Eu entrei na mansão de Sebastian Lombardi procurando dinheiro para salvar meu filho.

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Chapter 2

Sebastian ficou olhando para o próprio pé por um longo tempo, como se esperasse que ele desaparecesse de novo.

“Faça de novo”, ele ordenou.

Repeti o movimento, pressionando o mesmo ponto sob o tendão.

O pé estremeceu outra vez, mais fraco dessa vez, mas ainda assim visível.

Um dos homens armados murmurou alguma coisa em italiano, e Gabriel mandou ele calar a boca com um olhar.

“Isso não prova nada”, Sebastian disse, mas a voz dele tinha perdido um pouco da firmeza de antes.

“Prova que existe sinal chegando até aqui”, respondi. “Isso não deveria ser possível numa lesão completa de medula.”

“Os médicos disseram que minha lesão era completa.”

“Então ou os médicos erraram, ou alguém quis que você acreditasse nisso.”

Ele me encarou como se eu tivesse dito algo perigoso.

Talvez tivesse.

“Cuidado com o que sugere na minha casa”, ele disse, baixo.

“Eu só disse o que meus dedos sentiram. O resto é você quem decide o que fazer com isso.”

Gabriel se aproximou e sussurrou algo no ouvido de Sebastian.

Ele balançou a cabeça, sem tirar os olhos de mim.

“Você vai voltar amanhã”, Sebastian disse. “E depois de amanhã. Até eu decidir que não preciso mais de você.”

“Eu tenho um filho doente”, respondi. “Não posso simplesmente sumir de casa todos os dias.”

“Seu filho vai ter o melhor tratamento de Chicago enquanto você trabalhar para mim”, ele disse. “Isso é uma oferta, não uma ameaça.”

“Da última vez que um dos seus homens ‘ofereceu’ alguma coisa, ele sabia o nome da farmácia onde eu compro remédio.”

Um silêncio tenso caiu sobre o quarto.

Sebastian olhou para Gabriel, que desviou o olhar.

“Isso não vai se repetir”, Sebastian disse, e havia algo diferente na voz dele agora — quase um pedido de desculpas que ele não sabia como formular.

Levantei-me, ainda sentindo o formigamento estranho na ponta dos dedos, o mesmo que sempre sentia quando encontrava algo que os exames não mostravam.

“Antes de eu voltar”, eu disse, “preciso ver seu prontuário completo. Todos os laudos, desde o acidente.”

“Isso é informação confidencial.”

“E o senhor quer voltar a andar ou quer continuar guardando segredos?”

Ele apertou os olhos, avaliando se eu tinha coragem ou só estupidez.

“Gabriel”, ele disse por fim, “traga os arquivos do Dr. Renwick para ela.”

Gabriel hesitou.

“Chefe, o Dr. Renwick não vai gostar disso.”

“O Dr. Renwick trabalha para mim”, Sebastian respondeu. “Não o contrário.”

Fui levada de volta ao meu apartamento naquela noite, ainda de olhos vendados, com uma pasta grossa de documentos médicos apertada contra o peito.

Oliver estava dormindo quando cheguei, a respiração ainda arranhada, mas estável.

Sentei-me na cama dele, ouvindo o som familiar do peito subindo e descendo, e abri a primeira página da pasta sob a luz fraca do abajur.

O nome do médico estava lá: Dr. Marcus Renwick.

O mesmo nome que aparecia em quase todos os laudos dos últimos vinte anos.

Um médico particular demais para ser coincidência.

Fui virando as páginas, comparando datas, resultados de exames, prescrições.

E então parei numa anotação de 2007, um ano depois do acidente.

Uma frase rabiscada na margem, quase apagada pelo tempo: “Manter estabilidade do quadro. Sr. L. não deve saber da melhora parcial registrada em março.”

Minhas mãos começaram a tremer.

Alguém já sabia, havia quase vinte anos, que Sebastian Lombardi tinha chances de se recuperar.

E escondeu isso dele.

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