Eu entrei na mansão de Sebastian Lombardi procurando dinheiro para salvar meu filho.

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Chapter 3

Não dormi naquela noite.

Reli a anotação dezenas de vezes, tentando encontrar uma explicação inocente.

Não encontrei nenhuma.

Na manhã seguinte, Gabriel apareceu na porta do meu apartamento, sem aviso, os olhos cansados de quem também não tinha dormido.

“O chefe quer você lá agora”, ele disse.

“Eu preciso deixar meu filho com a vizinha primeiro.”

“Tem cinco minutos.”

Levei Oliver correndo até a vizinha, prometi voltar antes do jantar, e entrei no carro sentindo o estômago revirar.

Dessa vez não me vendaram.

Acho que Sebastian já tinha decidido que eu não era mais uma ameaça — ou talvez soubesse que eu não tinha para onde fugir de qualquer forma.

Ele estava na biblioteca da mansão, a cadeira posicionada de frente para a lareira apagada.

“Você leu os arquivos”, ele disse, sem se virar.

“Li.”

“E?”

Respirei fundo.

“Existe uma anotação de 2007. Do Dr. Renwick. Ele registrou uma melhora parcial no seu quadro e escreveu, e cito: ‘Sr. L. não deve saber’.”

Sebastian ficou imóvel por tanto tempo que cheguei a pensar que não tinha me ouvido.

“Repita isso”, ele disse finalmente, a voz perigosamente calma.

Repeti, palavra por palavra.

Ele fechou os olhos.

“Há quantos anos você conhece o Dr. Renwick?” perguntei.

“Desde antes do acidente. Ele era médico do meu pai.”

“E continuou sendo o único responsável pelo seu caso desde então?”

“Sim.”

“Isso não te parece estranho? Vinte anos, e nenhuma segunda opinião?”

“Eu não deixava ninguém mais perto de mim”, ele disse. “Depois do que aconteceu com meu pai, eu… não confiava em médicos novos. Renwick era da família.”

“Da família de quem, exatamente?”

Ele abriu os olhos e me encarou, algo mudando na expressão dele — não raiva, mas o início de um medo antigo, guardado fundo demais para ser sentido havia anos.

Foi Gabriel quem quebrou o silêncio.

“Chefe, tem outra coisa que você precisa saber.”

Sebastian se virou para ele.

“O quê?”

“Renwick é sócio minoritário em duas das suas empresas de fachada. Desde 2008.”

O rosto de Sebastian ficou da cor da cinza.

“Como você sabe disso?”

“Porque eu assinei os papéis na época. Você estava… não estava em condições de revisar tudo pessoalmente.”

“E você nunca achou estranho o médico da família virar sócio dos meus negócios?”

Gabriel abaixou a cabeça.

“Eu não questionava nada naquela época, chefe. Ninguém questionava.”

Sebastian bateu a mão na lateral da cadeira, com uma força que fez todo mundo no cômodo se encolher.

“Vinte anos”, ele disse, quase sussurrando. “Vinte anos acreditando que eu tinha perdido tudo naquele acidente, e o homem que eu chamava de tio estava lucrando com a minha cadeira.”

Foi nesse momento que meu celular vibrou no bolso.

Uma mensagem da vizinha: “Oliver está com febre alta. Melhor você vir.”

O sangue gelou nas minhas veias.

“Preciso ir”, eu disse. “Agora.”

Sebastian olhou para mim, e pela primeira vez desde que nos conhecemos, vi algo parecido com preocupação genuína no rosto dele.

“Gabriel, leve ela. Rápido.”

Enquanto corríamos para o carro, uma pergunta ficou martelando na minha cabeça: será que a febre de Oliver era só uma coincidência, ou alguém tinha descoberto que eu sabia demais?

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