Chapter 2
Madison não respondeu. Ela só se virou e caminhou o mais rápido que a dor no quadril permitia, deixando Dante parado no corredor, os olhos escuros seguindo cada passo mancado dela até o elevador.
Ele não a seguiu. Não precisava.
Assim que as portas do elevador se fecharam, Dante virou para o homem que estava parado alguns metros atrás, quieto como sempre.
“Marcus.” — ele chamou, sem levantar a voz.
Marcus se aproximou imediatamente, as mãos cruzadas na frente do corpo. “Sim, senhor Romano.”
“Quero tudo sobre Madison Hale até amanhã de manhã.” — Dante disse, os olhos ainda fixos no elevador vazio. “Endereço, histórico, família. E quero saber com quem ela mora.”
“Algum motivo específico?” — Marcus perguntou, embora já soubesse que não devia questionar demais.
“Ela está sendo machucada.” — Dante respondeu, simples assim, como se estivesse comentando o clima. “E eu quero saber por quem.”
Naquela noite, Madison chegou em casa exausta, o corpo doendo em lugares que ela já tinha aprendido a esconder bem.
O apartamento estava silencioso quando ela entrou, e por um segundo, ela permitiu que os ombros relaxassem.
Foi então que ouviu passos vindo da cozinha.
“Você está atrasada.” — a voz de Ryan cortou o silêncio, fria, calculada.
Madison sentiu o corpo inteiro travar. “Tive uma reunião importante. Eu avisei que ia demorar.”
Ryan apareceu na porta da cozinha, uma cerveja na mão, os olhos já carregando aquele brilho que ela conhecia bem demais — o brilho que vinha antes da tempestade.
“Reunião importante,” ele repetiu, com desdém. “Você acha que eu não sei que você fica se exibindo pros seus chefes?”
“Ryan, por favor, eu só…”
“Cala a boca.” — ele disse, dando um passo à frente.
Madison recuou instintivamente, o corpo já se preparando para o que vinha a seguir.
Do outro lado da cidade, em seu escritório no último andar, Dante Romano revisava documentos financeiros da Romano Holdings, mas sua mente continuava voltando para os olhos assustados de Madison Hale.
Havia algo naquela mulher que ele não conseguia explicar — uma força escondida sob camadas de medo, uma inteligência que brilhava mesmo quando ela tentava se fazer pequena.
Ele tinha visto mulheres feridas antes. Sua própria mãe tinha sido uma delas, décadas atrás, antes de Dante ser velho o suficiente para fazer alguma coisa a respeito.
Ele jurou, naquela época, que nunca mais ficaria parado vendo alguém sofrer daquele jeito.
Marcus voltou ao escritório na manhã seguinte, uma pasta fina na mão, o rosto sério.
“Encontrei alguma coisa?” — Dante perguntou, sem levantar os olhos dos próprios papéis.
“O nome dele é Ryan Cole.” — Marcus disse, colocando a pasta sobre a mesa. “Namorado dela há quase quatro anos. Mora no mesmo endereço registrado dela.”
Dante finalmente ergueu os olhos. “O que você sabe sobre ele?”
“Desempregado há oito meses. Duas prisões antigas por agressão, ambas arquivadas depois que as vítimas retiraram queixa.” — Marcus respondeu. “E, senhor Romano… ele trabalhou brevemente para os Kozlov.”
O nome pairou no ar entre eles como uma faísca prestes a virar incêndio.
Dante se recostou na cadeira, os dedos se fechando lentamente sobre a caneta prateada em sua mesa.
Os Kozlov eram uma família que ele conhecia bem demais — rivais antigos, homens que ele tinha passado anos tentando manter longe do próprio território.
“Interessante.” — Dante disse, a voz baixa, quase um murmúrio.
“O que você quer fazer?” — Marcus perguntou.
“Nada, por enquanto.” — Dante respondeu. “Só continue observando. Quero saber cada movimento desse homem.”
Enquanto isso, Madison chegou ao trabalho naquela manhã com um novo hematoma escondido sob uma manga comprida, apesar do calor que ainda persistia em outubro.
Ela tentou se concentrar nos números da planilha à sua frente, mas os olhos continuavam se desviando para a porta da sala de reuniões onde tinha visto Dante Romano pela última vez.
Karen apareceu ao lado dela, a voz baixa. “O senhor Romano perguntou sobre você hoje de manhã.”
O coração de Madison disparou. “O que ele perguntou?”
“Se você chegou bem.” — Karen respondeu, os olhos curiosos. “É estranho. Ele nunca pergunta sobre ninguém.”
Madison não soube o que responder. A ideia de que o homem mais perigoso de Chicago estava prestando atenção nela era, ao mesmo tempo, aterrorizante e estranhamente reconfortante.
Ela não sabia, naquele momento, que Dante já tinha decidido que não ia deixar aquilo continuar por muito mais tempo.
