Chapter 4
A transfusão começou vinte minutos depois, Adrian deitado numa maca ao lado da Sala de Trauma Três, o sangue dele sendo bombeado diretamente para o corpo frágil do nosso filho através de um sistema médico de emergência que a equipe particular dele tinha montado em tempo recorde.
Eu observava tudo através do vidro, o coração dividido entre esperança e terror.
Foi então que os elevadores do andar principal começaram a apitar, um som diferente do alarme anterior — mais agudo, mais urgente.
— Eles chegaram — um dos seguranças anunciou, a voz tensa através do rádio.
Vi, através das câmeras de segurança que um dos homens de Adrian tinha aberto num tablet, um grupo de homens vestidos de escuro descendo de dois carros pretos em frente ao hospital.
À frente deles, um homem alto, de cabelo grisalho, caminhava com uma calma que parecia mais perigosa do que qualquer pressa.
— Viktor Volkov — o segurança confirmou.
Corri até onde Adrian estava, ainda conectado ao equipamento de transfusão.
— Adrian, eles chegaram.
Ele tentou se levantar, mas o médico o segurou.
— Sr. Blackwood, se você interromper a transfusão agora, coloca a vida do seu filho em risco novamente.
Adrian olhou para mim, o conflito evidente em cada linha do rosto dele.
— Grace, eu preciso resolver isso, mas não posso sair daqui agora.
— Então eu vou.
— Não. — A voz dele saiu mais forte do que eu esperava. — Você não sabe do que Viktor é capaz.
— Eu sei que meu filho está deitado numa maca com o sangue do pai correndo pelas veias dele, e o único jeito de garantir que ele tenha um futuro é impedir que esse homem chegue perto dessa sala. Então sim, Adrian, eu vou.
Ele me olhou por um longo momento, e então, pela primeira vez em sete anos, assentiu, confiando em mim.
— Leva dois dos meus homens. E, Grace… tenha cuidado.
Encontrei Viktor Volkov no saguão principal, cercado pelos próprios seguranças, os olhos frios avaliando cada movimento ao redor.
— Você deve ser a mãe — ele disse, assim que me viu, um sorriso fino se formando no rosto dele. — A mulher que escondeu o herdeiro de Adrian Blackwood do mundo inteiro por sete anos. Impressionante.
— O que você quer, Sr. Volkov?
— Eu quero que Adrian sinta, só uma vez, o mesmo tipo de perda que eu senti quando meu irmão morreu por causa dele.
— Meu filho não tem nada a ver com o que aconteceu entre vocês.
— Seu filho é sangue de Adrian Blackwood. Isso é tudo que importa para mim.
Senti a raiva subir, superando completamente o medo.
— Então mata a mim — falei, dando um passo à frente, ignorando os seguranças dele se movendo instintivamente. — Se você quer fazer Adrian sofrer, eu sou o alvo certo. Eu sou quem escondeu o filho dele. Ethan é só uma criança de sete anos que nunca fez mal a ninguém na vida.
Viktor me estudou por um longo momento, algo mudando sutilmente na expressão dele.
— Você realmente ama esse menino.
— Mais do que qualquer coisa nesse mundo.
— Sabe, Sra. Bennett, meu irmão também tinha um filho. Um menino que nunca chegou a conhecer o pai direito, porque a guerra entre mim e Adrian consumiu tudo antes que ele tivesse essa chance.
Alguma coisa na voz dele mudou, a raiva dando lugar, por um instante, a uma dor antiga que ele carregava havia anos.
— Isso não justifica machucar outra criança inocente — falei, com cuidado.
Viktor ficou em silêncio por um momento tenso, olhando para algum ponto distante, talvez revivendo memórias que eu nem conseguia imaginar.
— Eu não vim aqui para matar seu filho — ele finalmente disse, surpreendendo a mim e aos próprios seguranças dele. — Vim para ver, com meus próprios olhos, se Adrian realmente mudou o suficiente para arriscar tudo por uma família que ele nem sabia que tinha.
— E o que você concluiu?
Viktor olhou na direção da Sala de Trauma Três, onde Adrian ainda estava doando sangue para salvar o filho.
— Concluí que talvez seja hora de deixar o passado descansar, antes que mais crianças inocentes paguem por guerras que não escolheram.
