Eu entrei na mansão de Sebastian Lombardi procurando dinheiro para salvar meu filho.

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Chapter 6

Um mês depois, Sebastian caminhava sem bengala pela primeira vez, atravessando o jardim da mansão sob o sol fraco de outono.

Eu observava da varanda, com Oliver sentado ao meu lado, já recuperado, comendo uma fatia de bolo que a cozinheira da casa tinha insistido em preparar “para o garoto”.

“Ele consegue andar sozinho agora?” Oliver perguntou, os olhos arregalados de curiosidade infantil.

“Consegue”, respondi, sorrindo. “Ele trabalhou muito duro para isso.”

Sebastian se aproximou da varanda, ainda um pouco rígido nos movimentos, mas com uma leveza no rosto que eu nunca tinha visto antes.

“Claire”, ele chamou. “Posso falar com você um instante?”

Desci até o jardim enquanto Oliver terminava o bolo, entretido demais para notar minha ausência.

“O Dr. Renwick confessou tudo”, Sebastian disse. “Não só sobre mim. Ele estava desviando fundos há anos, usando meu nome, minha confiança, minha condição como escudo.”

“Isso deve ter sido difícil de ouvir.”

“Foi. Mas mais difícil ainda foi perceber quantas pessoas ao meu redor sabiam de partes disso e ficaram caladas por medo, ou por lucro.”

“E agora?”

“Agora eu quero reconstruir alguma coisa que não seja baseada em medo”, ele disse, olhando diretamente para mim. “E eu não sei fazer isso sozinho.”

Fiquei em silêncio, sentindo o peso das palavras dele.

“Você não me deve nada, Sebastian. Eu vim aqui por dinheiro, lembra?”

“E ficou por outra razão”, ele completou. “Eu vi. Você poderia ter ido embora depois da primeira sessão. Poderia ter fingido que não viu a anotação do Renwick. Mas você continuou.”

“Meu filho estava doente. Eu precisava do dinheiro.”

“No começo, talvez”, ele disse. “Mas nas últimas semanas, eu vi você lutando por mim como se realmente importasse se eu andasse de novo ou não. Isso não se compra com dinheiro nenhum.”

Senti os olhos arderem, e desviei o olhar para o lago, tentando conter a emoção.

“Eu não sabia que ainda tinha essa capacidade de me importar com alguém fora da minha própria sobrevivência”, admiti. “Passei tanto tempo só tentando manter o Oliver vivo que esqueci como era cuidar de mais alguma coisa.”

“Talvez a gente tenha se ajudado a lembrar de coisas que achava que tinha perdido”, ele disse.

Oliver apareceu correndo pelo gramado, rindo, perseguindo um dos cachorros da propriedade, livre e saudável de um jeito que eu não via havia meses.

Sebastian observou a cena com uma expressão que eu nunca tinha visto num homem que comandava metade do submundo de Chicago.

Ternura.

“Ele pode vir aqui sempre que quiser”, Sebastian disse. “E você também. Não como funcionária. Como… alguém que eu quero por perto.”

Não respondi imediatamente, deixando o silêncio carregar tudo o que as palavras ainda não conseguiam.

Vinte anos atrás, uma bomba tinha tentado destruir Sebastian Lombardi e quase conseguiu, não pela explosão, mas pela mentira que vieram depois dela.

E de alguma forma, um toque simples, guiado apenas pela teimosia de alguém que se recusava a acreditar em “impossível”, tinha começado a desfazer duas décadas de escuridão.

Olhei para meu filho brincando no gramado, para o homem ao meu lado finalmente livre do peso que outros tinham colocado sobre ele, e entendi que às vezes a cura não vem de onde esperamos — vem de quem se recusa a desistir mesmo sem garantia nenhuma de que vai dar certo.

Quantas vezes você já duvidou de si mesmo só porque alguém com mais autoridade disse que algo era impossível — e depois descobriu que estava errado?

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