“Minha mãe está morrendo, e eu não tenho dinheiro pra passagem”, a enfermeira soluçava no balcão do aeroporto.

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Chapter 4

Encarei Madison por um longo momento, incapaz de acreditar na cara de pau que via na minha frente.

— Você me bloqueou ontem à noite — falei, a voz fria. — Disse que se minha mãe morresse, a culpa não seria sua.

O sorriso de Madison vacilou por meio segundo, mas ela se recompôs rápido.

— Eu estava estressada, Emily. Você sabe como as coisas estão difíceis pra gente desde que o Kevin perdeu o emprego. Eu não quis dizer aquilo de verdade.

— Você mandou de dois números diferentes.

— Eu… — ela hesitou, procurando uma desculpa que não veio.

Daniel, ao meu lado, permaneceu em silêncio, mas observava tudo com uma atenção quase clínica, como se estivesse catalogando cada mentira que saía da boca dela.

— Onde está minha mãe? — Madison perguntou, mudando de assunto. — Preciso vê-la.

— Ela está em cirurgia agora.

— Cirurgia? — Madison arregalou os olhos, e pela primeira vez pareceu genuinamente alarmada, embora eu suspeitasse que fosse mais pelo medo de perder alguma coisa do que pela minha mãe. — Ninguém me contou disso!

— Porque você bloqueou o único número que poderia ter te contado.

Diane apareceu logo atrás, entrando apressada, os saltos altos ecoando no corredor do hospital.

— Emily! Que bom que você está aqui. — Ela me abraçou rapidamente, um abraço vazio e mecânico, antes de se virar para Daniel. — E você deve ser o generoso salvador da situação.

— Daniel Bennett — ele se apresentou, apertando a mão dela com educação fria.

— Bennett… — Diane repetiu o nome, os olhos estreitando de leve, como se algo naquele sobrenome despertasse uma lembrança distante. — Esse nome me parece familiar.

— Talvez você conheça minha família — Daniel respondeu, num tom que não convidava a mais perguntas.

Um médico apareceu no corredor antes que a conversa pudesse continuar.

— Família da Margaret Carter?

Todos nos viramos ao mesmo tempo.

— Sou eu — respondi, dando um passo à frente. — Sou a filha dela.

O Dr. Whitfield olhou brevemente para Madison e Diane, que de repente pareciam muito interessadas em parecer preocupadas, e depois de volta para mim.

— A cirurgia correu bem. Ela está estável, na recuperação. Vai precisar de repouso e acompanhamento rigoroso nas próximas semanas, mas o prognóstico é positivo.

Minhas pernas quase cederam de alívio. Daniel colocou uma mão firme no meu ombro, me segurando.

— Posso vê-la?

— Em algumas horas, quando ela acordar da anestesia.

Assim que o médico se afastou, Madison já estava puxando assunto de novo, dessa vez olhando diretamente para Daniel.

— Então, Daniel… você e minha tia Margaret se conhecem de onde, exatamente?

— De um tempo antes de vocês nascerem — ele respondeu, evasivo.

— E vocês são… próximos?

— Somos amigos antigos.

— Amigos que têm jato particular — Diane comentou, com um sorriso que tentava parecer casual e falhava completamente.

Foi então que algo dentro de mim simplesmente explodiu.

— Vocês não vieram aqui pela minha mãe — falei, a voz alta o suficiente para virar cabeças no corredor. — Vocês vieram aqui porque descobriram que existe dinheiro envolvido. Onde vocês estavam há seis horas, quando eu implorava num aeroporto por 280 dólares para chegar até ela?

Madison abriu a boca para responder, mas eu não deixei.

— E onde vocês estavam nos últimos cinco anos, quando minha mãe morava sozinha, se sustentando com uma pensão que mal cobria as contas, enquanto vocês duas viviam suas vidas confortáveis sem nunca ligar, sem nunca visitar?

O corredor ficou em silêncio.

— Emily, não é justo você… — Diane começou.

— Justo? — interrompi, uma risada amarga escapando. — Vocês querem falar sobre justiça?

Foi nesse momento que Daniel, calmamente, colocou a mão no meu braço.

— Emily. Talvez seja hora de contar a elas quem eu realmente sou.

Encarei-o, confusa.

— Do que você está falando?

Ele respirou fundo, olhando para Diane com uma expressão que de repente parecia carregada de história.

— Diane, você disse que meu sobrenome parecia familiar. É porque você já ouviu falar dele antes. Há trinta anos, seu cunhado — o pai da Margaret — trabalhava para o meu pai, na construtora Bennett, em Springfield.

O rosto de Diane empalideceu instantaneamente.

— Isso é impossível.

— Não é, não. E foi por causa de uma dívida que minha família nunca pagou à sua — um erro que meu pai cometeu, e que Margaret pagou o preço por anos, sem nunca reclamar — que eu vim até aqui hoje.

Encarei Daniel, o coração acelerado, percebendo que a história que ele tinha me contado no corredor vazio havia sido apenas metade da verdade.

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