“Uma mãe que esconde a filha entre pilhas de caixas não tem moral para continuar neste emprego”, disparou Brenda, a gerente, apontando para o meu uniforme.

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Chapter 5

Os dias seguintes se passaram em uma estranha mistura de medo e algo parecido com esperança.

Alexander tinha contratado um advogado para revisar minhas provas contra Derek — os prints das mensagens, as fotos antigas, o boletim de ocorrência que eu tinha guardado numa pasta escondida havia dois anos, com medo de nunca ter coragem de usá-la.

“Com isso”, disse a advogada, uma mulher de olhar firme chamada Patricia Nunes, “temos uma base sólida para um pedido de restrição e para limitar qualquer tentativa dele de conseguir custódia ou visitas sem supervisão.”

Pela primeira vez em muito tempo, senti que o chão sob meus pés era sólido.

Mas a paz durou pouco.

Na quinta-feira à noite, encontrei um bilhete preso no para-brisa do meu carro, no estacionamento dos funcionários.

“Você acha que ele vai te proteger para sempre? Homens como ele se cansam. E quando ele se cansar, eu vou estar esperando.”

Sem assinatura. Mas eu sabia exatamente de quem era.

Mostrei o bilhete a Alexander na manhã seguinte, as mãos ainda tremendo.

Ele leu em silêncio, o maxilar travado.

“Isso é intimidação direta”, ele disse. “Vamos levar isso para Patricia hoje mesmo. E vou colocar segurança extra aqui e perto do seu apartamento.”

“Alexander, isso está saindo do controle”, eu disse, sentindo o pânico antigo voltar a apertar meu peito. “Ele nunca vai parar. Eu devia simplesmente sumir de novo, ir para outra cidade…”

“Não”, ele disse, com uma firmeza que me fez parar. “Você já fugiu uma vez, e ele ainda te encontrou. Fugir não é a resposta, Hannah. Enfrentar é.”

“Fácil falar isso quando você nunca teve medo de ninguém na vida”, respondi, mais ríspida do que pretendia.

Alexander ficou quieto por um momento, e então, pela primeira vez, ele contou algo que eu nunca tinha imaginado.

“Meu pai batia na minha mãe”, ele disse, a voz baixa. “Eu tinha nove anos e não conseguia fazer nada além de me esconder no armário até parar. Jurei que, quando crescesse, nunca mais ficaria parado vendo alguém sofrer isso enquanto tivesse poder para impedir.”

Entendi, então, por que ele tinha entrado naquela briga com tanta convicção.

Não era só sobre mim, ou sobre Paige.

Era sobre o menino que ele tinha sido, e que nunca teve ninguém para protegê-lo.

Naquela tarde, a segurança extra chegou, discreta mas presente. Patricia protocolou o pedido de restrição com base no bilhete e nas provas anteriores. E, por dois dias, tudo pareceu calmo.

Calmo demais.

Na sexta-feira à noite, recebi uma ligação de um número desconhecido.

“Sua babá de emergência”, disse a voz do outro lado — a Sra. Gable, mas com um tom estranho, apressado. “Alguém veio aqui perguntando por você e pela Paige. Disse que era da prefeitura, fazendo uma verificação de rotina. Mas, Hannah, ele tinha os olhos exatamente como você descreveu.”

Meu sangue gelou.

“O que você disse a ele?”, perguntei, quase sem voz.

“Não disse nada”, ela respondeu. “Mas ele viu a Paige no jardim antes de eu conseguir levá-la para dentro.”

Desliguei o telefone com as mãos tremendo tanto que quase deixei cair.

Alexander, que estava ao meu lado terminando o turno, viu meu rosto e soube instantaneamente que algo estava errado.

“O que aconteceu?”, perguntou.

“Ele encontrou onde a Paige fica durante o dia”, falei, a voz quebrando. “Ele está chegando mais perto.”

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