Sangue numa toalha branca dentro de um restaurante privado em Manhattan geralmente significava que a carreira de alguém tinha acabado — ou a vida de alguém

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Chapter 4

A reunião foi marcada para o dia seguinte, num salão privado do Hotel Carlyle, escolhido por Sokolov por acreditar que era território neutro.

Ele não sabia que dois dos garçons contratados especialmente para o evento trabalhavam, na verdade, para Volkov havia anos.

Eu observava tudo de uma sala adjacente, através de um espelho falso, o coração disparado enquanto via, pela primeira vez em doze anos, o rosto do homem que tinha destruído minha família.

Dimitri Sokolov envelheceu de um jeito que carregava arrogância em cada gesto — terno impecável, relógio ostensivamente caro, um sorriso confiante demais para um homem prestes a cair.

— Ele parece tão comum — sussurrei para Volkov, que estava ao meu lado. — Depois de tudo que ele fez, eu esperava algo… diferente.

— Homens como ele nunca parecem monstros à primeira vista — respondeu Volkov, sério. — É exatamente isso que os torna perigosos.

Na sala principal, Sokolov cumprimentava os homens de Volkov com falsa cordialidade, sem imaginar que cada palavra estava sendo gravada.

— Alexei está atrasado como sempre — comentou Sokolov, em russo, rindo com os próprios homens. — Deve estar tentando decidir qual terno combina com a idade dele.

Senti minhas mãos se fecharem em punhos.

Alguns minutos depois, Volkov entrou na sala principal, calmo, controlado, exatamente como eu já tinha aprendido a esperar dele.

— Dimitri — cumprimentou, com uma frieza educada. — Faz tempo.

— Tempo suficiente para as coisas mudarem, meu amigo — respondeu Sokolov, confiante. — Vamos discutir os novos territórios de forma civilizada, ou prefere continuar vivendo no passado?

— Eu adoraria discutir o passado, na verdade — respondeu Volkov, um brilho perigoso nos olhos. — Especificamente, uma noite há doze anos, em São Petersburgo.

O sorriso de Sokolov vacilou, quase imperceptivelmente.

— Não sei do que você está falando.

— Mikhail Orlov — disse Volkov, deixando o nome pairar no ar como uma lâmina suspensa.

O rosto de Sokolov perdeu qualquer resquício de cor.

— Isso é história antiga, Alexei. Um homem que tentou nos trair e pagou o preço por isso.

— Um homem que descobriu que você estava roubando de mim e vendendo informações para os Kozlov, e que pagou com a própria vida por ter descoberto a verdade.

Sokolov se levantou abruptamente.

— Você não tem provas de nada disso.

Foi nesse momento que Volkov fez um sinal discreto, e a porta da sala adjacente se abriu.

Caminhei para dentro do salão principal, sentindo cada olhar se voltar para mim, especialmente o de Sokolov, que empalideceu ainda mais ao me reconhecer, mesmo depois de tantos anos.

— Não pode ser — ele sussurrou, em russo, o sangue sumindo completamente do rosto. — A menina morreu naquela noite.

— Não morri — respondi, minha voz mais firme do que eu jamais imaginei que conseguiria. — Fiquei escondida naquele armário, ouvindo cada tiro, cada grito do meu pai implorando pela própria vida.

— Isso é impossível…

— Meu nome é Nadia Orlova — completei. — E eu passei doze anos esperando o dia em que poderia olhar você nos olhos e dizer que sei exatamente o que você fez.

Sokolov olhou desesperadamente ao redor, procurando alguma saída, mas os homens de Volkov já tinham bloqueado silenciosamente todas as portas.

— Alexei, isso é loucura. Você vai acreditar na palavra de uma menina que nem provas concretas tem?

— Ela não precisa de mais provas além da própria memória, Dimitri — respondeu Volkov, se aproximando lentamente. — Mas, para constar, meus investigadores passaram os últimos três anos reunindo documentação completa sobre cada transação que você fez às minhas costas, incluindo os pagamentos recebidos dos Kozlov logo após a morte de Mikhail Orlov.

Ele colocou uma pasta grossa sobre a mesa.

Sokolov olhou para a pasta como se ela pudesse explodir a qualquer momento.

— Você não tem autoridade para me julgar sozinho, Alexei. Existem regras entre nós.

— Você tem razão — concordou Volkov, surpreendendo a todos na sala, inclusive a mim. — Por isso, essa pasta também já está com pessoas específicas dentro da organização dos Kozlov, que ficarão extremamente interessadas em saber que você os usou como instrumento para eliminar um problema pessoal, disfarçando tudo como uma disputa territorial legítima.

O rosto de Sokolov se contorceu numa mistura de fúria e pânico genuíno.

— Você está assinando minha sentença de morte.

— Não — respondeu Volkov, friamente. — Eu estou apenas devolvendo a você exatamente o mesmo destino que você escolheu para Mikhail Orlov há doze anos. A diferença é que, dessa vez, a filha dele está viva para ver a justiça acontecer.

Dois dos guardas de Volkov se aproximaram de Sokolov, que tentou, em vão, alcançar algo dentro do paletó, antes de ser imobilizado rapidamente.

— Isso não vai ficar assim, Alexei! — gritou Sokolov, sendo arrastado para fora da sala. — Você vai se arrepender disso!

Quando finalmente ficamos sozinhos, senti as pernas cederem, e Volkov me segurou pelo braço, me ajudando a permanecer de pé.

— Está terminado, Nadia — disse ele, suavemente. — Doze anos de medo, terminados numa única noite.

Mas, ao olhar em seus olhos, percebi que havia algo mais ali — não apenas o fim de uma vingança antiga, mas o começo incerto de algo que eu ainda não sabia nomear completamente.

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