“Minha mãe está morrendo, e eu não tenho dinheiro pra passagem”, a enfermeira soluçava no balcão do aeroporto.

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Chapter 2

O jato particular pousou em St. Louis quarenta e dois minutos depois de decolarmos.

Eu mal falei durante o voo. Fiquei olhando pela janela, repetindo mentalmente o nome da minha mãe como se isso pudesse mantê-la viva à distância. Daniel Bennett não tentou puxar assunto. Só me ofereceu um cobertor, uma garrafa de água, e o silêncio que eu precisava.

Quando finalmente pousamos, um carro já esperava na pista.

— Como você conseguiu isso tão rápido? — perguntei, entrando no banco de trás.

— Eu costumo estar preparado — foi tudo que ele disse.

Chegamos ao Hospital St. Louis Memorial em vinte minutos. Corri para a recepção, ainda de jaleco, gritando o nome da minha mãe para a primeira enfermeira que vi.

— Margaret Carter! Ela deu entrada há mais ou menos duas horas!

A enfermeira digitou algo rapidamente, e o rosto dela mudou de um jeito que me fez o coração parar.

— A senhora é familiar?

— Sou a filha dela.

— Vou chamar o médico responsável. Por favor, aguarde aqui.

Aquele “aguarde aqui” foram as duas palavras mais longas da minha vida.

Daniel ficou ao meu lado, sem dizer nada, apenas presente, e por algum motivo aquilo me ajudou a continuar de pé.

Dez minutos depois, um médico de jaleco branco surgiu por uma porta dupla.

— Dr. Alan Whitfield — ele se apresentou, apertando minha mão. — Você é a filha da Margaret?

— Emily. Sou enfermeira também, trabalho em Chicago. Por favor, me diga a verdade sem enrolar.

Ele assentiu, reconhecendo em mim a mesma linguagem que usava todos os dias.

— Sua mãe sofreu um infarto significativo. Conseguimos estabilizá-la, mas ela vai precisar de uma cirurgia de ponte de safena nas próximas 24 horas. O risco existe, mas as chances são boas se agirmos rápido.

— Posso vê-la?

— Por alguns minutos. Ela está sedada, mas consciente às vezes.

Segui o médico por um corredor que parecia não ter fim, e quando finalmente entrei no quarto, vi minha mãe deitada, pequena e frágil sob os lençóis brancos, tubos saindo de seus braços, o monitor cardíaco marcando um ritmo instável.

— Mãe — sussurrei, segurando sua mão.

Seus olhos se abriram devagar.

— Emily…

— Estou aqui. Vim o mais rápido que consegui.

— Eu sabia… que você viria — ela sussurrou, a voz fraca. — Mesmo que ninguém mais… viesse.

— Ninguém mais veio?

Ela balançou a cabeça de leve.

— Diane não atendeu. Madison nem respondeu.

Uma lágrima escorreu pelo rosto da minha mãe, e senti raiva crescer dentro de mim como um incêndio.

— Isso não importa agora. O que importa é você ficar bem.

Ela apertou minha mão com uma força que me surpreendeu.

— Quem é o homem lá fora?

Olhei para trás. Através da porta de vidro, via Daniel Bennett esperando no corredor, mantendo distância respeitosa, mas sem ir embora.

— Um estranho que me ajudou a chegar até você.

Minha mãe estreitou os olhos, olhando para ele por um longo momento, como se estivesse tentando reconhecer alguma coisa.

— Esse rosto…

— O que foi, mãe?

Mas antes que ela pudesse responder, o monitor começou a apitar, e duas enfermeiras entraram correndo.

— Precisamos que a senhora saia agora — uma delas disse, gentil mas firme.

Fui empurrada gentilmente para fora do quarto, meu coração disparado, e quando olhei para trás pela última vez, vi minha mãe ainda olhando para Daniel Bennett com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.

Não era medo.

Era reconhecimento.

Assim que a porta se fechou, me virei para ele.

— Você conhece minha mãe?

Daniel hesitou, e pela primeira vez desde que o conheci naquela fila do aeroporto, vi algo parecido com nervosismo em seu rosto de homem calmo e controlado.

— Isso é uma conversa mais longa do que temos tempo agora.

— Não. Você vai me responder agora mesmo. Quem você é de verdade?

Ele olhou para a porta fechada do quarto da minha mãe, depois de volta para mim, e respirou fundo.

— Eu conheci sua mãe há trinta anos, Emily. Antes de você nascer.

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