Eu entrei na mansão de Sebastian Lombardi procurando dinheiro para salvar meu filho.

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Chapter 4

Oliver estava ardendo em febre quando cheguei, o rostinho pálido e suado, a respiração mais difícil do que o normal.

A vizinha, apavorada, disse que ele tinha piorado do nada, sem nenhum sinal antes.

Levei-o correndo para o hospital mais próximo, e um médico jovem examinou seus pulmões com o estetoscópio, franzindo a testa para os resultados do exame de sangue.

“Isso não parece uma crise comum da condição dele”, ele disse. “Os níveis estão estranhos. Vamos investigar melhor.”

Fiquei ao lado da cama dele a noite inteira, seguran do a mãozinha quente, tentando não pensar no pior.

Gabriel apareceu no corredor por volta da meia-noite, ainda de terno, os olhos vermelhos de cansaço.

“O chefe mandou perguntar se precisa de alguma coisa.”

“Preciso saber se isso foi um acidente ou se alguém fez alguma coisa com o meu filho”, respondi, sem esconder a raiva na voz.

Gabriel hesitou.

“Nós verificamos. Não tem sinal de intervenção. Parece mesmo ser a condição dele se agravando.”

Não sabia se acreditava nele, mas não tinha escolha a não ser confiar, porque a alternativa era enlouquecer de medo.

Na manhã seguinte, os exames confirmaram uma infecção respiratória severa, mas tratável.

Oliver ia ficar bem, com os cuidados certos e um tratamento que eu jamais poderia pagar sozinha.

Um envelope apareceu na recepção do hospital, endereçado a mim, sem remetente.

Dentro, um cheque cobrindo todo o tratamento dele — e mais.

Uma nota curta, escrita à mão: “Isso não é caridade. É o que você merece por dizer a verdade quando ninguém mais teve coragem. — S.L.”

Chorei no corredor do hospital, sozinha, pela primeira vez em anos permitindo que o peso de tudo caísse sobre mim de uma vez.

Quando Oliver teve alta, três dias depois, voltei à mansão sabendo que a conversa que vinha adiando não podia mais esperar.

Sebastian estava no jardim, olhando para o lago, quando cheguei.

“Obrigada”, eu disse. “Pelo que você fez pelo Oliver.”

“Não fiz por caridade”, ele respondeu, sem se virar. “Fiz porque você arriscou a própria segurança para me contar uma verdade que ninguém mais teve coragem de dizer em vinte anos.”

“O que você vai fazer com o Dr. Renwick?”

Ele finalmente se virou para mim, o rosto duro como pedra.

“Vou descobrir exatamente até onde a mentira dele foi. E depois vou garantir que ele nunca mais controle nada na minha vida.”

“E se ele tiver mais aliados dentro do seu próprio círculo?”

“Então vou descobrir quem são. Um por um.”

Fiz uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado.

“Sebastian, existe uma diferença entre justiça e vingança. Eu vim aqui para te ajudar a andar de novo, não para te ajudar a se afundar em mais sangue.”

Ele me olhou por um longo momento, algo suavizando na expressão dele.

“Você é a primeira pessoa em vinte anos que fala comigo assim sem medo de perder a cabeça.”

“Alguém precisava.”

Ele respirou fundo, os olhos voltando para o lago.

“Amanhã eu quero começar a fisioterapia de verdade”, ele disse. “Não só os toques. O tratamento completo.”

“Isso vai doer”, avisei. “Fisicamente e de outras formas.”

“Eu já sofri o suficiente fingindo que não doía nada”, ele respondeu. “Está na hora de sentir de verdade — e de andar de verdade também.”

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