Cheguei em casa depois de mais uma noite com minha amante, certo de que minha esposa estaria dormindo.

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Chapter 2

Cheguei ao escritório do Daniel Reyes com o coração ainda acelerado.

A sala estava silenciosa demais para o que eu sabia que vinha pela frente.

Ele fechou a porta antes de falar.

“Senta, Ethan.”

Não sentei.

“Onde está o Noah? Onde está a Claire?”

Daniel abriu uma pasta sobre a mesa sem pressa.

“Antes de falar de custódia, você precisa ver isso.”

Ele deslizou algumas folhas até mim.

Extratos bancários.

Não os meus.

Da Vanessa.

“Repare na coluna da direita,” ele disse.

Três depósitos de valores altos.

Todos da mesma origem: Sterling Group Holdings.

Meu estômago revirou.

“Isso não significa nada,” eu disse, mais para mim do que para ele.

“Significa muito,” Daniel respondeu. “Sterling Group é a empresa que está tentando comprar o controle da Whitmore Enterprises há dois anos. A empresa que você dirige.”

Fiquei em silêncio.

“A Claire descobriu isso há semanas,” ele continuou. “Não foi só a traição que ela investigou, Ethan. Foi isso.”

“Você está dizendo que a Vanessa…”

“Estou dizendo que alguém pagou pra ela chegar perto de você,” ele completou. “E funcionou bem demais.”

Liguei para o celular da Claire outra vez.

Chamada recusada dessa vez.

Não mais direto pra caixa postal.

Recusada.

Ela sabia que era eu.

“Onde ela está?” perguntei.

Daniel hesitou antes de responder.

“Na propriedade do pai dela, em Connecticut.”

O silêncio na sala pesou.

Richard Whitmore nunca gostou de mim.

Desde o primeiro jantar em que nos conhecemos, ele me olhou como quem avalia um funcionário, não um genro.

“Ela levou o Noah pra lá?” perguntei.

“Ela levou o Noah pra um lugar seguro,” Daniel corrigiu. “E amanhã de manhã tem uma audiência de urgência. A Claire pediu bloqueio das contas conjuntas e medida protetiva relacionada à guarda.”

“Medida protetiva? Eu nunca encostei um dedo nela.”

“Não é sobre isso,” ele disse, sério. “É sobre você ter colocado a família inteira em risco sem nem perceber.”

Meu celular vibrou.

Era um número que eu não reconhecia.

Atendi por impulso.

“Sr. Carter,” disse uma voz calma do outro lado, “aqui é Arthur Bloom, do conselho da Whitmore Enterprises. Precisamos conversar antes da reunião de amanhã.”

Fechei os olhos.

Fosse o que fosse que a Claire tinha descoberto, ela não estava lutando sozinha.

E, pela primeira vez desde que cheguei em casa naquela noite, percebi que talvez eu não fosse a vítima daquela história.

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