Chapter 2
A casa inteira virou um cenário de guerra em questão de minutos.
Adrian trancou cada saída, posicionou homens em cada corredor, e mandou chamar seu chefe de segurança, um homem de meia-idade chamado Victor, com uma cicatriz atravessando a sobrancelha esquerda.
— Reúna todo mundo na sala principal. Ninguém sai, ninguém entra, até eu descobrir quem fez isso.
Lucas, já estabilizado depois de uma lavagem rápida feita pela equipe médica — o resíduo tinha sido identificado como uma dose pequena, mas potente, de um sedativo perigoso pra recém-nascidos, provavelmente colocado na água usada pra preparar uma das mamadeiras de reserva — dormia agora tranquilo nos meus braços, a cor de volta ao rosto.
— Ele vai ficar bem — o Dr. Bennett confirmou, ainda tenso. — Mas se a dose fosse um pouco maior, ou se você não tivesse notado tão rápido…
Ele não precisou terminar a frase.
Todos na sala principal — cozinheiros, faxineiras, dois seguranças mais novos, uma babá que raramente aparecia — estavam visivelmente apavorados, alinhados contra a parede sob o olhar gelado de Adrian.
— Alguém nessa casa tentou matar meu filho — ele disse, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça que fez até os seguranças mais durões engolirem em seco. — E eu vou descobrir quem foi, com ou sem a colaboração de vocês.
— Senhor Vale — Victor interveio, tentando manter a ordem. — Deixa eu conduzir o interrogatório de forma organizada.
— Faz isso rápido.
Sentei num canto discreto, ainda segurando Lucas, observando o interrogatório se desenrolar — perguntas diretas, verificação de horários, quem tinha acesso à cozinha, quem tinha preparado a água usada naquela manhã.
Uma das cozinheiras, uma mulher mais nova chamada Priscilla, começou a chorar antes mesmo de ser questionada diretamente.
— Eu não fiz nada, juro.
— Ninguém disse que você fez — Victor respondeu, calmo, mas observando cada reação com atenção.
— Mas eu preparei a mamadeira de reserva essa manhã.
A sala inteira prendeu a respiração.
Adrian se aproximou dela devagar, o corpo inteiro irradiando uma calma perigosa.
— Quem te pediu pra preparar essa mamadeira específica?
— Ninguém, senhor. Era rotina, eu sempre preparo uma de reserva.
— Alguém entrou na cozinha enquanto você preparava?
Priscilla hesitou, os olhos se enchendo de lágrimas de novo.
— A senhora Coleman. Ela trouxe um chá pra mim, disse que eu parecia cansada. Fiquei tomando enquanto terminava de preparar a mamadeira.
Todos os olhos se viraram pra uma mulher mais velha, elegante, parada num canto mais afastado — a governanta da casa, presente ali havia mais de quinze anos, desde antes mesmo do casamento de Adrian com Isabel.
— Margaret? — Adrian perguntou, incrédulo.
A mulher manteve a expressão perfeitamente controlada.
— Não sei do que essa menina está falando.
— Você trouxe chá pra Priscilla essa manhã?
— Trago chá pra várias pessoas, Adrian. Sempre trouxe.
— Enquanto ela preparava a mamadeira do meu filho.
— Coincidência, presumo.
Alguma coisa no tom controlado demais de Margaret me deu um arrepio, e Lucas, como se sentisse a tensão no ar, se mexeu inquieto nos meus braços.
Adrian olhou pra Margaret por um longo momento, os olhos estreitando.
— Victor, revista o quarto dela. Agora.
— Isso é um ultraje — Margaret disse, mas havia algo na voz dela, um tremor quase imperceptível, que traiu a confiança que ela tentava projetar.
Enquanto os homens de Adrian subiam as escadas, ele se virou pra mim, o rosto ainda tenso, mas os olhos suavizando ao encontrar os meus.
— Você está bem?
— Estou. Lucas está bem também.
— Obrigado por perceber a tempo.
— Não me agradeça ainda. A gente ainda não sabe o motivo de tudo isso.
Como se as palavras fossem um chamado, Victor voltou, descendo as escadas com passos rápidos, um envelope pardo na mão, o rosto sério.
— Senhor Vale, precisa ver isso.
