Por três anos, eu trabalhei a três metros do homem mais perigoso de Savannah e, de alguma forma, continuei invisível pra ele.

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Chapter 5

Grant Hollis foi localizado dois dias depois, tentando embarcar num voo pra Miami, claramente tentando fugir antes que as consequências o alcançassem.

Adrian, com evidências suficientes reunidas por Marcus provando a conexão dele com Damon Reyes, entregou tudo diretamente às autoridades federais, garantindo que Grant enfrentasse acusações sérias por espionagem corporativa e conspiração.

— Ele nunca mais vai chegar perto de você — Adrian me disse, no dia em que a notícia da prisão de Grant chegou. — Nem ele, nem Damon Reyes vão representar ameaça alguma depois disso.

Sentei na cadeira do escritório dele, ainda processando o alívio de ver, finalmente, aquele capítulo antigo da minha vida sendo encerrado de vez.

— Isso encerra tudo? — perguntei.

— Encerra a ameaça. Mas espero que não encerre isso — ele gesticulou entre nós dois, a voz mais vulnerável do que eu já tinha ouvido dele.

Priscilla, por sua vez, enfrentou consequências profissionais severas, mas, reconhecendo a cooperação dela em expor todo o esquema, Adrian decidiu não destruí-la completamente, oferecendo a ela a chance de reconstruir a reputação através de um período de supervisão rigorosa.

— Obrigada por não me demitir na hora — ela me disse, dias depois, genuinamente humilde pela primeira vez desde que eu a conhecia.

— Todo mundo merece uma segunda chance, Priscilla. Só não desperdice essa.

Semanas depois, numa noite tranquila no apartamento de Adrian, onde eu já tinha, discretamente, começado a deixar algumas roupas e itens pessoais, ele me encontrou na cozinha, preparando café pra nós dois.

— Sabe — ele disse, se aproximando por trás, os braços envolvendo minha cintura com uma naturalidade que ainda me surpreendia — eu ainda me lembro exatamente do que senti quando te vi naquele vestido preto, na festa.

— O quê exatamente você sentiu?

— Terror.

Ri, virando-me nos braços dele.

— Terror?

— Terror de perceber que eu já tinha te notado há muito mais tempo do que eu jamais admiti pra mim mesmo, e que continuar fingindo indiferença seria o maior erro da minha vida.

Toquei o rosto dele, sentindo a barba por fazer sob meus dedos, a mesma sensação de segurança que eu nunca soube que precisava até conhecer aquele lado dele.

— E agora, sem terror nenhum?

— Agora só certeza, Olivia. De que a mulher que passou anos se desculpando por existir do jeito que existe é exatamente a mulher que eu quero ao meu lado, sem desculpas nenhuma.

Ele me beijou, devagar, carregando naquele gesto tudo que as palavras, sozinhas, nunca conseguiriam expressar completamente.

Meses depois, olhando pra trás, pra toda a jornada desde aquela noite em que troquei o cardigã cinza pelo vestido preto, entendi finalmente que a verdadeira transformação nunca esteve no vestido, ou no corpo que eu passei a vida tentando mudar pros outros.

Estava em finalmente escolher parar de me esconder, e deixar que alguém genuíno enxergasse, de verdade, quem eu sempre fui.

Quantas vezes a gente se esconde atrás de roupas largas, silêncio e desculpas, só porque alguém, muito tempo atrás, nos convenceu de que não merecíamos ocupar espaço do jeito que realmente somos?

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