Sangue tinha secado quase preto na barra do meu casaco bege rasgado, um dos sapatos tinha sumido, e meu rosto inchado ainda ardia onde eles me acertaram — mas nada disso importava, porque o bebê de seis meses dormindo contra o meu peito estava vivo

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Chapter 5

O confronto com Victor aconteceu na manhã seguinte, num escritório particular longe da casa segura, com Mason e mais dois seguranças de confiança absoluta presentes como testemunhas.

Fiquei esperando notícias na casa segura, o coração disparado a cada minuto que passava sem contato.

Quando Gabriel finalmente voltou, horas depois, o rosto estava carregado de uma emoção complexa demais para eu identificar de imediato.

— E então? — perguntei, ansiosa.

— Ele confessou.

O peso daquelas duas palavras encheu o cômodo inteiro.

— Victor estava recebendo pagamentos de Doyle há meses — Gabriel continuou, a voz controlada, mas tremendo de raiva contida. — Informações sobre movimentações, rotinas, escalas de segurança. Ele foi quem vazou os detalhes do comboio.

— Por quê? Depois de anos trabalhando com você, ajudando você a investigar a morte do seu irmão?

— Dívidas de jogo que ele escondeu de todo mundo. Doyle ofereceu quitar tudo em troca de informação.

— E ele sabia o que estava colocando em risco?

— Ele disse que não imaginava que chegariam a atacar o comboio diretamente. Achou que fosse apenas vigilância, informação estratégica.

— Isso não desculpa nada.

— Eu sei.

Gabriel se sentou pesadamente, esfregando o rosto com as duas mãos, o cansaço acumulado de meses finalmente parecendo aflorar de uma vez.

— O que vai acontecer com ele agora? — perguntei, com cuidado.

— Isso não é problema seu, Claire.

— Gabriel.

Ele olhou para mim, e pela primeira vez desde que eu o conhecia, vi hesitação genuína nos olhos dele, como se estivesse decidindo se confiava em mim o suficiente para compartilhar aquele peso.

— Nesse mundo, traição tem consequências que a lei normal não aplica.

Entendi o que ele estava insinuando sem precisar de mais explicações, e um arrepio frio percorreu minha espinha.

— Isso te transforma em algo que você não quer ser? — perguntei, baixinho.

— Talvez eu já seja isso há muito tempo, só nunca tinha ninguém por perto capaz de me fazer questionar.

Fiquei em silêncio, absorvendo o peso daquela confissão, entendendo finalmente a profundidade do mundo em que eu tinha me envolvido sem escolher completamente.

— E Doyle? — perguntei. — O que acontece com ele?

— Victor nos deu localização, contatos, tudo que sabia. Estamos nos movendo contra ele agora, antes que perceba que foi descoberto.

— Isso é seguro?

— Nada é completamente seguro. Mas é necessário.

Naquela noite, a casa segura ficou em silêncio tenso, todos esperando notícias da operação contra Doyle.

Fiquei acordada com Eli no colo, incapaz de dormir, cada minuto de silêncio pesando mais que o anterior.

Perto do amanhecer, o celular de Gabriel, deixado sobre a mesa, vibrou insistentemente.

Hesitei, mas acabei atendendo, o medo maior que qualquer educação sobre privacidade.

— Está feito — disse a voz de Mason do outro lado. — Doyle foi neutralizado. Sem baixas do nosso lado.

O alívio que me tomou foi tão intenso que quase deixei o celular cair.

Quando Gabriel voltou horas depois, ferimentos leves cobertos por bandagens improvisadas, encontrou-me esperando na sala principal, incapaz de ter dormido nem um minuto.

— Está tudo acabado — ele disse, a voz carregada de um cansaço que parecia se estender por anos inteiros, não apenas por aquela noite.

Corri até ele, envolvendo-o num abraço que não pedi permissão para dar, sentindo o corpo dele relaxar contra o meu pela primeira vez desde que eu o conhecia.

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