O som que parou o salão inteiro não foi um tiro.

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Chapter 3

O restaurante inteiro parecia ter esquecido como respirar.

Isabella deu mais um passo para trás, os saltos tropeçando na barra do próprio vestido.

— Eu não sei do que você está falando — disse ela, mas a voz tremia demais para ser convincente.

— Sabe sim — respondeu a garçonete, sem raiva na voz, apenas um cansaço antigo, de quem carregava aquilo havia tempo demais. — Meu irmão trabalhava pra vocês. Recebedor de carga, no porto de Red Hook. Ele descobriu que alguém dentro da organização estava vazando rotas pros Contadino.

Dominic ficou completamente imóvel.

— Nome — disse ele.

— Salvatore Bianchi — respondeu a garçonete. — Todo mundo o chamava de Sal.

Alguma coisa mudou no rosto de Dominic. Não surpresa. Reconhecimento.

— Eu lembro dele — disse ele, baixinho. — Bom trabalhador. Disseram que ele tinha sumido, que provavelmente tinha fugido com dinheiro da operação.

— Ele não fugiu — a voz da garçonete quebrou pela primeira vez, só um pouquinho, o suficiente para mostrar a pessoa por trás da máscara fria. — Ele foi encontrado no rio três semanas depois. E ninguém nunca investigou de verdade, porque era mais fácil acreditar que ele tinha roubado vocês.

Isabella balançava a cabeça repetidamente, os olhos brilhando de pânico.

— Eu não tinha nada a ver com isso — disse ela. — Eu nem trabalhava com a operação naquela época.

— Não trabalhava — concordou a garçonete. — Mas Marco Ferretti sim. E você já estava se encontrando com ele bem antes de qualquer coisa acontecer com meu irmão.

O silêncio na sala ficou tão denso que dava pra sentir o peso dele no ar.

— Levei três anos pra chegar até aqui — continuou a garçonete. — Três anos aprendendo italiano de verdade, não o que a escola ensina. Três anos estudando finanças, contabilidade forense, tudo que eu precisava saber pra entender o que meus olhos estavam vendo quando finalmente conseguisse chegar perto o suficiente.

— Você conseguiu emprego aqui de propósito — disse Dominic, mais afirmação do que pergunta.

— Consegui. Sabia que vocês vinham aqui toda semana. Sabia que, cedo ou tarde, ela ia cometer um erro perto de mim, porque gente como ela nunca acha que garçonete é gente.

Isabella abriu a boca para protestar, mas nada saiu.

Dominic se virou para ela, e o que restava de qualquer calor entre os dois parecia ter evaporado completamente.

— Você sabia que meu homem tinha sido morto — disse ele, a voz agora perigosamente baixa — e ficou calada. Por três anos.

— Dominic, por favor — Isabella finalmente encontrou a voz, mas ela saiu fina, desesperada. — Você tem que entender, era complicado, o Marco tinha informações sobre mim que…

Ela parou, percebendo tarde demais o que tinha acabado de admitir.

Vincent Rizzo deu um passo à frente.

— Que tipo de informação, Isabella? — perguntou Dominic.

Ela não respondeu.

A garçonete respondeu por ela.

— Fotos — disse ela. — De você e Marco, num motel em Jersey, dois anos antes de você conhecer o senhor Salvatore. Ele te chantageava desde o início. Você achou que passar informações pra ele fazia o problema desaparecer. Só fez crescer.

Todo o salão observava Isabella se desmanchar peça por peça, na frente de tudo e de todos que ela um dia tinha tentado impressionar.

— Eu ia consertar isso — ela sussurrou. — Eu ia dar um jeito, eu só precisava de mais tempo.

— Meu irmão não teve mais tempo — disse a garçonete.

Dominic olhou para a esposa por um longo momento, como se estivesse vendo, pela primeira vez, uma pessoa completamente diferente daquela com quem tinha se casado.

— Vincent — disse ele, sem tirar os olhos de Isabella. — Leve a senhora Salvatore para o carro.

— Dominic, não, espera — ela começou, mas dois seguranças já estavam ao lado dela, cada um segurando um braço, gentis o suficiente para não causar uma cena, firmes o suficiente para deixar claro que não havia escolha.

Enquanto era conduzida para fora, Isabella olhou para trás uma última vez, direto para a garçonete.

— Quem diabos é você de verdade? — perguntou ela.

A garçonete não hesitou.

— Meu nome é Elena Bianchi — disse ela. — E eu passei três anos esperando esse exato momento.

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