Chapter 3
No carro, a caminho do porto, Adrian me explicou, em frases curtas e tensas, que um carregamento específico tinha sido interceptado por autoridades federais horas antes de chegar ao destino combinado.
— Isso nunca aconteceu antes — ele disse, os dedos batendo nervosamente no volante. — Nós temos proteção suficiente pra evitar exatamente esse tipo de problema.
— O que isso significa? — perguntei, o medo começando a se instalar.
— Significa que alguém, de dentro da empresa, vazou informações precisas sobre rota, horário e conteúdo. Alguém com acesso direto aos meus arquivos mais confidenciais.
Meu estômago revirou, lembrando de repente de todas as vezes em que organizei documentos sensíveis, sem nunca imaginar que estava no meio de algo tão perigoso.
— Você acha que sou eu? — perguntei, a voz tremendo.
Adrian parou o carro abruptamente, virando-se pra mim com uma intensidade que me pegou de surpresa.
— Nunca. Nem por um segundo, Olivia.
— Então quem?
— Isso é exatamente o que precisamos descobrir.
No escritório principal do porto, encontramos Marcus, o chefe de segurança de Adrian, revisando registros de acesso com uma expressão tensa.
— Sr. King, encontramos algo estranho. Alguém acessou o sistema de rotas às 22h de ontem, usando as credenciais de… — ele hesitou, olhando pra mim, desconfortável.
— Fala logo, Marcus — Adrian ordenou.
— As credenciais da Srta. Vance.
Senti um misto de alívio e choque.
— Priscilla?
— Aparentemente, sim. Mas as credenciais dela também poderiam ter sido roubadas, ou emprestadas, então não é conclusivo ainda.
Adrian fechou os olhos por um instante, absorvendo aquilo.
— Priscilla trabalha comigo há seis anos. Ela conhece os riscos envolvidos melhor do que ninguém.
— Isso não significa que ela não teria motivo — argumentei, pensando em como ela sempre parecia ressentida, competitiva, disposta a qualquer coisa pra se destacar.
— Que motivo ela teria pra sabotar a própria empresa?
— Talvez não seja sabotagem — Marcus interveio. — Talvez seja negociação com um comprador rival, vendendo informação pra ganhar vantagem em outro lugar.
A tensão na sala aumentou visivelmente.
— Preciso falar com ela, imediatamente — Adrian decidiu, já se movendo em direção à porta.
— Adrian, espera — segurei o braço dele, hesitante. — Se ela realmente estiver envolvida em algo perigoso, confrontar diretamente pode ser arriscado.
Ele parou, olhando pra minha mão no braço dele, depois pros meus olhos, algo suavizando na expressão tensa.
— Você está preocupada comigo.
— Estou preocupada com nós dois, agora, aparentemente.
Um pequeno sorriso, cansado mas genuíno, cruzou o rosto dele.
— Vamos fazer isso com cuidado, então. Juntos.
Encontramos Priscilla em seu próprio escritório, tarde da noite, claramente surpresa com a visita inesperada.
— Adrian? Olivia? O que estão fazendo aqui a essa hora?
— Precisamos conversar sobre o carregamento interceptado hoje — Adrian disse, direto, observando cada reação dela com atenção calculista.
O rosto de Priscilla perdeu um pouco da cor.
— Eu não sei do que você está falando.
— Suas credenciais foram usadas pra acessar informações confidenciais de rota, horas antes da interceptação.
Ela hesitou, os olhos passeando entre Adrian e eu, algo parecido com pânico crescendo na expressão dela.
— Eu posso explicar isso, Adrian. Mas não na frente dela.
— Qualquer coisa que você tenha pra dizer, pode dizer na frente da Olivia.
Priscilla respirou fundo, as mãos tremendo levemente.
— Eu não vendi informação pra ninguém, Adrian. Mas… emprestei minhas credenciais pra alguém que jurou que precisava só verificar um detalhe administrativo simples.
— Quem?
Ela hesitou mais uma vez, antes de finalmente sussurrar um nome que fez o sangue de Adrian gelar visivelmente.
— Grant Hollis.
Meu coração parou completamente.
— Meu ex-namorado?
