Chapter 5
Três dias se passaram sem que Danielle respondesse a uma única mensagem. Vincent trabalhava, mas mal enxergava as planilhas na tela. Marcus entrava com relatórios e saía sem que Vincent lembrasse do que tinham conversado.
Na quinta-feira, Marcus entrou na sala sem bater, o rosto tenso.
— Você precisa ver uma coisa.
Ele colocou o tablet na mesa. Na tela, um e-mail interno, encaminhado por engano para a lista geral da diretoria: Danielle Carter havia aceitado a proposta da Whitfield Capital. Diretora de operações. Início em duas semanas.
Vincent sentiu o chão sumir.
— Isso chegou quando?
— Ontem à noite. — Marcus hesitou. — Vincent, ela assinou o contrato.
— Ela nunca teria aceitado sem falar comigo antes.
— Talvez seja exatamente por isso que ela não falou.
Vincent pegou o telefone e ligou direto para Sarah, sem rodeios.
— Ela assinou com a Whitfield?
Sarah demorou para responder, e o silêncio dela já era resposta suficiente.
— Ela precisava de uma saída, Vincent. Um jeito de parar de esperar por algo que talvez nunca fosse acontecer de verdade.
— Ela não confia em mim.
— Ela confiava em você mais do que em qualquer pessoa na vida dela, por sete anos. — A voz de Sarah ficou mais dura. — E você só percebeu isso depois que ela colocou um pedido de demissão na sua mesa. Agora me diz: por que ela deveria confiar que dessa vez é diferente?
Vincent ficou sem palavras.
— Onde ela está agora?
— No aeroporto. Vai pra Chicago hoje à noite, pra fechar os detalhes com a Whitfield antes de começar.
Vincent olhou o relógio. Duas horas até o voo.
Ele não pensou duas vezes. Pegou o casaco, ignorou as reuniões marcadas, e correu para o elevador.
No caminho, ligou de novo para Danielle. Dessa vez, ela atendeu.
— Vincent, eu já disse que preciso de espaço.
— Eu sei. E eu vou te dar espaço, prometo. Mas antes eu preciso te dizer uma coisa, e não posso dizer por telefone.
— Não tenho tempo pra isso agora.
— Então eu vou correndo atrás do seu tempo — disse ele, o motorista acelerando pela avenida. — Porque é isso que eu deveria ter feito nos últimos sete anos, em vez de esperar que você viesse até mim.
Um silêncio na linha. Depois, baixinho:
— Eu estou no portão 22.
— Não deixa eles fecharem esse portão.
O trânsito de Manhattan parecia conspirar contra ele — semáforos vermelhos, um caminhão de entrega bloqueando a via, um segundo de pânico quando o motorista sugeriu um desvio mais longo. Vincent olhava o relógio a cada poucos segundos, o coração batendo mais forte do que em qualquer reunião de conselho da vida dele.
Quando finalmente chegou ao aeroporto, correu pelo saguão, ignorando os olhares curiosos, o terno amassado, a gravata torta. Encontrou Sarah primeiro, de pé perto do portão, os braços cruzados.
— Ela está ali — disse Sarah, apontando para os assentos de embarque, e depois, mais suave: — Não estraga isso, Vincent.
Ele caminhou até Danielle, que se levantou ao vê-lo, os olhos vermelhos, a bagagem de mão ao lado dos pés.
— Você não devia ter vindo — ela disse, mas a voz não tinha convicção nenhuma.
— Eu sei. — Vincent parou a um passo dela, sem fôlego. — Mas eu passei sete anos deixando você ir embora todo dia, de volta pro seu apartamento, sozinha, sem nunca perguntar se você queria ficar. Eu não ia deixar isso acontecer de novo, não dessa vez, não quando é a última chance.
O alto-falante anunciou o embarque final para o voo dela.
Danielle olhou para o portão, depois para ele, dividida entre dois caminhos que pareciam impossíveis de reconciliar.
— Eu tenho um contrato assinado, Vincent.
— Eu sei.
— Uma vida inteira te esperando não é um plano, é uma aposta que eu já perdi antes.
— Eu sei disso também. — Vincent respirou fundo. — Por isso eu não vim aqui pedir pra você cancelar o contrato. Vim pedir uma coisa bem mais simples.
— O quê?
— Perde esse voo. Só esse. E deixa eu te mostrar, nos próximos dias, que dessa vez é diferente. Se ainda assim você quiser ir pra Chicago depois disso, eu não vou te impedir. Mas não parte agora achando que eu não vi você. Porque eu vi. Finalmente vi.
O alto-falante chamou o nome dela pela última vez.
Danielle olhou para o portão, a mão apertando a alça da mala, o rosto molhado de lágrimas que ela não tentava mais esconder.
