Um milionário ouviu, sem querer, sua empregada viúva dizer: “Mãe, você pode me emprestar uns 150 reais? Tô quase sem leite pro bebê.”

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Chapter 2

Adrian passou o resto da tarde tentando se concentrar em relatórios que, de repente, pareciam irrelevantes.

Às seis da tarde, viu Marissa se despedir da governanta-chefe e sair pelo portão dos fundos, caminhando até o ponto de ônibus a alguns quarteirões da propriedade.

Ele pegou as chaves do carro sem pensar muito.

Não ia segui-la de verdade — só queria, talvez, encontrar um jeito de deixar alguma ajuda no caminho dela, sem que parecesse esmola, sem que ela se sentisse observada ou julgada.

Foi mantendo distância segura, o carro numa velocidade quase constrangedora de tão lenta, quando viu Marissa descer do ônibus num bairro simples, de casas geminadas, a uns quarenta minutos do centro.

Ela carregava uma sacola de mercado pequena numa mão e, na outra, segurava firme a alça da bolsa, como quem está sempre pronta pra sair correndo se precisar.

Adrian estacionou na esquina, longe o suficiente pra não ser notado, mas perto o bastante pra ver a porta da casa dela.

Foi então que reparou num carro preto, elegante demais pra aquela rua, já estacionado na frente da casa de Marissa.

Um homem de terno bem cortado desceu do carro, carregando uma pasta de couro.

Adrian reconheceu ele na hora.

Gerald Finch.

O advogado da própria família Whitmore havia mais de vinte anos.

O estômago de Adrian revirou.

O que Gerald Finch estaria fazendo na porta da casa da empregada dele, um advogado que normalmente só tratava de assuntos internos da família?

Marissa parou na calçada, visivelmente surpresa também.

— Sr. Finch? — ele ouviu ela dizer, a voz tensa. — O que o senhor está fazendo aqui?

— Marissa, precisamos conversar. É sobre o processo que estava suspenso.

— Eu pensei que esse assunto tinha sido encerrado há anos.

— As coisas mudaram recentemente. Alguém da família fez perguntas que reabriram… certas questões.

Adrian sentiu um arrepio, percebendo, com um desconforto crescente, que aquela reabertura provavelmente tinha começado com ele mesmo, na hora do almoço, pedindo a ficha completa dela.

Marissa suspirou, cansada, e destrancou a porta de casa.

— Entra, então. Mas rápido. Owen vai acordar da soneca em breve.

Adrian ficou no carro, o coração acelerado, debatendo internamente se devia ir embora ou continuar ali, escondido, como um intruso na própria curiosidade.

Decidiu esperar.

Vinte minutos depois, viu, pela janela parcialmente aberta da sala pequena, Marissa se levantar de um sofá surrado e caminhar até um armário no canto.

Ela abriu uma gaveta e tirou de lá um envelope azul, visivelmente antigo, as bordas gastas, amarrado com um barbante simples.

Ela entregou o envelope a Gerald com as mãos tremendo levemente.

— Isso é tudo que restou dele — Adrian ouviu ela dizer, a voz embargada. — Espero que dessa vez sirva pra alguma coisa boa, e não só pra reabrir feridas antigas.

Gerald guardou o envelope na pasta com um cuidado quase reverente.

— Marissa, eu sei que isso é difícil. Mas, se as suspeitas do Sr. Whitmore estiverem certas, isso pode finalmente corrigir algo que devia ter sido resolvido há quatro anos.

O nome “Whitmore” pairou no ar da sala pequena, e Adrian, do lado de fora, sentiu o próprio sobrenome bater dentro do peito como uma acusação.

Ele não tinha feito pergunta nenhuma ainda.

Não formalmente.

Então de quem exatamente Gerald estava falando?

Assim que Gerald saiu, caminhando de volta pro carro preto, Adrian, num impulso que surpreendeu até ele mesmo, desceu do próprio carro e foi ao encontro dele na calçada.

— Gerald.

O advogado se assustou, quase deixando cair a pasta.

— Adrian? O que você está fazendo aqui?

— Essa é exatamente a pergunta que eu ia te fazer.

Gerald hesitou, o rosto tenso.

— Isso não é conversa pra ter na rua, Adrian. Vamos até o escritório amanhã de manhã. Vou te explicar tudo que consigo.

— Não. Vamos conversar agora. Porque, pelo visto, minha empregada está envolvida em algo que a minha própria família escondeu de mim há quatro anos, e eu quero saber o quê.

Gerald olhou pra casa pequena atrás deles, depois de volta pra Adrian, o peso de décadas guardando segredos visivelmente cansando ele.

— Tudo bem — ele disse, finalmente, suspirando. — Mas você não vai gostar do que vai ouvir.

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