Chapter 5
Três dias depois, Elena recebeu uma ligação de um número que ela não reconhecia.
— A senhorita Bianchi? — perguntou a voz do outro lado. Era Vincent Rizzo.
— Sim — respondeu ela, o coração acelerando.
— O senhor Salvatore pediu para eu te levar até um endereço. Ele disse que você ia querer ver com os próprios olhos.
Elena hesitou por um segundo antes de aceitar. Parte dela ainda esperava uma armadilha, mesmo depois de tudo. Anos vivendo escondida atrás de um uniforme de garçonete tinham ensinado ela a nunca baixar a guarda completamente.
Mas alguma coisa na voz de Dominic, três dias atrás, tinha soado sincera de um jeito que ela raramente via em homens como ele.
O carro parou em frente a um prédio comercial baixo, perto do porto, o mesmo bairro onde seu irmão tinha trabalhado.
Dominic esperava do lado de fora, o casaco levantado contra o vento frio vindo da água.
— Vim mostrar uma coisa — disse ele, sem preâmbulos, guiando Elena para dentro do prédio.
Lá dentro, numa sala pequena e mal iluminada, Marco Ferretti estava sentado numa cadeira, as mãos amarradas atrás das costas, o rosto inchado de um jeito que deixava claro que a conversa já tinha começado antes de Elena chegar.
Ele ergueu os olhos, reconhecendo Elena na hora, o pânico se espalhando pelo rosto machucado.
— Você — ele sussurrou.
— Eu — confirmou Elena, sem nenhuma emoção na voz.
Dominic ficou parado ao lado dela, os braços cruzados.
— Ele já confirmou tudo — disse Dominic. — A ligação com os Contadino. O que aconteceu com seu irmão. Foi ele quem apertou o gatilho.
Alguma coisa dentro de Elena tremeu, mas ela não deixou transparecer no rosto.
— Por quê? — perguntou ela, olhando direto para Marco. — Ele nunca fez nada contra vocês. Só descobriu o que não devia.
— Ele ia contar pro Salvatore — disse Marco, a voz rouca, tentando negociar mesmo amarrado naquela cadeira. — Eu não tive escolha.
— Todo mundo sempre tem escolha — respondeu Elena. — Você só escolheu a mais fácil.
Dominic observava a troca em silêncio, deixando que Elena tivesse aquele momento sem interferir.
— O que você quer que aconteça agora? — perguntou Dominic, finalmente, virando-se para ela.
Elena olhou para Marco por um longo momento. Ela tinha imaginado aquele instante centenas de vezes ao longo dos últimos três anos — o rosto do homem que tinha tirado seu irmão do mundo, finalmente diante dela, finalmente sem poder nenhum.
Ela esperava sentir raiva pura. Ou talvez satisfação.
Em vez disso, sentiu apenas um cansaço profundo.
— Isso não vai trazer o Sal de volta — disse ela, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.
— Não — concordou Dominic. — Mas vai garantir que ele nunca mais faça isso com a família de mais ninguém.
Elena respirou fundo.
— Faça o que precisa ser feito — disse ela, finalmente. — Eu não preciso ver.
Dominic assentiu, fazendo sinal para Vincent, que apareceu na porta silenciosamente.
Elena se virou e saiu da sala sem olhar para trás, o som de passos atrás dela sumindo conforme ela caminhava para a saída do prédio.
Do lado de fora, o vento frio do porto bateu no rosto dela, o mesmo vento que provavelmente tinha soprado na noite em que seu irmão foi jogado naquele rio.
Dominic a alcançou minutos depois, o rosto sério, mas calmo.
— Isabella também vai responder pelo que fez — disse ele. — Não da mesma forma que Marco, mas ela não vai simplesmente voltar pra vida como se nada tivesse acontecido.
— O que vai acontecer com ela? — perguntou Elena.
— Divórcio. Perda de qualquer acesso a qualquer coisa que carrega meu nome. E ela sabe que, se abrir a boca sobre qualquer coisa que viu nesses anos, as consequências não vão ser legais, vão ser permanentes.
Elena assentiu devagar, entendendo o peso por trás daquelas palavras sem precisar de mais explicação.
— E eu? — perguntou ela. — O que impede o senhor de decidir que sei demais também?
Dominic olhou para ela por um longo momento, algo quase parecido com respeito passando pelos olhos dele.
— Porque você não veio atrás de poder — respondeu ele. — Veio atrás de justiça. São coisas raras o suficiente pra eu reconhecer a diferença.
