Madison Hale entrou na sala de reunião treze minutos atrasada, sussurrou “desculpa” e tentou sorrir.

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Chapter 1

Madison Hale entrou na sala de reunião treze minutos atrasada, sussurrou “desculpa” e tentou sorrir.

Esse foi o erro.

Porque a sala estava cheia de executivos que só se importavam com números, prazos e margem de lucro. Eles viram uma analista de operações sobrecarregada, cabelo ainda úmido, blusa amassada, uma pilha de pastas apertada contra o peito.

Mas Dante Romano viu a mancada.

Ele viu como o pé esquerdo dela mal tocava o chão. Viu os nós dos dedos brancos de tanto apertar a pasta. Viu o hematoma amarelado escondido sob a maquiagem, na linha do maxilar, a gola alta demais para uma manhã quente de outubro, o jeito que ela se encolheu quando alguém empurrou uma cadeira com força.

E quando Madison finalmente se sentou na cadeira vazia no fim da mesa, Dante Romano parou de ler o contrato na sua frente.

O homem mais perigoso de Chicago olhou para uma mulher que todo mundo tinha aprendido a ignorar.

E, em silêncio, decidiu que queria saber quem tinha machucado ela.

A reunião pertencia à Romano Holdings, pelo menos no papel. A empresa era dona de hotéis, prédios de apartamentos, restaurantes, galpões, e boa parte dos imóveis de luxo à beira do rio. Fora do papel, as pessoas cochichavam outras coisas. Que Dante Romano tinha juízes no bolso. Que o negócio de transporte dele movimentava muito mais que móveis e azulejo importado. Que homens que o contrariavam desenvolviam, de repente, um interesse enorme em sumir do meio-oeste para sempre.

Madison já tinha ouvido os boatos. Todo mundo tinha.

Ela também tinha passado os últimos seis anos aprendendo a sobreviver em salas cheias de homens que achavam que medo era estilo de gestão.

Então, quando os olhos de Dante pousaram nela, Madison fez o que sempre fazia.

Trabalhou.

“Desculpa de novo,” ela disse, abrindo o notebook com as mãos quase sem tremer. “A análise atualizada de custo com fornecedores está na página quatro.”

Sua supervisora, Karen Ellis, deu um sorriso tenso. “Pode continuar, Madison.”

Madison clicou no controle. Números encheram a tela. Ela falou com clareza, calma, profissionalismo. Explicou por que o contrato de transporte proposto ia gerar prejuízo em três estados, por que dois fornecedores estavam inflando a taxa de combustível, por que um galpão em Cicero deveria ser alugado em vez de comprado.

Ninguém a interrompeu.

Aquilo era incomum.

No meio da apresentação, Madison ergueu os olhos e entendeu o motivo.

Dante Romano estava ouvindo.

Não fingindo. Não olhando o celular de vez em quando. Ouvindo de verdade.

Ele estava sentado na cabeceira da mesa, num terno escuro que parecia menos costurado e mais projetado sob medida, uma mão pousada perto de uma caneta prateada, a expressão indecifrável. Uns trinta e seis, trinta e sete anos, cabelo preto, maxilar marcado, e aquela quietude de um homem que nunca precisava levantar a voz para ser obedecido.

Madison se obrigou a continuar.

Quando a apresentação terminou, Karen disse “Excelente trabalho,” com aquele tom de surpresa de quem esquece que Madison era boa no que fazia.

Os outros começaram a recolher os papéis. Cadeiras arrastando. Homens falando ao mesmo tempo. Alguém rindo alto demais.

Madison se levantou rápido demais.

Uma dor cortou o quadril dela.

Ela se segurou na mesa antes que alguém percebesse.

Quase ninguém percebeu.

“Senhorita Hale,” disse Dante.

A sala ficou em silêncio.

Madison se virou. “Sim, senhor Romano?”

“Você está favorecendo o lado esquerdo.”

A boca dela secou. “Estou bem.”

“Eu não perguntei se você estava bem.”

O sorriso de Karen congelou. “A Madison teve um probleminha, eu acho.”

Madison odiou ela por tentar ajudar. Odiou a si mesma por precisar daquilo.

“Escorreguei na escada,” ela disse.

Dante se recostou na cadeira, o olhar firme. “Gente que escorrega na escada geralmente machuca o tornozelo, o joelho, o pulso ou o ombro. Você está protegendo as costelas e o quadril.”

Um silêncio gelado tomou conta da sala.

Madison conseguia ouvir o próprio coração batendo.

“Sou desastrada,” ela disse.

“Não,” disse Dante. “Você é cuidadosa.”

As palavras pousaram em algum lugar abaixo do peito dela.

Madison desviou o olhar primeiro.

Depois da reunião, ela guardou o notebook e tentou escapar antes que as perguntas começassem. Mas Dante estava esperando perto da porta, a segurança dele alguns passos atrás, como sombras.

“Anda comigo,” ele disse.

Não era um pedido.

Madison o seguiu pelo corredor.

As paredes de vidro do andar executivo refletiam os dois enquanto caminhavam: Dante, ombros largos e postura firme; Madison, pequena ao lado dele, a mancada mais visível agora que o cansaço tinha tomado conta.

“Você devia ver um médico,” ele disse.

“Eu disse que estou bem.”

“Você mente mal quando está com dor.”

Ela parou de andar. “Com todo respeito, senhor Romano, minha vida pessoal não é da sua conta.”

“Por enquanto,” ele disse.

O estômago dela se apertou. “Como assim?”

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