Há dois anos, eu disse ao meu melhor amigo que o amava — e ele me olhou como se eu tivesse entregado a ele algo que ele gostaria de poder devolver.

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Chapter 2

O jantar de ensaio foi num salão pequeno perto do lago, com luzes penduradas no teto e mesas de madeira decoradas com flores brancas.

Cheguei atrasada de propósito.

Vinte minutos, calculados, só pra não precisar entrar sozinha logo depois de Nathan.

Não adiantou.

Ele estava perto da porta quando entrei, conversando com o pai da Sophie, e nossos olhos se cruzaram antes que eu conseguisse desviar.

Ele parou de falar no meio da frase.

Só por um segundo.

Mas eu vi.

Sophie veio correndo na minha direção, abraço apertado, cheiro de perfume novo.

— Você veio! Achei que ia inventar alguma desculpa de novo.

— Eu não perderia o seu casamento, Soph.

— Você quase perdeu meu aniversário, minha formatura e o Natal do ano passado.

Ela riu, mas tinha um quê de cobrança na voz.

Eu sabia que merecia.

O jantar foi organizado por pares — padrinhos com madrinhas, amigos próximos misturados.

Óbvio que colocaram meu nome do lado do nome dele.

Sophie nem percebeu o problema.

Pra ela, Nathan e eu éramos só os dois amigos mais próximos dela, sentados juntos como sempre foram.

Ela não sabia da cafeteria.

Ninguém sabia, na verdade.

Eu nunca contei pra ninguém.

Sentei ao lado dele com o coração batendo estranho, tipo um metrônomo desregulado.

— Oi — ele disse, baixo.

— Oi.

Silêncio.

Um silêncio dos grandes, daqueles que pesam mais que palavra nenhuma.

— Faz tempo — ele continuou.

— Faz.

— Você cortou o cabelo.

— Faz uns oito meses, Nathan.

Ele sorriu de leve, sem graça.

— Eu não sabia. Você sumiu do meu radar.

Aquilo doeu mais do que devia.

Porque eu tinha sumido de propósito, mas ouvir ele dizer em voz alta parecia uma acusação.

— Eu estive ocupada — respondi, seca.

— Eu sei que estava.

Ele olhou pro prato, mexendo a comida sem comer de verdade.

— Emma, eu queria…

— Nathan, por favor, agora não.

Jake sentou do outro lado da mesa antes que ele terminasse a frase, gritando alguma piada sobre a lua de mel, e o momento evaporou.

Passei o resto do jantar sorrindo pra câmeras, brindando com champanhe que eu mal bebia, fingindo que meu corpo inteiro não estava em alerta máximo.

Quando o jantar terminou e todo mundo foi pro bar do hotel continuar a festa, eu disse que estava cansada da viagem e fui na direção do elevador.

Nathan me alcançou no corredor.

— Espera.

Parei, mas não virei de imediato.

— O quê?

— Eu só… eu queria saber se a gente pode conversar. De verdade. Antes do casamento.

— Sobre o quê exatamente?

Ele hesitou.

Aquela hesitação que eu conhecia bem, a mesma de dois anos atrás, bem antes da frase que destruiu tudo.

— Sobre aquele dia na cafeteria.

Meu estômago virou.

— Não tem nada pra conversar, Nathan. Já ficou bem claro naquele dia.

— Não ficou — ele disse, e pela primeira vez a voz dele tremeu de um jeito que eu nunca tinha ouvido. — Não ficou claro coisa nenhuma, Emma. Eu menti pra você.

O elevador abriu atrás de mim.

Eu entrei, com o coração disparado, e apertei o botão antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.

As portas fecharam bem na cara dele, e a última coisa que vi foi a expressão dele — não de alívio, não de raiva.

De alguém que passou dois anos guardando algo que finalmente escapou pela metade.

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