Chapter 5
O ataque veio três dias depois, exatamente quando Adrian começava a organizar segurança extra.
Eu estava no jardim interno da propriedade, Lucas no carrinho ao meu lado, aproveitando um dos raros momentos de sol depois de semanas de tensão constante, quando o som de vidro quebrando ecoou pela lateral da casa.
Gritos.
Tiros distantes.
Um dos seguranças mais jovens correu na minha direção, o rosto pálido.
— Senhora Brooks, precisa ir pro cofre agora. É uma invasão.
Peguei Lucas no colo instintivamente, o coração disparado, seguindo o segurança por corredores que eu já conhecia de cor depois de semanas morando ali, até uma sala reforçada escondida atrás da biblioteca, o chamado “cofre” que Adrian tinha me mostrado semanas antes, “só por precaução”.
De dentro da sala reforçada, ouvi os sons abafados de um confronto se desenrolando na casa — mais tiros, gritos em italiano e inglês misturados, móveis sendo derrubados.
Lucas começou a chorar, sentindo minha tensão, e eu o embalava desesperadamente, tentando manter silêncio, o coração batendo tão forte que doía.
Depois do que pareceram horas, mas provavelmente foram só minutos, a porta do cofre se abriu.
Adrian estava lá, um corte sangrando na testa, mas vivo, os olhos imediatamente procurando os meus.
— Vocês estão bem?
— Estamos. O que aconteceu?
— Rocco mandou uma equipe pequena, achando que conseguiria pegar vocês dois de surpresa antes que eu conseguisse reforçar a segurança. Meus homens conseguiram conter, mas ele fugiu antes que a gente conseguisse capturá-lo.
— Isso não acaba então.
— Não. Não enquanto ele estiver vivo.
Adrian se ajoelhou na minha frente, tocando o rosto de Lucas com um cuidado que contrastava completamente com a violência que eu sabia que ele tinha acabado de exercer em algum lugar daquela casa.
— Hannah, eu preciso terminar isso definitivamente. Não só pela segurança do Lucas, mas pela sua também. Você entrou nessa vida sem escolher, e não é justo que continue pagando o preço dela.
— Adrian, eu escolhi ficar. Sabia dos riscos.
— Não desse jeito. Não sabia que ia colocar sua vida em perigo direto.
— Não vou fugir agora.
— Eu sei — ele disse, um leve sorriso triste aparecendo. — Já devia imaginar que você diria isso.
Ele se levantou, a determinação voltando aos olhos dele com uma força quase palpável.
— Vou terminar isso amanhã. De uma vez por todas. Preciso que você e Lucas fiquem numa localização segura, fora da cidade, até eu resolver.
— E se algo der errado?
— Então pelo menos vocês dois estarão seguros, e é a única coisa que realmente importa pra mim agora.
Passamos aquela noite juntos, sem palavras desnecessárias, só a presença um do outro e de Lucas dormindo tranquilo entre nós, uma pequena ilha de paz no meio de uma tempestade que ainda não tinha terminado.
