Chapter 4
A sala de reuniões da Whitmore Enterprises estava lotada quando cheguei.
Todos os olhares se voltaram pra mim ao mesmo tempo.
Arthur Bloom estava na cabeceira da mesa, no meu lugar de sempre.
“Sente-se, Ethan,” ele disse. “Isso não vai demorar.”
Sentei ao lado de Daniel, meu advogado, sentindo o peso de cada olhar.
Claire entrou por último, com uma pasta debaixo do braço.
Ela não olhou pra mim.
“Vamos direto ao ponto,” Arthur começou. “Há três meses, a Sterling Group Holdings iniciou uma tentativa silenciosa de aquisição hostil da Whitmore Enterprises.”
Um murmúrio percorreu a sala.
“Pra isso funcionar, eles precisavam de informação privilegiada,” ele continuou. “Informação que só o CEO teria acesso.”
Meu peito apertou.
“E foi exatamente isso que conseguiram,” Arthur disse, “através da Srta. Vanessa Cole.”
Claire abriu a pasta e distribuiu cópias pela mesa.
E-mails.
Transferências.
Uma gravação transcrita.
“Vanessa não é só uma funcionária contratada por acaso,” Claire disse, finalmente olhando pra mim. “Ela foi colocada no seu caminho de propósito.”
“Colocada por quem?” perguntei, já sabendo que não ia gostar da resposta.
Claire respirou fundo.
“Pelo Marcus.”
O nome caiu como um soco.
Marcus Sterling.
Meio-irmão da Claire.
Deserdado pelo Richard havia quinze anos, depois de um escândalo que a família nunca falava abertamente.
“Ele nunca aceitou ficar de fora do testamento,” Claire continuou. “E quando viu você assumir o comando da empresa que ele achava que era dele por direito, encontrou a forma perfeita de se vingar.”
“Através de mim,” eu disse, a voz quase sumindo.
“Através da sua vaidade,” ela corrigiu.
Arthur pigarreou.
“O conselho votará hoje sobre a permanência do Sr. Carter como CEO.”
Senti o sangue gelar.
“Vocês não podem fazer isso sem uma investigação formal,” Daniel interveio.
“A investigação já foi feita,” Arthur respondeu. “Pela própria Sra. Carter, nas últimas semanas. Com provas suficientes pra qualquer tribunal.”
Olhei pra Claire.
“Você fez tudo isso sozinha?”
“Eu fiz tudo isso porque precisava proteger o que restou,” ela disse. “A empresa. O Noah. Eu mesma.”
A votação começou.
Um a um, os membros do conselho ergueram a mão.
Eu contei cada voto como quem conta os segundos antes de uma queda.
Quando Arthur anunciou o resultado, eu já sabia o que viria.
“Por sete votos a dois,” ele disse, “o conselho decide pelo afastamento imediato de Ethan Carter do cargo de CEO.”
Ninguém aplaudiu.
Ninguém comemorou.
Só o silêncio, e o som da cadeira de Claire se arrastando enquanto ela se levantava pra ir embora, sem olhar pra trás.
