Chapter 5
Renata morava num apartamento pequeno, mas bem cuidado, do outro lado da cidade, longe do mundo de reuniões societárias e testamentos que dominava a vida dos Sterling havia gerações.
Quando abriu a porta e viu Simon, o rosto dela mudou instantaneamente, passando de curiosidade cautelosa pra algo mais complicado.
“Simon? O que está acontecendo?”
“Renata, essa é Sarah”, Simon disse, com gentileza. “Ela era casada com Daniel Sterling. E esse é o Leo.”
O nome “Sterling” pareceu atravessar Renata como uma corrente elétrica. Ela olhou pra mim, depois pro Leo, os olhos enchendo de lágrimas antes mesmo de qualquer explicação.
“Vocês sabem”, ela disse, mais afirmação do que pergunta. “Vocês sabem sobre mim.”
“Arthur me contou ontem”, eu disse, gentilmente. “Posso entrar? Temos muita coisa pra conversar, e não temos muito tempo.”
Sentados na sala pequena de Renata, contei tudo o que sabia — o testamento, a pressão de Julian, a tentativa de consolidar as ações antes que a existência dela viesse à tona.
“Eu sempre soube que meu pai biológico era rico”, Renata disse, a voz tremendo. “Minha mãe me contou quando eu tinha dezoito anos, mas ela sempre disse que eu não devia procurar ele. Que ele tinha outra família, e que eu ia só criar problema.”
“Você nunca quis reivindicar nada?”, perguntei.
“Eu nunca quis dinheiro”, ela respondeu, com uma sinceridade que doeu de tão genuína. “Eu só… às vezes eu me perguntava como seria ter um pai de verdade. Um irmão.”
Leo, que tinha ficado quieto ouvindo a conversa dos adultos, puxou minha manga.
“Mamãe, ela é minha tia?”
A pergunta simples e direta de uma criança de nove anos fez Renata soltar um soluço que ela claramente tentava segurar havia anos.
“Sou”, ela disse, se ajoelhando na altura dele. “Acho que sou, sim.”
Simon, que tinha ficado observando em silêncio perto da porta, finalmente falou. “Arthur pediu pra eu trazer isso.” Ele entregou a Renata um envelope grosso. “É o resultado do teste de DNA que ele fez em segredo há dois anos, quando descobriu que Julian andava investigando. E os documentos legais reconhecendo você oficialmente como filha dele.”
Renata abriu o envelope com as mãos trêmulas, os olhos correndo pelas páginas.
“Por que ele nunca me procurou antes, se já tinha isso há dois anos?”
“Porque ele estava com medo”, eu respondi, lembrando das palavras de Arthur na noite anterior. “Medo de como Martha reagiria depois de tantos anos, medo de como Julian reagiria sabendo que perderia parte do controle que sempre quis. Mas, principalmente, acho que ele estava esperando o momento certo pra fazer isso direito — reconhecendo você não como uma ameaça aos planos de outra pessoa, mas como filha dele, de verdade.”
Meu celular vibrou. Uma mensagem de Arthur.
“Julian descobriu que vocês saíram. Está furioso. Voltem pra casa agora — preciso de vocês aqui pra
