Sangue tinha secado quase preto na barra do meu casaco bege rasgado, um dos sapatos tinha sumido, e meu rosto inchado ainda ardia onde eles me acertaram — mas nada disso importava, porque o bebê de seis meses dormindo contra o meu peito estava vivo

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Chapter 4

Uma semana depois, a tensão dentro da casa segura aumentou drasticamente quando um dos seguranças relatou movimentação suspeita perto do perímetro externo.

Gabriel reforçou a segurança imediatamente, dobrando o número de homens ao redor da propriedade e restringindo qualquer saída desnecessária.

— Isso está relacionado a Victor? — perguntei, enquanto ele coordenava tudo pelo rádio, a tensão visível em cada movimento.

— Ainda não sei. Mas não vou arriscar.

Eli, sentindo a tensão ao redor, ficou mais chorão que o normal, recusando mamadeiras e acordando várias vezes durante a noite.

Numa dessas madrugadas, encontrei Gabriel na cozinha, preparando café numa hora absurda, os olhos pesados de exaustão acumulada.

— Você devia dormir — falei, ajeitando Eli no colo, tentando acalmá-lo.

— Não consigo. Não enquanto não resolvo isso.

Sentei ao lado dele, deixando Eli finalmente relaxar contra o meu peito.

— Conta o que está acontecendo de verdade, Gabriel. Não a versão resumida.

Ele hesitou por um longo momento antes de finalmente ceder.

— Recebi confirmação de que Victor teve contato com um número de telefone ligado a Marcus Doyle, um antigo rival da família que sumiu do radar há anos.

— E isso significa…

— Significa que talvez ele não tenha agido sozinho na emboscada. Talvez estivesse trabalhando para alguém que quer minha família extinta, um por um.

O peso daquela informação me deixou sem fôlego por um segundo.

— O que você vai fazer com Victor?

— Confrontá-lo. Em breve. Mas preciso ter certeza absoluta antes.

Naquela mesma noite, um barulho estranho no andar de baixo nos colocou em alerta máximo.

Gabriel se levantou instantaneamente, a mão já indo para a arma que carregava por baixo do paletó.

— Fica aqui com Eli — ele ordenou, saindo do quarto antes que eu pudesse protestar.

Os minutos que se seguiram foram os mais longos que já vivi, segurando Eli apertado contra o peito, ouvindo vozes abafadas e passos apressados pela casa.

Quando Gabriel voltou, o rosto estava tenso, mas aliviado.

— Falso alarme. Um dos seguranças achou ter visto movimento, mas era só um animal no jardim.

O alívio que senti foi acompanhado de uma exaustão emocional que finalmente me fez perceber o quanto aquela situação estava me consumindo.

— Isso não pode continuar assim para sempre — falei, a voz tremendo levemente. — Vivendo com medo a cada barulho estranho.

Gabriel se aproximou, sentando ao meu lado, os olhos carregando uma sinceridade que raramente eu via nele.

— Eu sei. E prometo que vou acabar com isso, de um jeito ou de outro.

— Como?

— Confrontando Victor amanhã. Cara a cara.

— Isso é perigoso.

— Tudo nessa vida é perigoso, Claire. A pergunta é se vale a pena o risco.

Olhei para Eli, dormindo tranquilo entre nós, e depois para Gabriel, cujos olhos não desgrudavam dos meus.

— E eu? — perguntei, baixinho. — Eu valho o risco também?

Ele levou a mão até meu rosto, tocando de leve o hematoma que ainda cicatrizava na minha bochecha, resquício daquela noite no túnel.

— Você é a razão pela qual eu ainda acredito que vale a pena lutar por alguma coisa além de vingança.

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