Nada poderia ter me preparado pra ver minha mala do lado de fora dos portões de ferro da mansão que eu chamava de lar havia onze anos

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Chapter 2

O homem não esperou resposta. Abriu a porta do Bentley e fez sinal para o motorista pegar minha mala.

“Não vou machucá-la,” disse ele, notando minha hesitação. “Só não consigo deixar uma mulher grávida parada na rua no frio.”

Congelei.

“Como você sabe que estou grávida?”

Ele sorriu, um sorriso cansado, cheio de história. “Porque conheci sua mãe. E conheci seu pai, Charles Hail, antes de ele morrer. Você tem os olhos dele quando está assustada.”

Meu coração disparou. Ninguém falava do meu pai havia anos.

“Quem é o senhor?”

“Alistair Kane,” ele respondeu, estendendo a mão enluvada. “E acho que já passou da hora de conversarmos, Clara.”

Entrei no carro porque não tinha mais nada a perder.

O interior cheirava a couro e charuto antigo. Alistair me observava com uma atenção que não era de estranho — era de alguém que já tinha me visto antes, de longe, por muito tempo.

“O senhor conhecia meu pai,” repeti, ainda tentando entender.

“Éramos sócios,” disse ele. “Antes de tudo desmoronar.”

“Desmoronar como?”

Ele olhou pela janela, para as luzes de Greenwich passando.

“Nathaniel Whitmore,” disse baixinho. “O pai de Raymond. Ele destruiu nossa empresa há vinte anos. Roubou nossa tecnologia, subornou dois juízes, e quando seu pai tentou expor tudo…”

Ele parou.

“O que aconteceu com meu pai não foi acidente de carro,” continuou. “Foi um aviso.”

Minhas mãos tremeram sobre o colo.

“Por que está me contando isso agora?”

“Porque prometi ao seu pai que cuidaria de você, se um dia precisasse,” respondeu Alistair. “E porque, Clara… eu passei vinte anos esperando a chance de derrubar os Whitmore. E você acabou de sair andando pelo portão deles carregando o herdeiro que eles tanto quiseram.”

“Herdeiros,” corrigi, quase sem voz. “São três.”

Pela primeira vez, vi verdadeira surpresa no rosto dele.

“Trigêmeos,” sussurrou. Depois, um sorriso lento se formou. “Deus tem senso de humor.”

“Eu não sou arma de ninguém,” falei, endurecendo a voz. “Não vim para ser usada na sua guerra.”

“Não estou pedindo para você ser usada,” disse Alistair. “Estou oferecendo um teto, segurança, e a verdade sobre quem realmente é essa família. O que você faz com isso depois é decisão sua.”

Fiquei em silêncio o resto do caminho.

A casa dele era menor do que eu esperava — elegante, mas sem o exagero frio da mansão Whitmore. Uma governanta chamada Rosa me recebeu com um chá quente e um quarto já preparado, como se estivessem esperando minha chegada há dias.

“Amanhã,” disse Alistair na porta, “você vai a um médico de confiança. Ninguém saberá seu nome no registro.”

“Por quê tanto cuidado?”

“Porque Margaret Whitmore tem espiões em cada hospital da região,” respondeu ele, sério. “E se ela descobrir sobre os bebês antes de você estar pronta, vai usar isso contra você de formas que nem imagina.”

Aquela noite, deitada numa cama que não era minha, coloquei as mãos sobre a barriga e pensei em Raymond rindo na cozinha, sem nunca olhar para a janela.

“Vocês três vão ficar bem,” sussurrei. “Eu prometo.”

Na manhã seguinte, Alistair me esperava na sala com uma pasta fechada sobre a mesa.

“Antes de mais nada,” disse ele, “preciso que você veja uma coisa.”

Abriu a pasta. Dentro, fotos — eu, tirada de longe, em datas diferentes, ao longo de anos.

“Você andou me vigiando?” perguntei, a voz subindo.

“Protegendo,” corrigiu ele. “Nunca me aproximei porque você parecia feliz. Eu não tinha o direito de estragar isso.”

“E agora tem?”

Alistair fechou a pasta, olhos firmes nos meus.

“Agora você não tem mais nada a perder, Clara. E eu tenho vinte anos de provas contra o homem que matou seu pai.”

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