Chapter 4
Madison ficou olhando para Dante, tentando processar a promessa que ele acabara de fazer, uma promessa que carregava um peso que ela não sabia se conseguia aceitar.
“Você não pode simplesmente… resolver isso.” — ela disse, limpando as lágrimas com as costas da mão. “Ryan é perigoso.”
“Eu sei exatamente o quão perigoso ele é.” — Dante respondeu. “Por isso mesmo você precisa confiar em mim agora.”
“Confiar em você?” — Madison quase riu, um som amargo escapando de sua garganta. “Eu mal te conheço.”
“Você me conhece o suficiente para saber que eu não minto sobre coisas assim.” — Dante disse, os olhos fixos nos dela.
Ele tinha razão, e isso assustava Madison mais do que qualquer ameaça que Ryan já tinha feito.
“O que você quer que eu faça?” — ela perguntou finalmente, a voz pequena.
“Vá para casa hoje como se nada tivesse mudado.” — Dante instruiu. “Mas amanhã de manhã, você vai se mudar para um apartamento que já providenciei, num prédio seguro do outro lado da cidade.”
“Eu não posso simplesmente desaparecer,” — Madison protestou. “Ele vai procurar por mim.”
“Ele não vai encontrar.” — Dante disse, com uma certeza que não deixava espaço para dúvidas.
Naquela noite, Madison voltou para casa com o coração disparado, cada som fazendo seu corpo inteiro se contrair de medo antecipado.
Ryan estava sentado no sofá quando ela entrou, o celular na mão, os olhos calculistas de sempre.
“Você ficou até tarde de novo,” ele comentou, sem levantar os olhos do telefone.
“Relatório trimestral,” Madison respondeu, tentando manter a voz normal. “Você sabe como é essa época do ano.”
Ela conseguiu chegar até o quarto sem mais confrontos, o coração ainda acelerado enquanto começava, discretamente, a separar o que levaria consigo no dia seguinte.
Do outro lado da cidade, Dante recebia um relatório atualizado de Marcus, o rosto se fechando cada vez mais conforme lia as informações.
“Os Kozlov estão planejando algo maior.” — Marcus informou. “Ryan não é só um peão qualquer. Ele está sendo usado para reunir informações sobre suas operações através de Madison.”
“Ela sabe de alguma coisa sobre meus negócios?” — Dante perguntou, franzindo a testa.
“Não diretamente,” Marcus respondeu. “Mas ela trabalha com contratos e fornecedores. Se Ryan estiver revirando papéis dela em casa, pode encontrar informações que nem sabíamos que estavam vulneráveis.”
A raiva que cresceu em Dante naquele momento era diferente de qualquer coisa que ele tinha sentido em anos — não apenas pela ameaça ao próprio negócio, mas pela ideia de que Madison tinha sido usada, mais uma vez, sem sequer saber.
Na manhã seguinte, exatamente como planejado, Madison saiu de casa mais cedo que o normal, uma mala discreta escondida no porta-malas do carro.
Ela seguiu as instruções que Dante tinha passado por mensagem na noite anterior, dirigindo até um prédio elegante no centro da cidade, onde um porteiro já a esperava com as chaves de um apartamento no décimo andar.
O lugar era simples, mas seguro, com câmeras discretas em cada entrada e um sistema de segurança que Madison reconheceu como algo muito além do que ela jamais poderia pagar sozinha.
Foi enquanto organizava as poucas coisas que tinha trazido que recebeu uma ligação de Ryan, o nome dele piscando na tela como um aviso de tempestade.
Ela hesitou, depois atendeu, sabendo que ignorar completamente levantaria suspeitas perigosas.
“Onde você está?” — a voz de Ryan já carregava a fúria que Madison conhecia bem demais.
“Precisei resolver umas coisas,” ela respondeu, tentando manter a voz firme. “Vou ficar na casa de uma amiga por uns dias.”
“Que amiga?” — ele perguntou, a voz ficando mais alta. “Você não tem amigas, Madison. Eu conheço sua vida inteira.”
“Ryan, eu preciso de um tempo,” ela disse, o coração martelando no peito.
“Isso é aquele Romano, não é?” — Ryan praticamente gritou agora. “Ele colocou ideias na sua cabeça.”
A ligação terminou abruptamente quando Madison, com as mãos tremendo, desligou o telefone e o jogou sobre a cama como se aquilo pudesse queimar suas mãos.
Ela não sabia, naquele momento, que Ryan já estava a caminho do escritório da Romano Holdings, a raiva cegando qualquer resquício de cautela que ainda pudesse ter.
