Nada poderia ter me preparado pra ver minha mala do lado de fora dos portões de ferro da mansão que eu chamava de lar havia onze anos

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Chapter 4

Não respondi a ligação de Raymond. Desliguei e entreguei o celular a Alistair, as mãos tremendo.

“Como ele conseguiu esse número?”

Alistair olhou para a tela, mandíbula travada. “Margaret.”

“Como ela pode ter descoberto?”

“Ela tem contatos em toda clínica particular da região,” respondeu ele. “Já disse isso.”

Foi então que a governanta, Rosa, entrou apressada na sala.

“Senhor Kane, tem uma mulher na portaria. Diz se chamar Margaret Whitmore.”

Meu sangue gelou.

“Não deixe ela entrar,” disse Alistair, já se levantando.

“Não,” falei, surpreendendo a mim mesma. “Deixa. Eu quero ouvir o que ela tem a dizer.”

Alistair hesitou, depois assentiu devagar. “Eu fico ao seu lado.”

Margaret entrou like sempre entrava em qualquer lugar — como se o cômodo lhe pertencesse. Seus olhos passearam pela sala, avaliando Alistair, avaliando a mim, antes de pousarem na minha barriga ainda discreta.

“Então é verdade,” disse ela, sem cumprimentar ninguém.

“O que você quer, Margaret?”

“Proteger minha família,” respondeu ela, com aquele tom doce e cortante que eu conhecia bem demais. “Você vai assinar um acordo. Generoso, devo dizer. Uma casa, uma mesada vitalícia, discrição total sobre a gravidez até que possamos administrar como a notícia será apresentada.”

“Administrar,” repeti. “Você quer dizer esconder.”

“Quero dizer proteger o nome Whitmore de um escândalo desnecessário.”

Alistair deu um passo à frente. “Ou talvez proteger Raymond de saber que o pai dele matou o pai de Clara.”

O rosto de Margaret não se moveu, mas algo atrás dos olhos dela vacilou.

“Não sei do que está falando.”

“Sabe sim,” disse Alistair, calmo. “E eu tenho vinte anos de provas guardadas, esperando o momento certo.”

Margaret voltou os olhos para mim, ignorando Alistair completamente.

“Clara, querida, pense nas crianças. Uma batalha pública vai marcá-las para sempre. Assine o acordo, viva em paz, e deixe que os adultos resolvam o resto.”

“As crianças,” respondi, minha voz mais firme do que eu esperava, “vão nascer sabendo exatamente quem tentou apagá-las antes mesmo de nascer.”

Margaret apertou os lábios.

“Você não sabe com quem está lidando.”

“Sei exatamente,” falei. “Passei onze anos aprendendo.”

Ela pegou a bolsa, os dedos brancos de tanto apertar a alça.

“Raymond vai querer ver essas crianças,” disse, por fim. “E quando ele souber, vai lutar por elas. Isso eu garanto.”

“Ótimo,” respondi. “Porque eu também vou lutar. E dessa vez, tenho provas do meu lado.”

Depois que ela saiu, Alistair me olhou com algo entre orgulho e preocupação.

“Ela vai atacar rápido agora,” disse ele.

“Eu sei.”

“Está pronta?”

Coloquei a mão sobre a barriga, sentindo pela primeira vez que aquela pergunta não era só sobre mim.

“Estou,” respondi. “Por eles.”

Naquela noite, recebi um e-mail de Raymond. Uma única linha:

“Preciso te ver. Sozinho. Por favor.”

Fiquei olhando para a tela por muito tempo antes de responder.

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