Cinco anos depois que a mulher que eu amava desapareceu sem dizer uma palavra, eu a encontrei parada num supermercado do Tennessee, ao lado de um menininho que era a minha cara.

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Chapter 4

— Jake — minha mãe finalmente disse, a voz agora sem nenhum traço da alegria de segundos atrás. — Do que você está falando?

— Você sabe exatamente do que eu estou falando.

— Filho, eu acho melhor conversarmos pessoalmente sobre isso.

— Concordo — respondi. — Por isso quero que você venha até aqui agora. Kroger da Franklin Road. Hannah está aqui. O Lucas também.

— Lucas?

— Seu neto, mãe. Ele tem cinco anos. Tem os meus olhos, o meu sorriso, até a covinha que você sempre dizia que era “uma marca de família”.

Um silêncio pesado tomou conta da ligação.

— Eu vou até aí — ela disse por fim, a voz baixa. — Mas, Jake, o que quer que a Hannah tenha te dito, existem duas versões de cada história.

— Então venha contar a sua. Na frente de todo mundo.

Desliguei antes que ela pudesse responder.

Hannah me olhava com uma mistura de medo e algo que parecia, timidamente, esperança.

— Ela vem?

— Vem.

Vinte minutos depois, um carro preto parou na vaga mais próxima da entrada. Minha mãe saiu, o rosto perfeitamente composto, como se estivesse indo para um almoço de negócios em vez de um confronto que destruiria anos de mentiras.

Ela parou ao ver Hannah, e por uma fração de segundo, a máscara vacilou.

— Hannah — disse, com um tom educado que soava falso demais. — Você está… diferente.

— Cinco anos criando um filho sozinha muda uma pessoa — Hannah respondeu, sem desviar o olhar.

Lucas se aproximou, curioso, e minha mãe olhou para ele como se tivesse levado um choque elétrico. A covinha. Os olhos. Tudo que ela tinha tentado apagar da nossa história estava ali, vivo, sorrindo timidamente para ela.

— Oi — Lucas disse. — Você é amiga da minha mãe?

Minha mãe não conseguiu responder.

— Mãe — eu disse, a voz firme —, a Hannah tem uma carta. Uma carta que você escreveu fingindo ser eu. E um cheque de cem mil dólares que você usou para tentar comprar o silêncio dela.

— Jake, isso é…

— E tem também o nome da Vanessa Cole, assinado embaixo, prometendo “cuidar de tudo” com a nossa família.

O rosto da minha mãe perdeu toda a cor.

— Eu fiz o que precisava ser feito — ela finalmente sussurrou, a voz tremendo entre a raiva e algo que parecia vergonha genuína. — A empresa do seu pai ia falir, Jake. Trezentos empregados perderiam o emprego. A fusão com a família Cole era a única saída, e você e a Vanessa cresceram praticamente like irmãos… eu achei que, com tempo, vocês formariam algo real.

— Você destruiu a vida de duas pessoas por uma fusão de negócios — falei, sentindo a voz falhar de raiva. — Você ameaçou tirar meu filho da mãe dele antes mesmo dele nascer.

— Eu nunca faria isso de verdade — ela respondeu rápido demais, o que só provou o contrário.

— O advogado da família disse exatamente isso para mim — Hannah interveio, a voz firme apesar das lágrimas. — Disse que bastava uma palavra de vocês no tribunal para eu perder qualquer direito sobre o Lucas. Eu tive que fugir para duas cidades diferentes nos primeiros dois anos porque tinha medo de vocês aparecerem para levá-lo.

Minha mãe olhou para Lucas, que se escondia atrás da perna de Hannah, assustado com os adultos ao redor dele levantando a voz.

Alguma coisa pareceu quebrar dentro dela.

— Eu não sabia que ele existia — disse, quase inaudível. — Se eu soubesse que havia um neto…

— Você teria feito o quê? — perguntei. — Usado ele também como peça no tabuleiro?

Ela não respondeu.

— A fusão aconteceu mesmo? — perguntei, precisando saber o tamanho completo da mentira.

— Não — minha mãe admitiu, os olhos marejados agora. — Vanessa terminou tudo seis meses depois, quando percebeu que você nunca ia amá-la do jeito que ela queria. A empresa do seu pai faliu de qualquer forma, dois anos atrás.

As palavras me atingiram com uma força que quase me derrubou.

— Você destruiu a nossa família — falei devagar, cada palavra pesando como pedra — por absolutamente nada.

Minha mãe começou a chorar, mas pela primeira vez na vida, aquelas lágrimas não me comoveram nem um pouco.

— Jake, eu sinto muito. Eu realmente sinto.

— Sentir muito não devolve cinco anos, mãe. Não devolve os primeiros passos do Lucas, a primeira palavra dele, os aniversários que eu perdi.

Hannah se aproximou de mim, e senti sua mão tocar de leve a minha, um gesto pequeno que carregava mais confiança do que qualquer palavra.

— Eu vou contar tudo para o seu pai — minha mãe disse, num último esforço desesperado de recuperar algum controle da situação. — Vamos resolver isso como família.

— Não — respondi, e a palavra saiu mais firme do que eu esperava. — A partir de agora, a família que importa está bem aqui, na minha frente. E você vai ter que provar, com muito tempo e muitas ações, se ainda tem lugar nela.

Lucas puxou de leve a manga da camisa de Hannah.

— Mãe, quem é essa senhora?

Hannah olhou para mim, esperando.

Foi a minha vez de me ajoelhar na altura dele, o coração batendo mais forte do que em qualquer momento daquele dia inteiro.

— Lucas — falei, a voz embargada —, essa é a sua avó. E eu… eu sou o seu pai.

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