Chapter 4
Depois que Isabella foi levada, o restaurante inteiro pareceu exalar, como se tivesse prendido a respiração coletivamente desde o início da cena.
Dominic ficou parado, olhando para Elena por um longo momento, os papéis da pasta ainda na mão dele.
— Sente-se — disse ele, finalmente, puxando a cadeira vazia ao lado da própria mesa.
Elena hesitou.
— Não vim aqui pedir nada, senhor Salvatore — disse ela. — Vim aqui pra que a verdade saísse. Só isso.
— Eu sei — respondeu Dominic. — Por isso mesmo eu quero que você se sente.
Ela se sentou, ainda com o uniforme preto de garçonete, ainda com a postura de quem esperava, a qualquer momento, ser expulsa dali por seguranças armados.
Dominic fez sinal para um garçom de verdade, que se aproximou tremendo visivelmente.
— Traga um café para a senhorita — disse ele. — E cancele o resto do serviço da noite. Por conta da casa, para todos.
Um murmúrio de alívio nervoso passou pelas outras mesas, gente que só queria uma desculpa educada para ir embora daquele pesadelo de jantar.
Quando ficaram praticamente sozinhos, Dominic colocou os papéis sobre a mesa entre eles.
— Fale sobre seu irmão — disse ele.
A pergunta pegou Elena de surpresa. Ela esperava perguntas sobre dinheiro, sobre os Contadino, sobre vingança.
Não esperava aquilo.
— Sal era o tipo de pessoa que lembrava o nome de todo mundo — disse ela, depois de um momento. — Do porteiro do prédio, do cara da padaria, de todo mundo. Ele nunca quis fazer parte de nada perigoso. Só precisava do emprego, porque nossos pais estavam doentes e alguém precisava pagar as contas.
Dominic ouvia em silêncio, algo que Elena reconheceu como raro nele.
— Ele te contava sobre o trabalho? — perguntou Dominic.
— Só o suficiente pra eu me preocupar — respondeu ela, um fantasma de sorriso triste no rosto. — Ele sempre dizia que ia sair assim que juntasse dinheiro suficiente. Que aquilo era temporário.
— Eu devia ter investigado o desaparecimento dele com mais cuidado — disse Dominic, e havia algo na voz dele que soava genuinamente parecido com culpa. — Aceitei a versão mais fácil porque era mais conveniente.
— Aceitou — concordou Elena, sem suavizar a acusação. — E foi exatamente isso que me fez perceber que, se eu quisesse justiça de verdade, ia ter que conseguir sozinha.
Dominic bateu de leve os dedos na mesa, pensativo.
— O que você planeja fazer com essas informações agora? — perguntou ele, gesticulando para a pasta.
— Isso depende de você — respondeu Elena. — Eu tenho provas suficientes para levar aos federais. Lavagem de dinheiro, vazamento de rotas, tudo documentado. Mas isso também te afundaria, senhor Salvatore, mesmo você não tendo culpa direta no que aconteceu com meu irmão.
— E por que você ainda não fez isso? — perguntou ele, os olhos afiados de novo.
— Porque eu não vim atrás do senhor — disse Elena. — Vim atrás de quem matou o Sal, e de quem soube e ficou calado. Se o senhor cuidar disso do seu jeito, eu não preciso levar nada a lugar nenhum.
Dominic considerou aquilo por um longo momento.
— Marco Ferretti — disse ele, finalmente. — Você sabe onde ele está?
— Sei — respondeu Elena. — Ele ainda acha que ninguém desconfia de nada. Ainda se encontra com a Isabella todas as terças.
Um silêncio pesado se instalou entre eles, o tipo de silêncio que carrega decisões que não precisam ser ditas em voz alta para serem entendidas.
— Você entende o que está pedindo — disse Dominic, não como pergunta.
— Entendo perfeitamente — respondeu Elena, sem desviar o olhar. — Não vim aqui fingindo inocência sobre o que o senhor faz para viver, senhor Salvatore. Vim aqui porque sabia que era a única pessoa com poder suficiente para fazer o que precisa ser feito.
Dominic se recostou na cadeira, estudando-a como se a visse de verdade pela primeira vez — não a garçonete invisível, não a mulher fria que tinha desmontado a esposa dele em público, mas a irmã que tinha passado três anos construindo, tijolo por tijolo, o caminho até aquela mesa.
— Você teria dado uma ótima chefe de operações — disse ele, quase para si mesmo.
— Eu não quero um emprego, senhor Salvatore — respondeu Elena. — Eu quero que meu irmão possa descansar.
Dominic assentiu devagar.
— Ele vai descansar — disse ele. — Você tem minha palavra.
