Cheguei em casa depois de mais uma noite com minha amante, certo de que minha esposa estaria dormindo.

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Chapter 5

Perdi a empresa numa terça-feira.

Na quarta, perdi o acesso às contas conjuntas.

Na quinta, um jornal de negócios publicou a notícia com um título que eu releria centenas de vezes: “CEO afastado após escândalo de espionagem corporativa ligado a affair extraconjugal.”

Meu telefone não parava de tocar.

Jornalistas.

Ex-sócios que sumiram do mapa.

Nenhuma ligação de Claire.

Fui até o apartamento que eu tinha alugado pra Vanessa, tentando entender o tamanho da armadilha em que eu tinha entrado sozinho.

A porta estava destrancada.

O apartamento, vazio.

Sem móveis.

Sem roupas.

Só um envelope em cima do balcão da cozinha, com meu nome escrito à mão.

Abri com as mãos tremendo.

Dentro, um bilhete curto.

“Foi só trabalho, Ethan. Nada pessoal. Marcus paga bem.”

Amassei o papel e o joguei longe.

Liguei pro Daniel, desesperado.

“Preciso de algo. Qualquer coisa. Não posso perder o Noah também.”

“Você não vai perder o Noah,” ele disse, “mas não vai ser fácil. A Claire está pedindo guarda unilateral.”

“Ela não pode fazer isso.”

“Ela pode, e tem argumentos fortes,” ele respondeu. “Infidelidade, ausência constante, e agora um escândalo público que pode afetar a reputação da criança no futuro.”

Bati a mão na mesa.

“Eu era o pai dele antes de ser tudo isso.”

“Então prove,” Daniel disse, sem rodeios. “Prove antes da audiência.”

Fui até a casa dos Whitmore mais uma vez, decidido a implorar se fosse preciso.

Dessa vez, o segurança nem me deixou passar do portão.

“Ordens da Sra. Carter,” ele disse, sem olhar nos meus olhos.

Fiquei ali, do lado de fora dos portões que um dia eu cruzava como se fossem meus.

Pelo interfone, consegui ouvir a voz da Claire.

“Ethan, eu sei que você está aí.”

“Claire, por favor, deixa eu ver o Noah.”

Um silêncio longo.

“Amanhã, no fórum,” ela disse. “Não aqui. Não assim.”

O interfone desligou.

Fiquei parado na estrada, olhando pra a casa onde meu filho dormia sem mim pela primeira vez na vida dele, sentindo, talvez pela primeira vez de verdade, o tamanho exato do que eu tinha destruído sozinho.

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