Chapter 2
Adrian atravessou o corredor com passos firmes, ignorando completamente os seguranças do hospital que tentavam, sem sucesso, bloquear sua passagem.
Os homens de preto que o acompanhavam se espalharam pelas laterais, cobrindo cada saída, cada esquina, como se estivessem protegendo um chefe de estado, não um pai correndo para ver o filho.
Ele parou bem na minha frente, os olhos escuros fixos nos meus, e por um segundo o barulho do hospital inteiro pareceu sumir.
— Grace.
Só isso. Meu nome, na voz dele, depois de sete anos.
— Como você me encontrou? — consegui perguntar, a voz tremendo mais do que eu gostaria.
— Essa não é a pergunta certa agora. — Ele olhou na direção da Sala de Trauma Três, a mandíbula travada de um jeito que eu conhecia bem demais. — A pergunta certa é: por que eu só estou descobrindo que tenho um filho depois que ele quase morreu?
Aquilo me atingiu como um tapa.
— Adrian, eu posso explicar…
— Explica então. — Ele deu um passo mais perto, a voz baixa, controlada, mas carregada de uma dor que eu nunca tinha visto nele antes. — Sete anos, Grace. Sete anos escondendo meu filho de mim.
— Eu tinha meus motivos.
— Quais motivos justificam isso?
Antes que eu pudesse responder, uma médica se aproximou correndo, um tablet na mão, o rosto tenso.
— Sr. Blackwood, precisamos da sua autorização imediatamente. Seu tipo sanguíneo é compatível com um marcador extremamente raro que Ethan carrega. Sem essa transfusão específica, ele não vai sobreviver às próximas horas.
Adrian não hesitou nem um segundo.
— Façam o que for preciso. Usem meu sangue, minha equipe médica particular, o que precisarem. Dinheiro não é problema.
A médica assentiu e saiu correndo de volta para a sala.
Foi só depois disso que Adrian voltou a olhar para mim, e dessa vez havia algo além da raiva.
— Como você descobriu que ele tinha essa condição? — perguntei, tentando entender a dimensão daquilo tudo.
— Eu não sabia — ele admitiu. — O sistema do hospital está conectado a um protocolo internacional de doadores raros que eu financio há anos, através de uma das minhas fundações médicas. No momento em que o exame de sangue de Ethan bateu com o marcador genético específico da minha família, um alerta automático foi disparado, sem que ninguém do hospital soubesse por quê.
— Então você não sabia que ele era seu filho até esse alerta?
— Eu suspeitei no segundo em que vi o sobrenome dele na notificação. Bennett. O mesmo sobrenome que você usava quando desapareceu, sete anos atrás.
O peso daquilo me fez sentar numa das cadeiras do corredor, as pernas incapazes de sustentar meu peso por mais tempo.
— Eu não desapareci por capricho, Adrian.
— Então por qual motivo?
— Porque, na noite em que descobri que estava grávida, também descobri que você tinha ordenado a execução de três homens que trabalhavam para você, na sua própria sala, na frente de outras pessoas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
— Eu tive medo — continuei, a voz quebrando. — Medo de criar meu filho num mundo onde a vida das pessoas vale tão pouco. Medo de que, um dia, ele se tornasse parte disso, ou pior, virasse alvo de alguém querendo te atingir.
Adrian ficou em silêncio por um momento longo, os olhos fixos no chão, processando cada palavra.
— Eu mudei, Grace. Depois que você sumiu, eu… — ele parou, como se as palavras custassem caro demais para sair. — Eu me afastei de boa parte do que fazia antes. Não completamente, isso seria mentira. Mas o suficiente para que meu filho, se eu tivesse conhecido ele antes, não tivesse crescido no meio daquilo que você tanto temia.
— Como eu deveria saber disso?
— Você não tinha como saber. Porque você fugiu antes de me dar a chance de mostrar.
Aquela verdade doeu mais do que eu esperava.
Fomos interrompidos pela porta da Sala de Trauma Três se abrindo, um médico saindo apressado, o rosto sério.
— Sr. Blackwood, Sra. Bennett — ele chamou. — Conseguimos estabilizar Ethan por enquanto, mas ele vai precisar de uma transfusão completa do marcador raro nas próximas horas. E há um problema.
— Que problema? — Adrian perguntou, a voz tensa.
— O único banco de sangue com estoque suficiente desse marcador específico fora do nosso protocolo fica numa clínica particular em Miami. E, segundo nosso sistema, o acesso a esse estoque específico está bloqueado por ordem de outra organização.
Adrian ficou paralisado por um segundo.
— Que organização?
O médico olhou para o tablet, hesitante.
— O sistema só mostra um nome, senhor. Diz “Volkov Group”.
O rosto de Adrian perdeu toda a cor.
