor dos ombros dela enquanto caminhavam de volta pro carro.
No caminho pro esconderijo seguro que Gabriel mantinha em situações de emergência, ele finalmente falou o que vinha guardando desde o ataque.
— Isso não pode continuar — disse ele, os olhos fixos na estrada, a mandíbula travada. — Eu não posso mais fingir que você é só minha secretária, esperando que isso te mantenha segura. Os Kellerman já sabem a verdade. Fingir não muda nada, só me deixa menos preparado pra te proteger de verdade.
— Então o que você propõe?
— Proponho terminar isso de vez. Amanhã.
— Como?
Gabriel a olhou, algo definitivo e perigoso cruzando o rosto dele.
— Vou até Vincent Kellerman pessoalmente. Vou deixar absolutamente claro que qualquer movimento contra você será tratado como movimento contra mim diretamente, sem intermediários, sem espaço pra negociação.
— Isso pode começar uma guerra completa entre as organizações.
— A guerra já começou no momento em que ele mandou dois homens te sequestrar na rua. A única pergunta agora é quem vai terminar ela primeiro.
Chastity segurou a mão dele, entrelaçando os dedos com força.
— Eu vou com você.
— Não.
— Gabriel, eu já estou no meio disso. Esconder eu não muda esse fato.
Ele hesitou, a batalha interna visível no rosto dele — o mesmo conflito entre o homem que calculava riscos profissionalmente e o homem que, naquele momento, só queria trancá-la em algum lugar seguro pra sempre.
— Tudo bem — cedeu ele, finalmente. — Mas do meu jeito. Regras minhas.
No dia seguinte, o encontro aconteceu num armazém neutro nos limites entre os dois territórios, Vincent Kellerman esperando com uma expressão calculadamente calma que não enganava ninguém sobre a violência que ele era capaz de autorizar.
— Gabriel — cumprimentou ele, sem se levantar. — E a famosa Chastity Morales, presumo.
— Isso acaba hoje, Vincent — disse Gabriel, sem preâmbulos. — Seus homens tentaram sequestrá-la ontem. Isso foi um erro que você não vai repetir.
— Foi uma mensagem — corrigiu Kellerman, o sorriso fino não alcançando os olhos. — Uma demonstração de que você tem fraquezas, como qualquer homem.
— Ter alguém que eu me importo não é fraqueza. É a única coisa nessa cidade inteira que você nunca vai entender.
Kellerman riu, um som seco, sem humor real.
— Então o que você propõe, Mercer? Guerra total, por causa de uma secretária?
— Proponho que você entenda, de uma vez por todas, que qualquer movimento futuro contra ela será respondido com uma força que vai fazer o que aconteceu ontem parecer gentileza.
O silêncio que se seguiu carregava o peso de anos de rivalidade cuidadosamente contida, agora ameaçando romper completamente.
Foi Chastity quem, surpreendendo os dois homens, deu um passo à frente.
— Sr. Kellerman, com todo respeito — disse ela, a voz firme apesar do medo latente —, o senhor administra papelada e acordos há anos suficientes pra saber que guerra prolongada custa mais caro que qualquer vantagem temporária. Deixar isso terminar aqui é mais lucrativo pros dois lados do que continuar.
Kellerman a estudou por um longo momento, algo parecido com respeito relutante cruzando o rosto dele.
— Ela negocia melhor que metade dos meus conselheiros, Mercer.
— Eu sei — disse Gabriel, o orgulho evidente na voz apesar da tensão da situação inteira.
No fim, Kellerman recuou — não por bondade, mas porque a lógica fria de Chastity, combinada com a ameaça implícita de Gabriel, deixou claro que o custo de continuar excedia qualquer benefício possível.
