Cheguei em casa depois de mais uma noite com minha amante, certo de que minha esposa estaria dormindo.

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Chapter 6

A sala do fórum era menor do que eu esperava.

Fria, sem janelas, com uma mesa entre mim e tudo que eu tinha perdido.

Claire estava do outro lado, com Noah no colo de Linda, num canto reservado.

O juiz folheou os documentos em silêncio antes de falar.

“Sr. Carter, a senhora Carter está solicitando guarda unilateral, alegando ausência contínua, infidelidade comprovada e envolvimento em escândalo corporativo que colocou a estabilidade financeira da família em risco.”

“Excelência,” Daniel começou, “meu cliente reconhece os erros cometidos, mas deseja manter presença ativa na vida do filho.”

O juiz olhou pra mim.

“O senhor tem algo a acrescentar?”

Levantei devagar.

“Eu errei,” eu disse, a voz falhando no meio da frase. “Errei com a Claire, errei com a minha família, e deixei que vaidade e descuido decidissem por mim enquanto ela segurava tudo sozinha.”

Claire me observava sem expressão.

“Eu não estou aqui pra pedir que ela me perdoe,” continuei. “Só peço a chance de ser pai de verdade a partir de agora, mesmo que tenha perdido o direito de ser marido.”

O juiz anotou algo e olhou pra Claire.

“Sra. Carter, a senhora deseja se manifestar?”

Ela se levantou, segurando as mãos à frente do corpo.

“Eu não quero afastar o Noah do pai dele,” ela disse. “Quero afastá-lo do caos que o pai dele criou.”

Fez uma pausa.

“Guarda compartilhada, com supervisão nos primeiros seis meses,” ela propôs. “E terapia obrigatória, tanto pra ele quanto pra reconstrução da relação com o Noah.”

O juiz aceitou os termos sem hesitar.

Quando a audiência terminou, caminhei até Claire, que segurava Noah novamente nos braços.

“Obrigado,” eu disse, “por não me tirar tudo.”

“Eu não fiz isso por você,” ela respondeu. “Fiz pelo Noah. Ele merece um pai, mesmo que imperfeito.”

Ela hesitou por um segundo antes de completar.

“E eu mereço recomeçar sem carregar o peso de tentar consertar você.”

Estendeu o filho pra mim, com cuidado.

Segurei o Noah pela primeira vez em semanas, sentindo o peso pequeno e quente contra o peito.

Ele agarrou meu dedo com a mão minúscula, do jeito que fazia quando ainda era recém-nascido e eu mal parava em casa pra ver.

“Vou fazer diferente,” eu disse, mais pra ele do que pra Claire.

“Eu sei,” ela respondeu, “mas agora vai ter que provar com tempo, não com palavras.”

Ela se virou e caminhou até o carro, sem olhar pra trás dessa vez por escolha, não por raiva.

Fiquei ali, no meio do estacionamento vazio, segurando meu filho, pensando em quantas noites eu troquei momentos como aquele por algo que nunca valeu o preço que pagamos.

Quantas vezes a gente só enxerga o que tinha depois que já perdeu o direito de protegê-lo?

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