— Por favor — sussurrou o chefe da máfia mais temido do porto de Nova York, segurando o filho recém-nascido faminto sob as luzes moribundas da minha padaria.

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Chapter 4

As semanas seguintes trouxeram uma nova rotina, mais calma, mas ainda carregada de tensão latente.

Margaret enfrentava um processo criminal formal, e Adrian, apesar de todo o poder que tinha no submundo, insistiu em deixar a justiça seguir seu curso normal — “Isabel nunca aprovaria vingança sobre a própria família, mesmo depois disso tudo”, ele me disse uma noite, olhando pro retrato dela na parede do corredor principal.

Lucas crescia forte, os episódios de choro noturno diminuindo aos poucos, substituídos por sorrisos cada vez mais frequentes que arrancavam expressões de puro deslumbramento até dos seguranças mais durões da casa.

Adrian e eu desenvolvemos uma proximidade que nenhum dos dois esperava.

Ele começou a aparecer nas mamadas noturnas, mesmo sem necessidade prática, só pra observar, sentado numa cadeira ao lado da minha, o rosto suavizando de um jeito que eu duvidava que qualquer outra pessoa naquela casa já tivesse presenciado.

— Você era assim com Isabel? — perguntei, numa dessas noites, curiosa mas cautelosa.

— Éramos apaixonados — ele respondeu, depois de um momento. — Mas ela odiava esse mundo que eu construí. Vivíamos em tensão constante, ela pedindo pra eu sair do negócio, eu dizendo que era tarde demais pra isso.

— E agora?

— Agora eu olho pro Lucas e penso que talvez seja hora de considerar isso de verdade. Sair. Ou pelo menos me afastar o suficiente pra proteger ele de tudo isso.

— Isso é possível, no seu mundo?

Ele hesitou, os olhos escurecendo por um segundo.

— Difícil. Mas não impossível. Existem homens que já fizeram isso antes, com o preço certo pago às pessoas certas.

Numa tarde, enquanto eu dava banho em Lucas na banheira pequena instalada especialmente pra ele, Adrian apareceu na porta, observando em silêncio por um momento antes de falar.

— Hannah, eu preciso te contar uma coisa, e não sei como você vai reagir.

— Fala.

— Isabel não morreu de complicações naturais no parto, como todo mundo pensa.

Meu corpo inteiro travou.

— O que aconteceu, então?

— Um rival, Salvatore Rocco, descobriu a gravidez dela e tentou usar isso como vantagem, ameaçando a segurança dela caso eu não cedesse território que ele queria. Isabel foi atacada durante um passeio de rotina, um “acidente” de carro que, na verdade, foi um atentado direcionado. Ela sobreviveu ao impacto inicial, mas as complicações no parto de emergência a mataram dias depois.

Meu coração apertou por uma mulher que eu nunca tinha conhecido, mas cuja tragédia agora se entrelaçava tão intimamente com a minha própria.

— E Rocco continua por aí?

— Continua. E, há dois dias, um dos meus informantes me avisou que ele descobriu sua existência, Hannah. E a existência do Lucas vivo e saudável.

O medo gelou meu estômago.

— Ele sabe que eu estou cuidando do Lucas?

— Sabe. E, pelo que meu informante sugere, ele pode ver isso como uma nova oportunidade de me atingir, exatamente como fez com Isabel.

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