Chapter 4
Corri atrás dele até o estacionamento do hotel, os saltos afundando na grama molhada, o vestido de madrinha grudando nas pernas por causa do calor.
— Nathan, espera!
Ele parou perto do carro, uma mão apoiada no capô, respirando fundo.
— Meu pai teve uma arritmia. De novo. Provavelmente não é nada grave, mas…
— Mas você tem medo.
— Sempre tenho medo — ele admitiu, a voz rouca.
Fiquei parada ali, sem saber se abraçava ele ou exigia respostas.
Escolhi as respostas.
— Me conta a verdade, Nathan. Toda ela. Agora, antes que você suma de novo por dois anos.
Ele encostou na lateral do carro, os ombros caídos, como se finalmente estivesse largando um peso que carregava fazia tempo demais.
— Naquele dia, na cafeteria… eu tinha recebido a ligação do hospital duas horas antes de te encontrar.
Meu coração parou.
— Meu pai tinha desmaiado no trabalho. Infarto. Os médicos não sabiam se ele ia sobreviver à noite.
— Nathan…
— Eu fui te encontrar mesmo assim porque você tinha dito que precisava conversar, e eu não queria cancelar sem explicação. Só que quando você disse que me amava…
Ele fechou os olhos.
— Eu também te amava, Emma. Já te amava fazia tempo. Mas naquele momento, com meu pai numa cama de hospital, eu não conseguia nem respirar direito, quanto mais prometer alguma coisa pra você.
— Então por que não simplesmente disse isso? Por que mentiu?
— Porque eu tinha dezoito, dezenove anos de amizade com você, e uma vida inteira desmoronando ao mesmo tempo. Eu pensei… se eu disser que te amo agora, no meio desse caos, eu vou te arrastar pra dentro disso também. E se meu pai morresse, e se a empresa da família quebrasse, e se eu virasse uma pessoa completamente diferente lidando com tudo isso — eu não tinha o direito de pedir pra você entrar nessa bagunça comigo.
As lágrimas escorriam livres agora, e eu nem tentava segurar.
— Então você decidiu por mim.
— Eu decidi errado — ele disse. — Eu sei disso agora. Mas na hora, eu achei que estava te protegendo.
— Protegendo de quê, Nathan? De te amar de volta?
— De uma vida inteira ao lado de alguém que passou os últimos dois anos entre hospitais, advogados e uma empresa falindo. Eu não queria isso pra você.
Fiquei em silêncio, processando cada palavra.
— E os dois anos depois? Por que nunca me procurou, mesmo depois que as coisas melhoraram?
— Eu procurei — ele disse, baixinho. — De um jeito covarde. Perguntava pra Sophie como você estava. Via os stories que você esquecia de tirar do ar. Guardei um bilhete que você me deu no aniversário de vinte anos até ele desmanchar de tanto dobrar e desdobrar.
Aquilo me pegou de jeito.
— Eu também guardei o colar — sussurrei, sem nem perceber que ia dizer aquilo em voz alta.
Ele me olhou, surpreso.
— Nunca usei de novo. Mas nunca joguei fora.
Ficamos ali, os dois, no meio do estacionamento, com a festa ainda acontecendo lá dentro, música abafada vazando pelas paredes.
— Emma, eu sei que dois anos é muito tempo. Sei que talvez seja tarde demais, que você seguiu em frente, que eu não tenho mais direito de pedir nada.
— Nathan…
— Mas eu precisava que você soubesse a verdade. Que nunca foi “só como amiga”. Nunca foi isso.
Meu telefone vibrou no bolso do vestido — mensagem da Sophie perguntando onde eu estava, se estava tudo bem.
Eu não respondi.
Porque, naquele momento, olhando pra ele, pra aquele rosto cansado e sincero que eu tinha passado dois anos tentando esquecer, eu não sabia mais o que era certo dizer.
Só sabia que meu coração estava fazendo a pergunta antes mesmo da minha boca conseguir formular qualquer resposta.
