“Uma mãe que esconde a filha entre pilhas de caixas não tem moral para continuar neste emprego”, disparou Brenda, a gerente, apontando para o meu uniforme.

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Chapter 2

Brenda abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.

Alexander se levantou devagar, segurando Paige com o mesmo cuidado de antes, como se ela fosse a coisa mais frágil do mundo.

“Eu perguntei uma coisa simples”, ele repetiu. “Como você sabe quem é o pai dessa criança?”

“Eu… eu só quis avisar”, Brenda gaguejou. “Achei que fosse o certo a fazer.”

“O certo seria vir até mim primeiro”, ele disse, a voz baixa e cortante. “Não ligar para um estranho sobre uma funcionária minha.”

Meu coração disparou.

Eu não tinha contado a ninguém no Grandview sobre Derek.

Ninguém sabia o nome dele. Ninguém sabia da noite em que eu tinha saído de casa com Paige no colo e uma mala mal fechada, sem olhar para trás.

“Quem você ligou, Brenda?”, perguntei, minha voz tremendo mais do que eu gostaria.

Ela cruzou os braços, tentando recuperar a compostura.

“O nome dele é Derek Sanders”, ela disse. “Ele ligou aqui semana passada perguntando se uma mulher chamada Hannah trabalhava neste restaurante. Disse que era o pai da menina. Disse que você tinha sumido com a filha dele sem avisar ninguém.”

O chão pareceu se abrir sob os meus pés.

“Isso é mentira”, eu disse. “Ele não tem nenhum direito sobre ela.”

“Ele tem um advogado”, Brenda rebateu, quase sorrindo. “E parece bastante decidido a buscar o que é dele.”

Alexander me olhou.

Havia algo na expressão dele que eu não conseguia decifrar — não era pena, era algo mais parecido com reconhecimento.

“Derek Sanders”, ele repetiu baixinho, como se estivesse testando o nome na própria boca. “Dono da Sanders Capital?”

Meu sangue gelou.

“Você o conhece?”, perguntei.

“Conheço o suficiente para saber que não confiaria nele nem para cuidar de uma planta”, Alexander respondeu, sem tirar os olhos de mim. “Tivemos um desentendimento sério há dois anos. Ele tentou comprar um terreno que eu já tinha fechado negócio, usando informações que só alguém de dentro da minha empresa poderia ter vazado.”

Eu não sabia o que dizer.

Nunca imaginei que o nome de Derek pudesse aparecer ali, naquele porão, ligado à vida do homem mais temido da cidade.

“Ele é perigoso”, eu disse finalmente, a voz quebrando. “Não do jeito que vocês imaginam nos negócios. Do outro jeito.”

Alexander ficou em silêncio por um momento.

“Do jeito que machuca pessoas dentro de casa”, ele completou, como se já suspeitasse.

Eu apenas assenti, incapaz de formar as palavras.

Brenda revirou os olhos, impaciente.

“Isso não é da minha conta”, ela disse. “Só sei que ele vai vir pessoalmente até aqui amanhã. E, quando vier, essa mulher provavelmente já vai ter sido demitida por colocar um bebê num depósito cheio de produtos químicos.”

“Você está demitida, Brenda”, Alexander disse, sem hesitar sequer um segundo.

O rosto dela ficou vermelho.

“Você não pode fazer isso por causa dela!”

“Eu posso, e estou fazendo”, ele respondeu. “E vou fazer mais uma coisa: vou descobrir exatamente quanto ele te pagou para vigiar essa mulher dentro do meu restaurante.”

Brenda empalideceu de novo, dessa vez sem conseguir disfarçar.

Ela deu meia-volta e saiu quase correndo, os saltos batendo forte na escada.

O silêncio que ficou parecia pesar sobre nós dois.

“Você não precisa fazer isso”, eu disse baixinho. “Não é problema seu.”

Alexander olhou para Paige, ainda dormindo tranquila em seus braços, depois olhou para mim.

“A partir de agora”, ele disse, “é.”

Eu não sabia se devia sentir alívio ou mais medo ainda.

Porque se Derek estava vindo mesmo até o restaurante no dia seguinte, eu sabia exatamente do que ele era capaz quando não conseguia o que queria.

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