Traga ela até mim, ele ordenou — e foi aí que o chefe da máfia viu o rosto machucado dela e perdeu o controle.

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Chapter 1

Traga ela até mim, ele ordenou — e foi aí que o chefe da máfia viu o rosto machucado dela e perdeu o controle.

O chefe da máfia viu um hematoma no rosto da mulher que procurava o irmão desaparecido — e então perguntou: “Qual dos meus homens colocou a mão em você?”

Elena Cruz entrou no escritório de Vittorio Marchetti preparada para implorar pela vida do irmão desaparecido — mas o chefe da máfia parou de ouvir no instante em que viu o hematoma escondido sob a maquiagem dela.

Quando ela sussurrou o nome do homem que a tinha agredido, Vittorio não gritou, não ameaçou, não tocou em nenhuma arma; ele só pegou o telefone e disse: “Tragam o Dominic Reyes até mim. Agora.”

Mas quando Dominic finalmente entrou pela porta, pálido e suando, a primeira coisa que ele disse não foi um pedido de desculpas — foi: “Chefe, antes de me punir, pergunte a ela por que o irmão dela realmente desapareceu.”

Vittorio Marchetti tinha passado quarenta e dois anos aprendendo que controle era mais seguro do que esperança.

Ele controlava os negócios, as casas, a agenda, os homens que trabalhavam para ele, até a expressão do próprio rosto quando chegava uma má notícia. O pai dele tinha ensinado cedo que emoção tornava as pessoas previsíveis, e homens previsíveis acabavam assustados, traídos, ou mortos.

Então, numa quinta-feira chuvosa, quando o motorista ligou dizendo que uma mulher chamada Elena Cruz estava se recusando a responder perguntas sobre o irmão desaparecido, Vittorio quase nem levantou os olhos dos papéis.

— Tragam ela.

Vinte minutos depois, as portas duplas se abriram.

Elena entrou sozinha.

Tinha vinte e oito anos, estava exausta, a chuva tinha molhado os ombros do casaco azul-marinho, barato. O cabelo escuro estava preso num coque solto que quase tinha se desfeito por completo, e três noites sem dormir deixaram sombras embaixo dos olhos dela.

Ela não parecia assustada.

Parecia furiosa.

— Onde está meu irmão?

Vittorio ergueu os olhos devagar.

— Sente-se.

— Vou ficar em pé.

Um dos homens perto da porta se mexeu, incomodado com o tom dela.

Vittorio ergueu um dedo.

O homem ficou parado.

— Qual é o nome do seu irmão?

— Matteo Cruz. Dezenove anos. Ele começou a fazer uns serviços pra um tal de Carlos há uns dois meses. Desapareceu na terça de manhã.

— Você acha que eu tenho ele?

— Eu acho que alguém que trabalha pra você sabe onde ele está.

Ela deu um passo à frente.

— E eu não vou embora até alguém me contar.

Vittorio quase admirou a coragem dela.

Então a luz da janela bateu no rosto dela.

Tudo dentro dele parou.

Havia uma mancha escura sob a maquiagem, na altura da maçã do rosto esquerda.

Não era dramática.

Não era recente o suficiente pra ainda sangrar.

Mas era inconfundível.

Então Elena cruzou os braços, e a manga do casaco escorregou.

Marcas de dedos escureciam o pulso dela.

A cadeira de Vittorio se arrastou baixinho no chão quando ele se levantou.

— Quem fez isso?

Elena baixou os olhos.

— Meu irmão.

— Quem te tocou?

— Eu vim aqui falar do Matteo.

— E eu perguntei sobre você.

Ela ergueu o queixo.

— E daí?

A voz de Vittorio ficou mais baixa.

— Eu não pergunto uma terceira vez.

Pela primeira vez, a incerteza apareceu no rosto dela.

Ela olhou para os dois homens perto das portas, depois de volta para Vittorio.

— Foi um dos seus.

A sala esfriou.

— Nome.

— Dominic Reyes.

Vittorio não se mexeu.

Elena continuou.

— Ele foi até meu apartamento há duas noites perguntando onde estava o Matteo. Eu disse que não sabia.

Os dedos dela se fecharam.

— Ele achou que eu estava mentindo.

Os olhos de Vittorio desceram de novo para o pulso dela.

— Ele te segurou com força.

— Sim.

— E seu rosto?

Elena engoliu em seco.

— Ele me bateu.

Nenhum dos dois guardas se mexeu.

Ninguém respirava alto.

Vittorio pegou o telefone.

Apertou um botão.

— Encontrem o Dominic Reyes.

Uma pausa.

— Tragam ele pra esse escritório agora.

Ele desligou.

Elena arregalou os olhos.

— Você não precisa…

— Preciso sim.

A resposta dele cortou a fala dela.

— Eu preciso fazer isso.

Vittorio foi até a janela porque não confiava na própria expressão.

Vinte e sete anos antes, ele tinha visto o pai bater na mãe numa mesa de jantar, e depois explicar que raiva era um privilégio de homem.

Vittorio tinha prometido a si mesmo que nunca seria esse tipo de homem.

Ainda assim, aparentemente, em algum lugar sob o próprio nome dele, outro homem tinha aprendido que assustar uma mulher inocente era aceitável.

Atrás dele, Elena disse, baixinho:

— Eu ainda preciso do meu irmão.

Vittorio se virou.

— E você vai ter uma resposta.

Ele pegou o telefone de novo.

— Encontrem o Carlos. Rastreiem o último serviço do Matteo. Eu quero o garoto encontrado ainda hoje à noite.

Quarenta minutos se passaram.

Então passos ecoaram do lado de fora das portas duplas.

Elena se endireitou.

As portas se abriram.

Dominic Reyes entrou.

O rosto dele mudou quando viu Elena.

Depois viu Vittorio.

Toda a cor sumiu do rosto dele.

Vittorio contornou a mesa.

— Você colocou a mão nessa mulher.

Dominic engoliu em seco.

— Chefe, eu posso explicar.

— Eu recomendo que explique.

Dominic olhou para Elena.

Depois de volta para Vittorio.

— Eu tava tentando achar o Matteo porque o Carlos me disse que o garoto roubou uma coisa.

A cabeça de Elena virou na direção dele.

— O quê?

A voz de Dominic tremeu.

— A carga que sumiu não era o problema de verdade.

Vittorio ficou imóvel.

Dominic sussurrou:

— O Matteo viu quem levou.

E de repente Elena entendeu que o irmão não estava escondido porque era culpado.

Ele estava escondido porque alguém dentro da organização de Vittorio Marchetti queria ele calado.

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