Chapter 5
O confronto com Victor aconteceu na manhã seguinte, num escritório particular longe da casa segura, com Mason e mais dois seguranças de confiança absoluta presentes como testemunhas.
Fiquei esperando notícias na casa segura, o coração disparado a cada minuto que passava sem contato.
Quando Gabriel finalmente voltou, horas depois, o rosto estava carregado de uma emoção complexa demais para eu identificar de imediato.
— E então? — perguntei, ansiosa.
— Ele confessou.
O peso daquelas duas palavras encheu o cômodo inteiro.
— Victor estava recebendo pagamentos de Doyle há meses — Gabriel continuou, a voz controlada, mas tremendo de raiva contida. — Informações sobre movimentações, rotinas, escalas de segurança. Ele foi quem vazou os detalhes do comboio.
— Por quê? Depois de anos trabalhando com você, ajudando você a investigar a morte do seu irmão?
— Dívidas de jogo que ele escondeu de todo mundo. Doyle ofereceu quitar tudo em troca de informação.
— E ele sabia o que estava colocando em risco?
— Ele disse que não imaginava que chegariam a atacar o comboio diretamente. Achou que fosse apenas vigilância, informação estratégica.
— Isso não desculpa nada.
— Eu sei.
Gabriel se sentou pesadamente, esfregando o rosto com as duas mãos, o cansaço acumulado de meses finalmente parecendo aflorar de uma vez.
— O que vai acontecer com ele agora? — perguntei, com cuidado.
— Isso não é problema seu, Claire.
— Gabriel.
Ele olhou para mim, e pela primeira vez desde que eu o conhecia, vi hesitação genuína nos olhos dele, como se estivesse decidindo se confiava em mim o suficiente para compartilhar aquele peso.
— Nesse mundo, traição tem consequências que a lei normal não aplica.
Entendi o que ele estava insinuando sem precisar de mais explicações, e um arrepio frio percorreu minha espinha.
— Isso te transforma em algo que você não quer ser? — perguntei, baixinho.
— Talvez eu já seja isso há muito tempo, só nunca tinha ninguém por perto capaz de me fazer questionar.
Fiquei em silêncio, absorvendo o peso daquela confissão, entendendo finalmente a profundidade do mundo em que eu tinha me envolvido sem escolher completamente.
— E Doyle? — perguntei. — O que acontece com ele?
— Victor nos deu localização, contatos, tudo que sabia. Estamos nos movendo contra ele agora, antes que perceba que foi descoberto.
— Isso é seguro?
— Nada é completamente seguro. Mas é necessário.
Naquela noite, a casa segura ficou em silêncio tenso, todos esperando notícias da operação contra Doyle.
Fiquei acordada com Eli no colo, incapaz de dormir, cada minuto de silêncio pesando mais que o anterior.
Perto do amanhecer, o celular de Gabriel, deixado sobre a mesa, vibrou insistentemente.
Hesitei, mas acabei atendendo, o medo maior que qualquer educação sobre privacidade.
— Está feito — disse a voz de Mason do outro lado. — Doyle foi neutralizado. Sem baixas do nosso lado.
O alívio que me tomou foi tão intenso que quase deixei o celular cair.
Quando Gabriel voltou horas depois, ferimentos leves cobertos por bandagens improvisadas, encontrou-me esperando na sala principal, incapaz de ter dormido nem um minuto.
— Está tudo acabado — ele disse, a voz carregada de um cansaço que parecia se estender por anos inteiros, não apenas por aquela noite.
Corri até ele, envolvendo-o num abraço que não pedi permissão para dar, sentindo o corpo dele relaxar contra o meu pela primeira vez desde que eu o conhecia.
