Por três anos, eu trabalhei a três metros do homem mais perigoso de Savannah e, de alguma forma, continuei invisível pra ele.

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Chapter 4

— Como você conhece o Grant? — perguntei, a voz mal saindo, o choque tomando conta de tudo.

Priscilla evitou meu olhar, visivelmente envergonhada.

— Ele me procurou há duas semanas, dizendo que trabalhava numa empresa de logística concorrente, oferecendo uma parceria “consultiva” que pagava absurdamente bem por informações simples sobre rotas e horários.

— E você simplesmente confiou nele? — Adrian perguntou, a fúria controlada evidente na voz.

— Ele disse que conhecia a Olivia, que tinha certeza de que as informações seriam usadas de forma legítima, só pra fins de análise de mercado.

Senti nojo, misturado com uma raiva antiga que eu achava que já tinha superado.

— Grant sempre foi manipulador — falei, mais pra mim mesma do que pros outros. — Mas eu nunca imaginei que ele fosse capaz disso.

Adrian se virou pra mim, a expressão preocupada.

— Você tem ideia do porquê dele fazer isso especificamente agora?

Pensei rapidamente, tentando conectar peças que antes pareciam desconexas.

— Ele sempre teve inveja de qualquer coisa que ele associasse ao meu sucesso, mesmo que indiretamente. Se ele descobriu que eu trabalho perto de você, talvez tenha visto uma oportunidade de, ao mesmo tempo, lucrar financeiramente e me prejudicar de alguma forma.

— Isso é pessoal, então — Adrian concluiu, a voz sombria. — Não é só sobre dinheiro.

Marcus, que tinha nos seguido até o escritório de Priscilla, verificou algo rapidamente no celular.

— Sr. King, rastreei o número que a Srta. Vance usou pra se comunicar com esse “Grant Hollis”. Encontrei conexões com uma empresa de fachada ligada a um antigo rival seu, Damon Reyes.

O nome pareceu atingir Adrian fisicamente.

— Damon Reyes está tentando voltar pro mercado de Savannah há anos, desde que eu tirei a operação dele do porto.

— E ele encontrou o parceiro perfeito num homem ressentido, disposto a usar informações íntimas sobre a Olivia pra conseguir acesso — completei, a peça final se encaixando.

Priscilla, finalmente parecendo genuinamente arrependida, se dirigiu a mim diretamente.

— Olivia, eu sinto muito. Eu não sabia que ele tinha essa história com você. Eu só queria… me destacar, conseguir algum reconhecimento que sempre pareceu vir fácil demais pra outras pessoas.

Encarei ela, sentindo uma mistura complicada de raiva e, surpreendentemente, um pouco de compreensão.

— Isso não desculpa o que você fez, Priscilla. Mas obrigada por finalmente contar a verdade.

Adrian se virou pra Marcus, a voz recuperando o comando frio de sempre.

— Localize Grant Hollis imediatamente. E prepare tudo que temos sobre a conexão dele com Damon Reyes. Isso vai virar um problema muito maior pra eles do que jamais imaginaram.

Naquela noite, de volta ao apartamento de Adrian, onde ele insistiu que eu ficasse por segurança, sentei no sofá, ainda processando tudo.

— Isso é surreal — falei, olhando pras mãos tremendo levemente. — Meu ex-namorado, de alguma forma, virou uma ameaça de segurança corporativa.

Adrian se sentou ao meu lado, mais próximo do que a situação profissional normalmente permitiria.

— Sinto muito que ele tenha voltado pra sua vida desse jeito, Olivia.

— Não é culpa sua.

— Talvez não diretamente. Mas é minha responsabilidade garantir que ele nunca mais chegue perto de te machucar, de qualquer forma.

Olhei pra ele, sentindo o peso genuíno por trás daquelas palavras.

— Por que você se importa tanto assim?

Ele hesitou, os olhos carregados de algo que parecia sincero demais pra ser só proteção profissional.

— Porque, Olivia, eu passei anos ignorando o quanto reparava em você, com medo de que envolver você na minha vida significasse expô-la a exatamente esse tipo de perigo. E, ironicamente, ignorar isso não te protegeu de nada.

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