Por três anos, eu trabalhei a três metros do homem mais perigoso de Savannah e, de alguma forma, continuei invisível pra ele.

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Chapter 2

A pergunta ficou suspensa no ar entre nós, o barulho da festa parecendo sumir por um segundo.

— Pra ninguém em especial — respondi, tentando manter a voz firme. — Só decidi usar algo diferente hoje.

Adrian não desviou o olhar.

— Diferente é uma forma gentil de descrever isso.

— Isso é reclamação, Sr. King?

Alguma coisa cruzou o rosto dele, quase um sorriso, mas controlado demais pra se formar de verdade.

— Não é reclamação nenhuma, Olivia.

Antes que eu pudesse responder, Priscilla apareceu ao lado dele, a taça de champanhe balançando na mão, o sorriso afiado de sempre.

— Adrian, que bom te ver aqui. Achei que você fosse pular esses eventos sociais chatos.

— Eu costumo pular — ele respondeu, sem desviar os olhos de mim. — Hoje decidi que valia a pena ficar.

Priscilla seguiu o olhar dele até mim, e o sorriso dela vacilou por uma fração de segundo.

— Olivia, que surpresa te ver aqui vestida assim.

— Obrigada, Priscilla.

— Foi um elogio? — ela perguntou, sem esconder o veneno.

— Não importa como você quis dizer — Adrian interrompeu, a voz baixa, mas com um corte que fez Priscilla recuar visivelmente. — Importa que a Olivia está impecável essa noite, e eu prefiro que a conversa continue assim.

Priscilla ficou sem palavras, algo raro pra ela, antes de se retirar com uma desculpa qualquer sobre “cumprimentar outros convidados”.

Fiquei olhando pra Adrian, tentando entender aquele homem que, por três anos, tinha sido só ordens curtas e frieza profissional.

— Você não precisava fazer isso — falei, baixinho.

— Precisava, sim.

— Por quê?

Ele deu um passo mais perto, a voz ficando mais grave.

— Porque você trabalha ao meu lado há três anos, Olivia, e eu deixei comentários como os dela acontecerem debaixo do meu nariz sem dizer nada. Isso já foi um erro meu tempo demais.

Senti um arrepio, misto de surpresa e algo mais quente, mais perigoso.

— Você percebeu isso?

— Eu percebo tudo, Olivia. Só nem sempre ajo do jeito que deveria.

A orquestra começou uma música mais lenta, e, antes que eu processasse o que estava acontecendo, Adrian estendeu a mão.

— Dança comigo.

Não era pergunta.

Mas, pela primeira vez, eu não me importei com a falta de escolha implícita nisso.

Aceitei a mão dele, e ele me guiou pra pista, o corpo dele próximo o suficiente pra eu sentir o calor irradiando através do terno.

— Três anos — ele murmurou, enquanto dançávamos. — Três anos fingindo que só via a secretária competente na minha frente.

— E o que você via, na verdade?

Ele hesitou, algo vulnerável cruzando os olhos dele, tão diferente do homem controlado que Savannah inteira temia.

— Via alguém que eu não tinha o direito de notar daquele jeito, considerando tudo que minha vida envolve.

Meu coração disparou.

— E agora?

— Agora, Olivia, eu percebi que ignorar isso por mais tempo seria um erro maior do que qualquer risco que isso possa trazer.

Antes que eu pudesse responder, o celular dele vibrou insistentemente no bolso do terno.

Ele checou a tela, o rosto endurecendo instantaneamente.

— Preciso atender isso.

— Está tudo bem?

— Não sei ainda.

Ele se afastou poucos passos, atendendo a ligação com a voz baixa, tensa, falando em frases curtas que eu não conseguia decifrar completamente.

Quando desligou, voltou pra perto de mim, a expressão sombria.

— Olivia, preciso que você venha comigo agora. É sobre um carregamento que chegou hoje no porto, e há razões pra acreditar que alguém dentro da empresa está passando informação pra pessoas que eu não quero perto de mim, ou de você.

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