Chapter 5
— Eu não sei se dá pra simplesmente apagar dois anos, Nathan — falei, por fim, a voz ainda tremendo.
— Eu não estou pedindo pra apagar — ele respondeu. — Só estou pedindo uma chance de fazer diferente, dessa vez.
O vento balançava as luzes penduradas atrás dele, e por um instante ninguém disse nada.
— Você tem noção de tudo que eu inventei pra não te ver? — perguntei, quase rindo, mas sem graça nenhuma. — Resfriados falsos. Prazos que não existiam. Um réveillon inteiro sozinha no meu apartamento só porque eu não aguentava te ver com uma cerveja na mão numa cabana.
Ele sorriu, triste.
— Eu vi o story que a Sophie postou daquela noite. Fiquei sentado naquele sofá pensando em você o tempo todo.
— Você nunca disse nada.
— Você nunca me deu abertura.
— Porque você tinha acabado de dizer que só me amava como amigo!
— E foi a maior mentira que eu já disse na vida — ele falou, dando um passo mais perto. — Emma, eu passei dois anos cuidando do meu pai, reconstruindo a empresa da minha família do zero, e em nenhum momento parei de pensar em você. Nem um dia.
Meu peito doía de um jeito bom e ruim ao mesmo tempo.
— E se eu disser que também nunca parei?
Ele parou de respirar por um segundo.
— Eu diria que a gente perdeu tempo demais.
— A gente perdeu, sim.
— Então vamos parar de perder.
Ele estendeu a mão, não pra me puxar, só oferecendo, do jeito que sempre fez desde a faculdade, esperando que eu escolhesse.
Dessa vez, eu escolhi.
Segurei a mão dele.
Quando voltamos pro salão, Sophie correu na nossa direção, olhando pras nossas mãos entrelaçadas, e parou no meio do caminho, boca aberta.
— Espera. ESPERA. Desde quando?
— É uma longa história — falei, sorrindo pela primeira vez em dois anos sem sentir aquele peso no peito.
— Uma história de dois anos — Nathan completou, apertando minha mão.
Sophie ainda estava processando quando o marido dela puxou todo mundo pra pista de dança, e a banda começou uma música lenta.
Nathan me puxou também, sem perguntar, do jeito que sempre fazia as coisas comigo — com certeza, sem hesitar de verdade, mesmo quando por dentro ele estava com medo.
Dancei com a cabeça apoiada no ombro dele, sentindo o coração dele batendo quase tão rápido quanto o meu.
— O colar — ele disse baixinho, perto do meu ouvido. — Você disse que ainda guardou.
— Guardei.
— Vai usar de novo algum dia?
Olhei pra ele, pra aquele rosto que eu tinha memorizado tantas vezes tentando esquecer, e senti, pela primeira vez em muito tempo, que o futuro não precisava mais dar medo.
— Acho que vou usar amanhã.
Ele sorriu, daquele jeito que eu tinha guardado na memória por dois anos inteiros, e me abraçou mais forte.
Do outro lado do salão, o pai dele — recuperado, sorridente, com uma taça de vinho na mão — acenou pra gente, e Nathan acenou de volta, aliviado, leve, como se finalmente tivesse colocado no lugar certo um peso que carregava havia muito tempo.
A festa continuou até tarde, e em algum momento da noite, entre uma dança e outra, entendi que às vezes a gente não perde as pessoas de verdade — só perde tempo tentando protegê-las de coisas que elas nunca pediram pra ser protegidas.
Quantas vezes você já ficou calado sobre algo importante, achando que estava fazendo a coisa certa por alguém que você ama?
