O som que parou o salão inteiro não foi um tiro.

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Chapter 2

O silêncio esticou por tanto tempo que o violinista no canto esqueceu completamente que segurava um arco na mão.

A garçonete não desviou o olhar de Dominic.

— Meu nome não importa ainda — disse ela. — O que importa é que sua esposa está desviando dinheiro da sua própria organização há pelo menos catorze meses.

Isabella deu um passo para trás, batendo contra a própria cadeira.

— Isso é mentira — disse ela, mas a voz já não tinha a mesma força de antes. — Dominic, você não vai acreditar nisso, vai? Numa garçonete?

Dominic ergueu uma mão, sem olhar para a esposa, o gesto pedindo silêncio com a mesma autoridade fria que fazia homens armados recuarem.

— Continue — disse ele para a garçonete.

Vincent Rizzo trocou um olhar rápido com os outros dois seguranças perto da parede. Nenhum deles tinha visto o chefe pedir para alguém continuar falando depois de expor a esposa dele em público. Aquilo nunca acontecia.

A garçonete pegou a bandeja de prata que tinha deixado na mesa e, com um movimento calmo, tirou de baixo dela uma pasta fina, quase invisível entre os guardanapos dobrados.

— Isso não é possível — Isabella sussurrou, olhando para a pasta como se fosse uma cobra. — Você não pode ter isso. Ninguém tem acesso a essas contas.

— Ninguém que você conhece — corrigiu a garçonete.

Ela abriu a pasta e virou para que Dominic pudesse ver, sem entregar a ele, apenas mostrando.

Extratos bancários. Nomes de empresas de fachada. Datas.

Dominic passou os olhos pelos papéis, o rosto sem expressão nenhuma, o tipo de calma que os homens dele tinham aprendido a temer mais do que qualquer grito.

— Onde você conseguiu isso? — perguntou ele, sem levantar a voz.

— Onde eu trabalho — respondeu a garçonete. — Faz seis meses que estou servindo mesa nesse restaurante, senhor Salvatore. Faz seis meses que sua esposa vem aqui almoçar com o mesmo homem, todas as terças-feiras, sempre na mesa perto da janela.

O rosto de Isabella foi ficando branco, palavra por palavra.

— Isso não tem nada a ver com dinheiro — continuou a garçonete. — Ou melhor, tem tudo a ver com dinheiro, mas não só isso.

Um murmúrio nervoso passou pela mesa ao lado, rapidamente abafado quando um dos seguranças de Dominic lançou um olhar na direção deles.

— Quem é esse homem? — perguntou Dominic, a voz baixando ainda mais, o tipo de voz baixa que era mais assustadora do que qualquer grito.

A garçonete hesitou pela primeira vez desde que tinha começado a falar.

— Você tem certeza que quer essa resposta na frente de todo mundo? — perguntou ela.

Dominic olhou ao redor da sala, para as dezenas de rostos importantes prendendo a respiração, fingindo não escutar.

— Eles já vão saber até amanhã de manhã de qualquer jeito — disse ele. — Prefiro saber primeiro.

A garçonete assentiu devagar, como se tivesse esperado exatamente por aquela resposta.

— O nome dele é Marco Ferretti — disse ela. — Ele trabalha para a família Contadino.

O nome caiu sobre a mesa como uma pedra jogada num lago parado.

Vincent Rizzo deu um passo à frente, a mão finalmente saindo de dentro do paletó, mas Dominic ergueu dois dedos de novo, e ele parou no mesmo instante.

— Repita — disse Dominic, a voz agora perfeitamente controlada, o tipo de controle que só existe em cima de uma fúria enorme.

— Sua esposa está desviando dinheiro da sua organização e passando informações para os Contadino — disse a garçonete. — Há mais de um ano.

Isabella começou a balançar a cabeça, repetidamente, como se aquilo pudesse apagar as palavras do ar.

— Não. Não, isso é mentira, Dominic, olha pra mim, você me conhece…

— Eu achava que conhecia — disse ele, e pela primeira vez naquela noite, alguma coisa quebrou por trás dos olhos dele.

A garçonete fechou a pasta com cuidado.

— Ainda tem mais — disse ela.

— Mais o quê? — perguntou Dominic.

— Meu motivo para estar aqui — respondeu ela. — Não vim só pelo dinheiro, senhor Salvatore.

Ela olhou direto nos olhos dele, e pela primeira vez, alguma coisa naquele olhar não era mais frieza.

Era dor antiga.

— Eu vim porque a família Contadino matou meu irmão há três anos — disse ela. — E sua esposa sabia disso o tempo inteiro.

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